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sábado, 20 de agosto de 2016

Brasil: que estilo você dança?

Dream of Jeannie - influência americana
O Brasil tem um estilo próprio de interpretar a Dança do Ventre, assim como a Rússia e o Japão conquistaram o seus postos, mas o que significa isso exatamente?
Para começar precisamos entender que estilos de Dança do Ventre influenciaram a primeira geração de bailarinas, um pouco de história é sempre importante. Antes de jogar aquela "Dançamos o estilo egípcio com um jeitinho brasileiro" começaremos com um pouco de contextualização porque a questão é mais profunda.
Primeiro, houve no passado um número significativo de imigrantes vindos de nações dominadas pelo Império Otomano, eram famílias libanesas, sírias, armênias e gregas.
Como referencial as bailarinas brasileiras estudavam as americanas e nos Estados Unidos, que despontava como grande divulgador da Dança do Ventre na América, o estilo estudado (denominado atualmente por American Cabaret ou Cabaret Clássico)  era também uma mistura de Danca do Ventre Turca, Grega, Síria, Libanesa - um mix dos Balcãs, pois, da mesma forma que no Brasil,  imigrantes destes países por lá se estabeleceram.
Sharazad - pioneira no Brasil
As primeiras bailarinas que surgiram, Shahrazad, Samira, Rita, Selma Mileidy e Zeina eram de origem libanesa, armênia e suas danças traziam características de seus países de origem, assim como os restaurantes eram sírio-libaneses e em consequência as músicas também. 
A própria Shahrazad, mestra de tantas bailarinas conhecidas atualmente (Lulu Sabongi, Suheil, Hayat) começou de forma autodidata. Sharazad estudou e desenvolveu um processo didático que foi o mais estudado no Brasil durante os anos 80 e 90. Nesta mesma época sabia-se muito pouco a respeito do Oriente e o acesso às informações era mais complicado do que é hoje em dia; as aulas baseavam-se na plena confiança à mestra.
Mesmo que as músicas egípcias tocassem como trilha sonora dançava-se com shimmies libaneses, floor work turco, snujs à grega e assim por diante, como é possível assistir no DVD American Belly Dance Legends.
Não se deve classificar essa fusão de forma depreciativa, pois havia uma autêntica busca pela técnica de uma Dança do Ventre Genuína, não é por menos que esse momento estruturou um estilo: o American Belly Dance e que atualmente é respeitado mundialmente e influenciou toda a América Latina, principalmente o Brasil durante os anos 70 e 80.
Nájua - autodidata
Eu mesma, posso dizer que tive toda a minha primeira formação no American Belly Dance, pois desde as primeiras aulas e a bailarina a qual me inspirei por muitos anos foi Suhaila Salimpour. No Brasil, a bailarina Nájua, agora radicada do México, era uma das professoras mais conhecidas juntamente com Lulu Sabongi e Fátima Fontes.
A mudança deu início quando Omar Naboulsi, Lulu Sabongi iniciaram uma série de workshops (que acontece até hoje também em outras escolas e eventos, como a Luxor, o Mercado Persa) em que bailarinas nativas vieram ao Brasil e as brasileiras se voltaram para o Oriente.
Aos poucos foi-se percebendo diferenças de estilo, de acordo com a nacionalidade, posteriormente, Mahmoud Reda e Haqia Hassan bateram definitivamente o martelo da Dança do Ventre Egípcia no Brasil.
Mesmo assim ainda tem muita confusão ao redor do que realmente se dança por aqui. 
Samia Gamal - Cabaret Egípcio
Se por um lado, a motivação em aprender conduz as brasileiras a estudarem todos os estilos e influências e misturas possíveis tornando-as ousadas, criativas e originais, por outro cai-se no abismo de não saber ou ter idéia do que se está dançando e ser indiferente a essa questão, o que é pior!
Ou mesmo, a própria auto estima da cultura em relação aos requebrados fazem muitas vezes dos sutis shimmies, pops e locks um verdadeiro rebolation. Por isso, não caia naquela, de que por ser brasileira dá para assistir uns videozinhos e sair dançando.
Mesmo porque, observando americanas, européias e mesmo as bailarinas árabes, a brasileira projeta mais o quadril, os movimentos são mais amplos e se não forem bem estudados, é mais fácil de identificar os erros. 
Há claro um gingado que favorece quando o assunto é a mistura inter-cultural de shimmies, mas, abertura para as fusões é tão grande que  muitas vezes atrapalha. Leve em consideração que a frase: Menos é muito! É melhor fazer pouco e direito do que executar uma enciclopédia de shimmies mal feitos!
A alguns anos atrás eu me apresentei no Restaurante Cartago, em Cascais Portugal, juntamente com bailarinas de outras nacionalidades e a preferência pelos meus solos se dava pelo fato de serem danças ao estilo cabaret egípcio, enquanto que as demais executavam estilos pop turco e pop libanês. 
Fui graciosamente elogiada pelo mestre de cerimônias, como: "nossa Samia Gamal brasileira", isso ressoou como uma lição que repasso a todas: o estudo dedicado honrará o seu nome! 
Em outro momento, estive em férias em Sharm El Sheik e a bailarina que estava se apresentando no hotel era brasileira. Extremamente delicada e fluente, ela dançou ao estilo libanês. Foi perfeita! Senti-me orgulhosa da produção nacional, em contraposição assisti uma em Londres que é melhor não dizer mais nada.
Jilina
Eu particularmente, não sou purista, embora valorize o estudo aprofundado e o respeito ao contexto de cada cultura, acredito que a criação artística deve estar livre e as grandes lendas da Dança do Ventre sempre estiveram abertas para isso. Não deve haver um sistema militar classificando o que é certo ou errado. Mas, é mais do que importante, necessário, obrigatório saber o que se dança, por exemplo, se for interpretar um Inta Omri de Oum Kulthun é mais respeitoso e adequado seguir o estilo egípcio clássico ou cabaret egípcio. 
Obviamente que o seu estilo próprio estará embutido na sua forma de interpretar o cabaret egípcio, afinal se sua formação veio de qualquer uma das bailarinas brasileiras, elas todas começaram com Shahrazad, Samira e tiveram suas bases no American Belly Dance Style
O Brasil tem um tempero miscigenado, onde reinam as raízes sírio-libanesas, um pouquinho do samba, um gosto pela música pop egípcia e uma paixão pela Haqia Hassan. 
Com o boom das Bellydance Superstars e as diversas vindas de Jillina ao Brasil, o American Belly Dance Style ressurgiu salpicado com o estilo egípcio moderno. 
Não é por menos que haja tantas dúvidas...

