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sábado, 9 de setembro de 2017

A percussão árabe no Brasil

Aqui, daremos maior ênfase à fase inicial da percussão árabe no Brasil, aplicando maior ênfase aos trabalhos realizados por Fuad Haidamus neste campo, contando a história de seus instrumentos e objetos por ele confeccionados.

2 - Início da música árabe percussiva no Brasil.
Fuad Haidamus no
restaurante Bier Maza
Não se sabe ao certo a data precisa. Acreditamos que tenha iniciado no final dos anos 60 e início dos anos 70, pois, neste período, Haidamus já iniciara seus trabalhos como músico árabe profissional no Brasil. Podemos afirmar que a música árabe nasceu, no Brasil, nos restaurantes árabes da época.
É curioso observar que desde os tempos dos legendários restaurantes paulistanos "Bier Maza" e "Porta Aberta",  a relação restaurante árabe - música árabe persiste até os dias atuais.
(Essa relação pode ser vista como uma reprodução do que ocorre tradicionalmente entre os povos árabes no mês do Ramadan, que, além de seu significado religioso para os muçulmanos, acabou se transformando num período de verdadeira confraternização entre as famílias árabes. É um período de se reunir com os amigos, comer bem e apreciar uma bela canção).
Sobre um pequeno palco decorado ao estilo "tenda árabe", três ou quatro músicos (dentre eles Fuad Haidamus na derbakke e Wady Cury no alaúde) se apresentavam ante a uma pequena platéia de espectadores. Assim se deu o início da percussão árabe no Brasil (ou a musica árabe como um todo), tendo como instrumentos iniciais o derbakke tradicional, feito em cerâmica queimada e o daff, em madeira e pele de peixe. Os snujs também surgiram nesse período, porém, foram imortalizados pelas mãos de Shahrazad Sharkey, pioneira e maior mestra de snujs para dança do ventre no Brasil.

3 - Os primeiros Derbakkes no Brasil (Confecção e comercialização)
A comercialização dos primeiros derbakkes no Brasil ocorreu a partir de 1975 respectivamente, e, mesmo assim, era algo bastante restritivo. Fuad Haidamus foi o maior produtor de derbakkes do Brasil, chegando a fornecer alguns de seus instrumentos para algumas lojas musicais paulistanas, como, por exemplo, a conceituada e tradicional "Casa Manon".
Fios originais usados
por Haidamus na confecção
dos primeiros derbakkes
Evidentemente, a procura era baixa e a sua venda ficara adstrita apenas à membros da colônia árabe e interessados amantes da música árabe. A derbakke era considerada um instrumento exótico, diferente.
Os primeiros derbakkes no Brasil, confeccionados por Fuad Haidamus, eram feitos em cerâmica especial de Belém do Pará e revestida com pele de cabrito que era especialmente cortada, furada, costurada e, por final, colada. Possuíam excelente sonoridade e seguiam o modelo tradicional marroquino.
Fuad Haidamus, buscando sempre aprimorar a qualidade sonora de seus instrumentos, trabalhou também como um grande pesquisador na busca de melhores peles para a confecção.
Com o surgimento da globalização, principalmente após o advento da internet e o aparecimento de novas lojas árabes no Brasil especializadas em importação, a dificuldade em adquirir um derbakke ou qualquer outro instrumento árabe, ficou bastante abrandada.

