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sábado, 26 de março de 2016

Documentário: Latcho Drom

Filme muito interessante que mostra a migração do povo cigano e sua influência em vários estilos de dança, entre ela a dança oriental árabe.
Latcho Drom (viagem segura) é um documentário francês de 1993, dirigido e escrito por Tony Gatlif. O filme é sobre a jornada dos povos Romani, do noroeste da Índia até a Espanha, consistindo principalmente de música. O filme, exibido na seção "Un Certain Regard" no Festival de Cannes de 1993, descreve as migrações, canções e danças dos grupos Romani da Índia, Egito, Turquia, Romênia, Hungria, Eslováquia, França e Espanha. Algumas passagens são encenadas, porém não há diálogo nem narração. 
O filme ilustra a variedade de condições em que vive o povo cigano, nômades nos desertos quentes da Ásia, ferreiros pobres e moradores de árvores nas planícies congeladas da Europa Oriental, artesãos e comerciantes na região costeira e colinas da África do Norte e Europa Ocidental. Ele também ilustra as semelhanças nos hábitos de viagem, nas melodias e temas musicais. 
A jornada se passa ao longo de um ano, iniciando pelo verão, passando pelo outono e inverno e terminando na primavera. Gatlif mantém sua câmera no essencial e elementar da vida: água, a roda, fogo, animais de carga e de sustento, roupas coloridas, joias, instrumentos musicais, música e dança. Por toda parte, através de música e dança, jovens e velhos celebram, encarnam e ensinam os valores culturais da família, da viagem, do amor, da separação e da perseguição. 
O filme inclui músicas do grupo romani, Taraf de Haïdouks, Tchavolo e Dorado Schmitt, entre outros, originários da Romênia. 
Tony Gatlif (nascido como Michel Dahmani em 10 de setembro de 1948 em Argel, Argélia) é um diretor de cinema francês de etnia romani que também trabalha como roteirista, compositor, ator e produtor.


sábado, 3 de outubro de 2015

Ritmos: Karcilama (e dança também)

De origem turca, é conhecido também como Karsillama, Karsilama, Karshlama, Karcilama, Karschilama ou até mesmo Turkish Roman, por alguns profissionais, pela grande influência dos ciganos na música turca. Seu significado é frente a frente, cara a cara (a palavra afina-se com uma dança homônima da Turquia).
Características
Este ritmo é pouco comum na música ocidental. É composto por um compasso também raro 9/8, além de possuir três TAS fortes no final da frase musical. Também é chamado de “aqsaaq”, cuja tradução é “aquilo que marca” ou “quebrado”.
Sobre o ritmo em si, Merit Aton deixa bem claro que é um compasso de 9/8, com formação de três compassos de dois tempos e um de três. Shira também é uma grande referência com relação ao ritmo e toque de snujs.
Composição
Repare nos TAS característicos ao final da forma grafada.
A sua versão base é assim: DUM TAK DUM TATATA
Uma outra forma, mais completa e floreada é esta: DUM TAKATA TAKA DUM TATATA
Como treinar
Comece a tocar os snjus pela frase simples. Lembre-se  os DUMs, TAKs e TAs toque com a sua mão principal (varia para destros ou canhotos) e os e KAs com a outra. Ou então marque os DUMs com as duas mãos, enfatizando que são mais fortes. Treine o ritmo puro, com a ajuda de um CD e depois tente encontrá-lo nas músicas.
A dança
O mais autêntico seria dançar com um casal de homem e mulher ou em duplas de homens. Atualmente é bastante comum dançar o Karsilama em solos. Sabe-se que foi levada para a Grécia por imigrantes e lá se tornou a Zeybekikos. Nela, duplas dançam juntas fazendo quatro passos fortes e marcados. Em geral, é executada pelas Cengis, ciganas turcas, que giram suas sais e usam pandeiros como acessórios complementares.
Existem dois tipos. A dança Karsilama urbano, semelhante à dança do pandeiro, porém, o acompanhamento musical usa exclusivamente o ritmo homônimo e suas variações floreadas. Já a Karsilama é uma mistura de dança Sule Kule com a dança do ventre que conhecemos. Veja no YouTube como é a dança, em uma versão para palco e outra mais tradicional.
Originalmente o nome de um ritmo turco, o 9/8, mas também é utilizado por dançarinas como um estilo de dança turco. Ao longo dos tempos referenciou-se também como uma dança, e dependendo da região da Turquia, um país de grande extensão geográfica, é utilizado com passos bem típicos e diferenciados, com snujs, com colheres turcas ou mesmo sem acessório. Assim, temos Karshillama da região da Tracia, Rumeli, Merzifo, Edirne, Gumulcine, Tarakli, Bilecik e até mesmo dos Bálcãs, que por sua vez é conhecido como Mastika.
Dicas de passos
O Karsilama é um ritmo alegre, animado, o que não significa que seja acelerado. Como é mais usado com pandeiros ou meias-luas, é fácil encontrar movimentos comuns ao uso destes acessórios, como as batidas de quadril, ombro, giros e até shimies para os momentos mais acelerados. Agora que você já conhece alguns passos, veja a performance da bailarina Saida, em DVD instrutivo lançado com Mario Kirlis em 2007.
Curiosidades
Uma música bem típica é “Rampi, Rampi”. Muitos referenciam Karsilama Urbana quando dançada com snujs, uma outra possibilidade. Sobre os movimentos típicos, a idéia é mostrar força e energia, com bastante vibração dos quadris, pélvis, ondulações laterais e movimentos de 8 grandes. Já na parte de traje, o mais típico é encontrar a dançarina com calças folgadas, sem moedas, com ou sem lenço no quadril.
Assim, após todo este estudo a diretriz para quem quer estudar mais sobre Dança do ventre turca ou especificamente sobre Karshillama, é que se baseie em sites e vídeos de dançarinas turcas com renome internacional, ou seja, procurem realmente as fontes diretas, as raízes, de onde veio tal estilo/ritmo. Analisem sempre as referências e inicialmente tenham um aprendizado autêntico do estilo, para depois sim, usá-lo total ou parcialmente, como fusão ou não, mas sempre deixando bem claro qual a sua proposta de dança.