Fonte:
http://isiszaharabellydance.blogspot.com.br/2011/01/afinal-que-estilo-de-danca-do-ventre-se.html

sábado, 5 de setembro de 2015

História da música árabe

Dei uma parada no estudo dos ritmos para falar deste assunto porque achei bem legal e mantém o assunto principal em foco: música árabe.
O termo música árabe  pode ser aplicado a vários estilos e gêneros de música distribuídos por vários países, com culturas diversas, já que a cultura do povo árabe se espalhou por diversas áreas, em especial no Oriente Médio e na África do Norte.
Ela é caracterizada por uma ênfase na melodia e ritmo, em oposição à harmonia. Há alguns gêneros de música árabe que são polifônicos, mas normalmente, a música árabe é homofônica.
Tal tradição possui raízes na poesia do período pré-islâmico conhecida como "jahiliyyah" (ou "poesia do período de ignorância"). O canto era tarefa confiada às mulheres com belas vozes que aprendiam também a tocar instrumentos (tambor, ud, rebab, etc...) e em seguida, executavam canções respeitando a métrica poética. As composições eram simples, cantadas em um único "maqam" (sistema modal utilizado na música árabe tradicional). Tanto a composição quanto a improvisação musical são baseados no sistema maqam. Maqams são executados na música vocal ou na instrumental sem incluir o componente rítmico.
  • Al-Kindi (801-873 d.C.) foi o primeiro grande teórico da música árabe. Propôs a adição de uma quinta corda ao ud e teorizava sobre a conotação cosmológica da música. Publicou quinze tratados de teoria musical, sendo que apenas cinco restaram. É em um de seus tratados que a palavra ''muziqa" foi usado pela primeira vez em árabe.
  • Abulfaraj (897-967) escreveu importante livro, o "Kitab al-Aghani", uma coleção de poemas e canções em mais de 20 volumes entre os séculos VIII e IX.
  • Al-Farabi (872-950) escreveu um livro notável sobre a música islâmica intitulado ''Kitab al-al-Kabir Musiqi'' (O Grande Livro da Música). Seu sistema tonal ainda é usado na música árabe.

Om Kalsoum
Em 1252, Safi al-Din desenvolveu uma forma única de notação musical, onde ritmos foram representados por formas geométricas.
No século 20, a cidade do Cairo torna-se um centro de inovação musical. Ali, a primeira mulher a assumir uma abordagem musical secular moderna foi Om Kalsoum, rapidamente seguida pela libanesa Fairuz, ambas consideradas lendas da música árabe.
Em 1932, é realizado o Congresso de Música Árabe, um grande simpósio e festival que reuniu no Cairo de 14 de março a 3 de abril estudiosos e artistas de todo o mundo de língua árabe. Delegações de músicos de Argélia, Egito, Iraque, Marrocos, Síria, Tunísia e Turquia se fizeram presentes. Sugerido ao rei Fuad I pelo barão Rodolphe d'Erlanger, o Congresso pretendeu ser o primeiro fórum em grande escala a apresentar, discutir, documentar e registrar as inúmeras tradições musicais do mundo árabe, Norte da África e Oriente Médio (incluindo a Turquia), discutindo-se o futuro, passado e presente da música árabe, pois à época acreditava-se que várias de suas manifestações estavam em declínio, fazendo recomendações para a sua revitalização e preservação. Foram registradas 360 performances pelos grupos visitantes, sendo gravados 162 discos pela empresa HMV (EMI). Além disso, propostas para a modernização e padronização da música árabe foram apresentados, incluindo uma proposta para uniformizar o sistema tonal para 24 compassos por oitava, restaurando o sistema anterior não-temperado, inerente aos antigos estilos. O delegado egípcio Muhammad Fathi recomendava que os instrumentos ocidentais fossem integrados aos conjuntos árabes, devido ao que ele acreditava serem suas superiores qualidades expressivas. Três congressos semelhantes foram realizadas nos anos seguintes, mas nenhum da dimensão e influência do que ocorreu em 1932.
Durante os anos 1950 e 1960 a música árabe começou a assumir um aspecto mais ocidental com instrumentos e letras árabes. Melodias são muitas vezes uma mistura entre estilos orientais e ocidentais.

Fonte:
http://www.infoescola.com/musica/musica-arabe/