3 - A Afinação dos derbakkes tradicionais
Afinação de derbakke  através de emprego de lâmpada
Como as derbakkes tradicionais não possuem tarraxas para serem afinadas, (o couro é colado diretamente no corpo do instrumento) diferentemente com o que ocorre com a sua versão contemporânea (ou moderna), devemos aquecer o couro para que chegue a uma correta afinação. O aquecimento serve para evaporar toda a umidade absorvida pela pele animal, fazendo-a "esticar". Há muito tempo, quando o  fogo era a única fonte de calor conhecida, colocavam os instrumentos próximos a fogueiras ou brasidos para serem afinados. O uso de lâmpadas já é considerado algo bastante moderno de se utilizar para afinação das derbakkes tradicionais.
Suporte Especial
Não sabemos com exatidão quem inventou essa técnica, porém, Fuad Haidamus foi o primeiro a utilizá-la no Brasil, projetando um suporte especial que o possibilitava tocar e aquecer o couro ao mesmo tempo. Outro dado importante da genialidade de Haidamus na confecção desse suporte, é que mesmo estando dentro do instrumento não interferia  na sua sonoridade. O som produzido conseguia circular livremente no interior do instrumento, passando com total facilidade através do suporte de afinação.
As derbakkes contemporâneas produzidas em alumínio e pele de nylon, surgiram com o objetivo de sanar certas deficiências de sua versão tradicional no que diz respeito a sua utilização em shows. Trata-se de um modelo preparado para ser utilizado em espetáculos, pois, possui corpo em alumínio (facilitando o transporte por ser mais resistente que a cerâmica) e pele sintética (que mesmo sendo inferior a animal, não sofre influencia de umidade do ar, mantendo-se, assim, sempre afinada)

4 - O estojo para derbakke de Fuad Haidamus (histórico)
Histórico estojo de Fuad Haidamus em madeira maciça - 1970
Em meados de 1969-1970,  Fuad Haidamus e seu conjunto de músicos passaram a viajar para inúmeras cidades do Brasil. Ante as dificuldades no transporte dos instrumentos, Haidamus idealizou e confeccionou um estojo especial  que propiciava segurança e proteção integral ao instrumento.
Sabemos que Haidamus confeccionou dois estojos para Derbakke. O primeiro (foto ao lado) fora criado em 1970 aproximadamente, e o segundo, que praticamente fora uma réplica do primeiro, em 1977.
Fuad Haidamus utilizou esses estojos quando tocou na lendária tenda árabe "Bier Maza".
Acreditamos que seu segundo estojo, - confeccionado em 1977 respectivamente - fora inutilizado após seu afastamento em definitivo das apresentações musicais.
O primeiro e legendário estojo, dado de presente por Fuad Haidamus a Vitor Abud Hiar  em 1979 - 80 como incentivo aos seus estudos de percussão, permanece conservado  em  sua total originalidade e integralidade.
O estojo para Derbakke de Fuad Haidamus é  uma peça histórica de maior relevância, quando falamos em música árabe no Brasil.

5 - O Daff e os Snujs
O Daff fora o primeiro instrumento musical tocado por Fuad Haidamus em um show no Brasil, antes de sua mudança em definitivo para o Derbakke. Após tal acontecimento, outros percussionistas começaram a surgir e o acompanhavam musicalmente nos seus solos de percussão.
Em relação aos Snujs, surgiram e foram imortalizados no Brasil pelas mãos de Shahrazad Sharkey, mestra e pioneira da Dança do Ventre no Brasil, que os utilizava frequentemente em suas apresentações de dança.

Fonte:
http://www.vitorabudhiar.com/derbake_brasil.htm

sábado, 2 de setembro de 2017

História Geral: Grandes Civilizações

Muitas vezes meio que ficamos perdidos na História e misturamos vários acontecimentos.
Deixo aqui uma playlist bem bacana que achei no youtube que narra de maneira muito resumida e fácil a história das grandes civilizações.
Espero que gostem tanto quanto eu! 😘