Fonte:
http://www.ventrequeencanta.com.br/karshilama.html
https://cadernosdedanca.wordpress.com/2010/10/25/karsilama/

sábado, 26 de setembro de 2015

Ritmos: Samai

Samai (samaai, samahi, samaaiat) é um ritmo de origem turca, e o Darig é originário da Argélia, mas inspirado no primeiro. Em árabe, samai é escutar.
Samai não é um nome comum para a maioria das dançarinas, mas é um ritmo presente em muitas músicas. Darig nada mais é que uma versão menor do Samai. 
Composição
Este é um ritmo com composição 10/8, dividido em três partes (khanat). A primeira e a terceira têm 3 tempos enquanto que a segunda possui 4. A quarta parte possui uma estrutura diferente, geralmente 3/4 ou 6/4, desta última parte que deriva o ritmo argeliano Darig.
Puro, aparece assim:
DUM TAKA TAKA TA TAKA DUM DUM TA

Floreado, aparece como:
DUM TAKA TAKA TAKA _ TAKA TAKA DUM TA DUM  _ TAKA TAKA TAKA

Dessa forma, o ritmo Samai não é uma sequência pequena repetida diversas vezes, o ritmo é praticamente - aos nossos ouvidos ocidentais - uma música inteira. Portanto, o que muitas vezes ouvimos como ritmo Samai, é na verdade uma parte de sua estrutura (khanat).
Esses exemplos são as variações simples do ritmo. Como qualquer ritmo, ele pode ser floreado, algumas vezes parecendo mais longo ou mais curto.
Em algumas músicas, encontramos o terceiro khanat sendo associado ao Darig, como neste vídeo da Suheil abaixo.

Características
O Samai costuma aparecer em músicas clássicas egípcias e nas músicas sufi turcas. Sua delicadeza deixa a música mais rica e encantadora. É um ritmo  lento, mas muito complexo.

Como treinar
É extremamente difícil encontrar alguém que dance o samai tocando snujs, mas estes instrumentos são ótimos para praticá-lo e entender as partes do silêncio e onde marcar mais forte.
Você pode marcar os DUM com as duas mãos para dar mais impacto e revezar o TA na mão direita e o KA na esquerda. Sinta-se à vontade para fazer invertido.
Se preferir praticar dançando, marque os DUM com algumas batidas secas e nos TA e KA, faça movimentos suaves.
Dica de passos
Como este ritmo aparece em músicas clássicas, aproveite para fazer os passos mais antigos da dança do ventre como oitos e se for fazer tremidinhos, que sejam leves.
Assista aos vídeos das bailarinas antigas e observe como elas são delicadas e a dança mais contida. Dançar o samai é inspirar-se nas origens. Oitos, camelos, pivôs, movimentos de braços e pernas devem ser feitos de forma tranquila.
Como o próprio nome do ritmo sugere, escute a batida com o seu próprio corpo e boa dança!