sábado, 17 de junho de 2017

Derbake: O enigmático Vaso Tambor Árabe

Após inúmeras mensagens de amigos interessados em saber algo sobre a origem histórica do Derbake, resolvi lavrar algumas breves considerações sobre tal assunto, adotando como título " O enigmático Vaso Tambor Árabe".
A primeira pergunta que cabe nestas primeiras linhas, seria evidentemente por qual motivo não elaborei  um  trabalho semelhante antes.  Bem, primeiramente é preciso ter ciência de que se trata de um assunto de grande complexidade, devido as inúmeras controvérsias existentes sobre duas questões fundamentais: o seu surgimento histórico e a origem do seu nome. Para analisarmos tal questão, é inevitável voltarmos no tempo muito antes do período da História Antiga. Voltaremos, sim, até à Era Pré-Histórica.
"Vaso Tambor" pintado, datado 
do perídodo Neolítico (?) - bem 
parecido com o derbakke que 
conhecemos atualmente
Podemos afirmar que, segundo algumas evidências,  o “vaso tambor” foi inventado após o homem ter descoberto a arte da cerâmica, ou seja, no período Neolítico.
Curiosamente, a Arqueologia moderna descobriu fragmentos de cerâmica da era neolítica do que seria uma espécie de vaso tambor; evidências claras de um provável  protótipo de “derbakke”. A tese principal seria que o primeiro derbakke fora moldado no Egito antigo. Possivelmente os egípcios aperfeiçoaram o "vaso tambor" da era Neolítica, transformando-o  no derbakke que conhecemos atualmente.
Claro que existem aqueles que  preferem não arriscar, afirmando genericamente  que o derbake surgira no Oriente Médio.  Ficamos, aqui, com a primeira hipótese citada.
´É evidente que quando falamos em percussão árabe, o povo egípcio impera em destaque primordial. A prova concreta dessa importância, está estampada  em gravuras encontradas nos antigos monumentos faraônicos.
Por outro lado, não podemos nos esquecer da importante civilização fenícia. De certo, o comércio da bacia do  Mediterrâneo foi o principal fator na expansão da percussão egípcia (árabe) para todas as outras nações dessa região. A Fenícia, hoje o Líbano, foi a grande responsável por tal expansionismo, pois, a cidade de Tyro, antes da fundação de Alexandria, fora o grande empório do comércio do mundo. As longas explorações marítimas dos fenícios e as inúmeras colônias que se fundaram em toda costa da bacia do mediterrâneo, permitiram-lhes uma importantíssima permutação de produtos. Os navios fenícios sempre iam às costas da África e Ásia em busca de produtos. A cidade fenícia de Sydon, comercializava com o Egito, Chipre, Ásia Menor e Grécia (Século XV a.C.)
Se os egípcios aperfeiçoaram o "Vaso Tambor" da era Neolítica e quase todos os demais instrumentos da percussão árabe, os fenícios foram os principais responsáveis pela sua difusão através das rotas marítimas comerciais. Segundo os atuais relatos históricos, os fenícios assimilaram as culturas do Egito e da Mesopotâmia e as estenderam por todo o Mediterrâneo. Hoje, Egito e Líbano figuram como as grandes potências da percussão árabe no mundo.
Darabuka do período medieval
Também não seria nada correto  esquecermos de outro dado significativo, que foi a expansão do Império Otomano que muito contribuiu em levar a cultura árabe até o mundo ocidental. Vale aqui ressaltarmos que Darbuka é a versão turca do derbake tradicional em cerâmica (existem controvérsias sobre o assunto). Segundo estudiosos, tal versão teria surgido  durante o apogeu do  Império Otomano na Idade Média, período em que a música teve grande difusão e importância. Podemos afirmar convictos de que a Darbuka influenciou, e muito, a música medieval ao lado de outros instrumentos conhecidos, como, por exemplo, o Alaúde.  Na Grécia, o derbake é conhecido com a denominação de "Tumberleke".
A segunda questão de suma importância que envolve o derbakke, conforme mencionamos no início deste estudo,  é a orígem de sua denominação. Surge aqui outra divergência. Os egipcios denominam esse instrumento com o nome de Tabla (nome originário) porém, com sua expansão, acabou recebendo várias denominações.
Vislumbremos, a título de curiosidade, as diversas denominações que esse instrumento recebe nos mais diversificados países do mundo. Vejamos, então, a tabela abaixo:

Tabela de variações do nome Derbakke (Vaso Tambor) nos mais diversificados países:
Derbakke de
Fuad Haidamus
- Um dos primeiros
confeccionados no
Brasil - 1983
País                           - DenominaçãoAfeganistão               - Darbouka
Albânia                      - Darabuke
Azerbaijão                 - Doumbek
Bulgária                     - Doumbek /Darabuka
Egito e países árabes  - Tabla / Derbakke / Darabuka
Grécia                         - Tumberleke
Índia                           - Tumbaknari
Japão                          - Taiko
Malásia                       - Gedombak
Macedônia                  - Tarabuka
Irã                               - Tombak / Zarb
Tajiquistão                  - Tablak
Turquia                       - Darbuka
Iugoslávia                   - Darbuk
Brasil                          - Derbakke / Darbuka
Acredita-se que o seu nome tenha advindo da expressão DARBA = GOLPE em árabe. Outros, porém, acreditam que tal nome tenha surgido graças ao som duplo que esse instrumento possui: DUM = Da batida grave e BEK = Da batida aguda. Cremos que a junção desses dois fatores levaram ao surgimento de tal denominação.
O derbakke e os demais instrumentos da percussão árabe, permaneceram praticamente inalterados na sua forma estrutural. Mesmo a partir dos anos oitenta, com o advento das versões modernas, a sua  versão tradicional do derbakke permanece. Assim, podemos concluir que o histórico "vaso tambor" do período Neolítico, mesmo em seu  aspecto estrutural  modesto, se perpetuou pelos séculos da humanidade e ainda se impõe, de forma enigmática, como um grande desafio a todos aqueles que desejarem dominar sua técnica.


Fonte:
http://www.vitorabudhiar.com/historia_derbake.htm

sábado, 21 de janeiro de 2017

Egiptologia 1.10 - A Escola dos Mistérios

Vamos nos aprofundar no conhecimento sobre o Egito? Toda semana vou postar 1 capítulo do documentário (total de 10)                        
A série foi baseada nas investigações do egiptólogo e matemático R. A. Schwaller de Lubicz e nas realizações da escola Olho de Hórus. Os templos construídos por esta organização eram utilizados como enciclopédias de conhecimento, cujo objetivo era transmitir ao povo, ao longo de muitas gerações, a informação acumulada a respeito do funcionamento do universo.
Tais templos também serviram como polos de desenvolvimento social, político e econômico da civilização egípcia. Espiritualmente, os antigos sacerdotes estruturaram esta sociedade alicerçada em dois conceitos fundamentais: 
  1. a reencarnação como meio de evolução espiritual;
  2. a iluminação como passo final deste processo.
Capítulo 1: A Escola dos Mistérios.
Capítulo 2: O Senhor da Reencarnação.
Capítulo 3: A Esfinge, Guardiã do Horizonte.
Capítulo 4: A Flor da Vida.
Capítulo 5: O Complexo de Cristal.
Capítulo 6: A Máquina Quântica.
Capítulo 7: O Amanhecer da Astronomia.
Capítulo 8: O Caminho da Compreensão.
Capítulo 9: O Portal da Liberdade.
Capítulo 10: O Princípio Feminino.                      