Fonte:
https://cadernosdedanca.wordpress.com/2010/08/30/samai/
http://www.dancadoventrebrasil.com/2011/03/ritmos-samai-e-darig.html

sábado, 5 de setembro de 2015

História da música árabe

Dei uma parada no estudo dos ritmos para falar deste assunto porque achei bem legal e mantém o assunto principal em foco: música árabe.
O termo música árabe  pode ser aplicado a vários estilos e gêneros de música distribuídos por vários países, com culturas diversas, já que a cultura do povo árabe se espalhou por diversas áreas, em especial no Oriente Médio e na África do Norte.
Ela é caracterizada por uma ênfase na melodia e ritmo, em oposição à harmonia. Há alguns gêneros de música árabe que são polifônicos, mas normalmente, a música árabe é homofônica.
Tal tradição possui raízes na poesia do período pré-islâmico conhecida como "jahiliyyah" (ou "poesia do período de ignorância"). O canto era tarefa confiada às mulheres com belas vozes que aprendiam também a tocar instrumentos (tambor, ud, rebab, etc...) e em seguida, executavam canções respeitando a métrica poética. As composições eram simples, cantadas em um único "maqam" (sistema modal utilizado na música árabe tradicional). Tanto a composição quanto a improvisação musical são baseados no sistema maqam. Maqams são executados na música vocal ou na instrumental sem incluir o componente rítmico.
  • Al-Kindi (801-873 d.C.) foi o primeiro grande teórico da música árabe. Propôs a adição de uma quinta corda ao ud e teorizava sobre a conotação cosmológica da música. Publicou quinze tratados de teoria musical, sendo que apenas cinco restaram. É em um de seus tratados que a palavra ''muziqa" foi usado pela primeira vez em árabe.
  • Abulfaraj (897-967) escreveu importante livro, o "Kitab al-Aghani", uma coleção de poemas e canções em mais de 20 volumes entre os séculos VIII e IX.
  • Al-Farabi (872-950) escreveu um livro notável sobre a música islâmica intitulado ''Kitab al-al-Kabir Musiqi'' (O Grande Livro da Música). Seu sistema tonal ainda é usado na música árabe.

Om Kalsoum
Em 1252, Safi al-Din desenvolveu uma forma única de notação musical, onde ritmos foram representados por formas geométricas.
No século 20, a cidade do Cairo torna-se um centro de inovação musical. Ali, a primeira mulher a assumir uma abordagem musical secular moderna foi Om Kalsoum, rapidamente seguida pela libanesa Fairuz, ambas consideradas lendas da música árabe.
Em 1932, é realizado o Congresso de Música Árabe, um grande simpósio e festival que reuniu no Cairo de 14 de março a 3 de abril estudiosos e artistas de todo o mundo de língua árabe. Delegações de músicos de Argélia, Egito, Iraque, Marrocos, Síria, Tunísia e Turquia se fizeram presentes. Sugerido ao rei Fuad I pelo barão Rodolphe d'Erlanger, o Congresso pretendeu ser o primeiro fórum em grande escala a apresentar, discutir, documentar e registrar as inúmeras tradições musicais do mundo árabe, Norte da África e Oriente Médio (incluindo a Turquia), discutindo-se o futuro, passado e presente da música árabe, pois à época acreditava-se que várias de suas manifestações estavam em declínio, fazendo recomendações para a sua revitalização e preservação. Foram registradas 360 performances pelos grupos visitantes, sendo gravados 162 discos pela empresa HMV (EMI). Além disso, propostas para a modernização e padronização da música árabe foram apresentados, incluindo uma proposta para uniformizar o sistema tonal para 24 compassos por oitava, restaurando o sistema anterior não-temperado, inerente aos antigos estilos. O delegado egípcio Muhammad Fathi recomendava que os instrumentos ocidentais fossem integrados aos conjuntos árabes, devido ao que ele acreditava serem suas superiores qualidades expressivas. Três congressos semelhantes foram realizadas nos anos seguintes, mas nenhum da dimensão e influência do que ocorreu em 1932.
Durante os anos 1950 e 1960 a música árabe começou a assumir um aspecto mais ocidental com instrumentos e letras árabes. Melodias são muitas vezes uma mistura entre estilos orientais e ocidentais.

Fonte:
http://www.infoescola.com/musica/musica-arabe/