sábado, 9 de abril de 2016

Quando os Mouros dominaram a Europa

Muitos historiadores veem a invasão muçulmana na Espanha como um sombrio e violento ataque, um assalto a Europa cristã. E apesar de gerações dos governantes espanhóis tentarem expurgar este registro histórico, a arqueologia e a erudição lançam uma nova luz sobre os mouros que floresceram no Al-Andalus por mais de 700 anos, onde as verdades foram escondidas, e a História, manipulada. 
“Quando os mouros dominaram na Europa” é uma história incrível, mas, sistematicamente apagada. A propaganda alimentada pelas “Cruzadas Medievais” criou uma impressão duradoura: A guerra diabólica contra os inimigos estrangeiros de “pele escura”, os “selvagens”. Mas, essa caracterização é completamente inventada, não nos diz nada de como essas pessoas eram. Agora, arqueólogos e historiadores já começaram a compilar a história verdadeira dos mouros na Espanha. 
Este fascinante documentário explode velhos estereótipos: 
=> Ele descobre a Matemática por trás do engenhoso e deslumbrante “Palácio de Alhambra”, em Granada, na Espanha. “La Alhambra” é um triunfo da Matemática e da Estética, é como se tivesse sido habitada até ontem, a Engenharia Matemática reside no núcleo da beleza;  
=> Traça a linhagem étnica de “El Cid” às suas raízes mouras; 
=> Mostra como a população ibérica, voluntariamente, se converteu ao islamismo em massa; 
=> Revela a dívida com o Islamismo e com os muçulmanos, pelas suas contribuições vitais para a “Renascença”, na Europa. Os avanços que os mouros proporcionaram para as Grandes Navegações, para a Astronomia, Arte, Arquitetura, Música, Química, Botânica, Farmacologia, Medicina, Agricultura, Filosofia e Letras. E como ajudaram a impulsionar o Ocidente para fora da “Idade das Trevas”. 
Não era o Islã rígido e fundamentalista da imaginação de muitas pessoas, mas, sim, uma cultura sofisticada, progressista, sensível e intelectualmente curiosa, onde mouros, cristãos e judeus conviviam harmoniosamente. Só agora, seis séculos depois, é que as contribuições e influências dos mouros para a vida e cultura europeias estão finalmente começando a ser plenamente compreendidas.
Quando a cultura moura entrou em colapso, a Espanha foi fanaticamente recristianizada, e quase todos os vestígios de mais de sete séculos de domínio islâmico foram implacavelmente suprimidos. 
Nos 700 anos presentes na Europa, os muçulmanos de Al-Andalus criaram uma cultura que foi o auge da vida civilizada que influenciou toda a Europa em formas que apenas hoje começamos a entender. 
Com o tempo, a memória do passado islâmico na Espanha foi reconfigurada para uma versão “light” da História, onde a verdade é mais estranha que a ficção. 
A História de Al-Andalus não é o conto do bem contra o mal, do Oriente contra o Ocidente. Ela é intrigante, complexa, engenhosa, brutal, humana e turbulenta. Deve ser lembrada, não pode ser excluída dos livros de História. 
Os espanhóis, simplesmente, inventaram a História da Espanha, transformando sua História em um Conto de Fadas. “La Reconquista” foi uma Guerra Civil entre “espanhóis” de duas crenças diferentes. Não foi uma “Guerra Santa”, Al-Andalus foi destruída em uma luta suja por terra que durou mais de 300 anos, onde a sociedade mais sofisticada era a menos equipada para a guerra, e os Cristãos tinham muito a ganhar e pouco a perder. 
O mais chocante na expulsão dos mouros, é que não estavam apenas expulsando árabes ou berberes, a grande maioria da população foi expulsa por sangue... DNA se quiser. Eles eram tão “ibéricos” como seus “primos” cristãos do Norte que os expulsaram. Os “exilados” eram “nativos” da península, como os reis cristãos”.


sábado, 5 de setembro de 2015

História da música árabe

Dei uma parada no estudo dos ritmos para falar deste assunto porque achei bem legal e mantém o assunto principal em foco: música árabe.
O termo música árabe  pode ser aplicado a vários estilos e gêneros de música distribuídos por vários países, com culturas diversas, já que a cultura do povo árabe se espalhou por diversas áreas, em especial no Oriente Médio e na África do Norte.
Ela é caracterizada por uma ênfase na melodia e ritmo, em oposição à harmonia. Há alguns gêneros de música árabe que são polifônicos, mas normalmente, a música árabe é homofônica.
Tal tradição possui raízes na poesia do período pré-islâmico conhecida como "jahiliyyah" (ou "poesia do período de ignorância"). O canto era tarefa confiada às mulheres com belas vozes que aprendiam também a tocar instrumentos (tambor, ud, rebab, etc...) e em seguida, executavam canções respeitando a métrica poética. As composições eram simples, cantadas em um único "maqam" (sistema modal utilizado na música árabe tradicional). Tanto a composição quanto a improvisação musical são baseados no sistema maqam. Maqams são executados na música vocal ou na instrumental sem incluir o componente rítmico.
  • Al-Kindi (801-873 d.C.) foi o primeiro grande teórico da música árabe. Propôs a adição de uma quinta corda ao ud e teorizava sobre a conotação cosmológica da música. Publicou quinze tratados de teoria musical, sendo que apenas cinco restaram. É em um de seus tratados que a palavra ''muziqa" foi usado pela primeira vez em árabe.
  • Abulfaraj (897-967) escreveu importante livro, o "Kitab al-Aghani", uma coleção de poemas e canções em mais de 20 volumes entre os séculos VIII e IX.
  • Al-Farabi (872-950) escreveu um livro notável sobre a música islâmica intitulado ''Kitab al-al-Kabir Musiqi'' (O Grande Livro da Música). Seu sistema tonal ainda é usado na música árabe.

Om Kalsoum
Em 1252, Safi al-Din desenvolveu uma forma única de notação musical, onde ritmos foram representados por formas geométricas.
No século 20, a cidade do Cairo torna-se um centro de inovação musical. Ali, a primeira mulher a assumir uma abordagem musical secular moderna foi Om Kalsoum, rapidamente seguida pela libanesa Fairuz, ambas consideradas lendas da música árabe.
Em 1932, é realizado o Congresso de Música Árabe, um grande simpósio e festival que reuniu no Cairo de 14 de março a 3 de abril estudiosos e artistas de todo o mundo de língua árabe. Delegações de músicos de Argélia, Egito, Iraque, Marrocos, Síria, Tunísia e Turquia se fizeram presentes. Sugerido ao rei Fuad I pelo barão Rodolphe d'Erlanger, o Congresso pretendeu ser o primeiro fórum em grande escala a apresentar, discutir, documentar e registrar as inúmeras tradições musicais do mundo árabe, Norte da África e Oriente Médio (incluindo a Turquia), discutindo-se o futuro, passado e presente da música árabe, pois à época acreditava-se que várias de suas manifestações estavam em declínio, fazendo recomendações para a sua revitalização e preservação. Foram registradas 360 performances pelos grupos visitantes, sendo gravados 162 discos pela empresa HMV (EMI). Além disso, propostas para a modernização e padronização da música árabe foram apresentados, incluindo uma proposta para uniformizar o sistema tonal para 24 compassos por oitava, restaurando o sistema anterior não-temperado, inerente aos antigos estilos. O delegado egípcio Muhammad Fathi recomendava que os instrumentos ocidentais fossem integrados aos conjuntos árabes, devido ao que ele acreditava serem suas superiores qualidades expressivas. Três congressos semelhantes foram realizadas nos anos seguintes, mas nenhum da dimensão e influência do que ocorreu em 1932.
Durante os anos 1950 e 1960 a música árabe começou a assumir um aspecto mais ocidental com instrumentos e letras árabes. Melodias são muitas vezes uma mistura entre estilos orientais e ocidentais.

Fonte:
http://www.infoescola.com/musica/musica-arabe/

sábado, 1 de agosto de 2015

Curiosidades: Tabla Solo ou Solo de Percussão

"A música e o ritmo encontram seu caminho pelos lugares secretos da alma." 
Platão

daff
1. História, origem e conceito
Desde os primórdios, a percussão sempre foi algo que fascinou o ser humano. Dados históricos revelam que o tambor foi um dos primeiros instrumentos musicais criados pelo homem. Assim surgem posteriormente os ritmos tribais que acabaram se tornando, muitas vezes, característica marcante de um povo ou nação.
Tabla é a palavra árabe para derbaque.
Destinado em sua totalidade para execução das danças árabes, o solo de tabla árabe possui alto grau de importância dentro da esfera do Oriente Médio. Existem solos específicos para ocasiões específicas. Obviamente, é praticamente impossível falarmos de percussão árabe sem mencionarmos a dança do ventre. Percussão e dança do ventre estão intrinsecamente ligados, e talvez, por isso temos visto algumas bailarinas que também são derbaquistas.
1.1. Percussão do Oriente Médio e diferenças da percussão árabe
É bastante comum vermos serem estabelecidas uma estrita ligação entre a expressão percussão do Oriente Médio e os instrumentos e a música percussiva do mundo árabe.
A percussão do Oriente Médio é uma expressão geral, de sentido lato. Tenta abranger em seu rol a percussão (ritmos e instrumentos) tocada no mundo árabe, bem como a de nações próximas, que não são consideradas árabes (nações do médio Oriente), como a Turquia, o Irã, o Kirquistão e Israel. Inclui-se também a percussão típica de países como o Cazaquistão, o Turcomenistão e o Uzbequistão, que readquiriram independência com o fim da União Soviética.
Podemos notar também que a expressão percussão do Oriente Médio apresenta algumas exclusões, pois não engloba países árabes como o Marrocos e a Líbia.
derbake
1.2. Escolas de percussão árabe
Há duas filosofias doutrinárias básicas de interpretação e de técnica rítmicas, ensinadas nas escolas árabes de percussão: a clássica egípcia e a sírio-libanesa. Como essas filosofias advêm de uma mesma fonte (são escolas irmãs), tentar traçar um quadro de semelhanças e diferenças é uma tarefa complexa.
São semelhantes porque estão ligadas à alma baladi. O ensino visa conhecer e interpretar os ritmos não somente com olhos ou ouvidos, mas também com o coração e com a alma despidos de qualquer formalidade.
As diferenças referem-se ao embasamento teórico para o uso de técnicas de percussão e para a respectiva interpretação das nuanças sonoras e à nomenclatura dos instrumentos percussivos.
Outras características:
Clássica Egípcia: uso de peles naturais; exigência maior das habilidades do músico no uso do sentimentalismo interpretativo.
Sírio-Libanesa: uso de peles artificiais; influência do modernismo.
1.3. Instrumentos
Compõem o rol de instrumentos da percussão do Oriente Médio: tar, riq, daff, tombak ou zarb, derbaque turco, tabla ou derbaque, doholah, doira, bendir, naqarat, hylsung, pandeiro e tamboura.
Quadro geral de instrumentos musicais:
Divisão por espécie
Cordas
Alaúde: considerado historicamente o pai do violão e avô da guitarra, possui som semelhante ao da voz humana.
Buzok: semelhante a balalaica russa.
Kamanja (violino): violino comum.
Kanun: espécie de harpa árabe tocada no colo ou em suporte, pode ser ancestral do piano.
Rabab: tocado com arco, possui som bastante cacterístico e inconfundível.
Sopro
Acordeon: o mesmo que sanfona.
Kernayta: semelhante à clarineta.
Mejwiz: duas flautas em bambú interligadas.
Nai: flauta semelhante a uma flauta doce.
doholah
Percussão
Atabaques e bateria: inseridos na percussão árabe moderna.
Bendir ou daff: pandeiro em diversas dimensões, não apresenta címbalos.
Bongôs: principal instrumento de ritmos caribenhos.
Derbaque ou tabla: principal instrumento da percussão árabe tradicional.
Derbaque turco: Não é um instrumento musical tipicamente árabe, apesar de ser considerado uma espécie de versão da tabla árabe.
Doholah: semelhante à tabla egípcia, porém com sonoridade grave.
Mazhar: semelhante ao riq, porém com sonoridade grave.
O mazhar egípcio tradicional tem címbalos metálicos grandes e pele de cabra. É comumente usado na execução do ritmo do camelo (ayub). O mazhar libanês tem uma versão modernizada sem címbalos. É inspirado no daff ou bendir egípcios, mas permite a utilização de peles mais sofisticadas, com melhor resposta para todo tipo de afinação.
Riq ou daff: pandeiro tenor com cinco címbalos duplos.
Snujs ou Sagat: conjunto de címbalos tocados em ambas as mãos.
Tabel ou tabla baladi: grande tambor utilizado geralmente em festivais. Marca as danças dabke e saidi folclórica.
Zarb ou tombak: instrumento de percussão iraniano feito tradicionalmente em corpo de madeira.

bendir
1.4. Confecção de instrumentos
Bem, sabemos que a percussão árabe se desenvolveu muito nos últimos tempos.
O Egito, por sua vez, sempre foi a maior referência em termos de percussão no mundo árabe. É muito comum percussionistas libaneses preferirem instrumentos confeccionados naquele país.
A tradição e a técnica milenar na confecção pesam em favor dos instrumentos egípcios.
Os instrumentos mais utilizados modernamente em shows são o derbaque (responsável pelo repique), o daff (mantém a ostentação e a força rítmicas), a doholah egípcia e o bendir ou mazhar libanês (que desenvolvem a base rítmica).
Para a execução de grandes solos de percussão entre tablas, a dupla formada pelo derbaque e a doholah deverá permanecer inalterada.
Os primeiros derbaques tocados no Brasil eram confeccionados pelo pioneiro Fuad Haidamus e seguiam o estilo marroquino, em corpo de cerâmica e pele de cabrito ou bode. Em meados de 1995, Haidamus encerrou a produção de derbaques tradicionais em cerâmica e pele de cabrito. Dessa forma, passou-se a utilizar derbaques em pele sintética ou artificial nos shows pelo país afora.
Tabla tradicional x tabla contemporânea
A versão tradicional de derbaque é feita em corpo de barro e utiliza em sua cobertura membrana animal (couro de peixe ou de cabrito). Sua fabricação se perpetua até os tempos atuais. A versão contemporânea – mais próxima a nós – foi criada em meados dos anos oitenta e é confeccionada em alumínio ou fibra e recoberta com pele artificial.
Conforme entendimento dos grandes mestres da percussão árabe mundial, as tablas modernas ou contemporâneas não substituíram as tablas tradicionais de cerâmica, mas tornaram-se uma alternativa para os músicos percussionistas, graças a sua sonoridade provida de méritos.
Esses mestres ainda preferem as versões tradicionais da tabla, porque o couro sabidamente valoriza e individualiza o toque dos dedos, tornando-os um pouco mais nítidos auditivamente. Essa valorização e individualização de tradicionalismo sonoro realçam os solos extremamente técnicos.
As tablas egípcias contemporâneas passaram a ser utilizadas nas orquestras e conjuntos árabes como melhor opção, uma vez que é bastante complicado manter a pele de uma tabla de cerâmica aquecida e esticada durante todo o tempo de um show.
Há também a questão da resistência ao modo de transporte em viagens. Um instrumento com corpo de cerâmica pode facilmente se quebrar, se não estiver bem protegido.
Fuad Haidamus utilizava pesados estojos em madeira maciça para transportar seus instrumentos em perfeita segurança.
tombak
1.5. Ahmed Hammouda e o solo de tabla árabe clássico.
Segundo a história da percussão árabe, o solo de tabla árabe ou derbaque foi criado e pela primeira vez apresentado no Egito pelo célebre percussionista Ahmed Hammouda.
O fato ocorreu durante uma das apresentações de Nagwa Fouad, a princesa do Cairo. Houve algo com a música e ela, então, continuou somente acompanhada por Ahmed. Isso deslumbrou a platéia. Acabara de surgir o solo de tabla.
Hammouda realizou o solo clássico de tabla árabe, incorporando ao ritmo maksum belos enfeites improvisados de sequências de taks, na contagem de 1 e 2, seguidos por paradas de um dum na contagem de 3 e um slap na contagem de 4.
Técnica única desenvolvida que consiste na combinação e encaixe precisos de ritmos folclóricos árabes, em geral, e egípcios, em especial, como a hagalla e o estilo oásis de ritmos beduínos.
Sua invenção, especialmente criada para a dança do ventre foi adotada pela maioria dos percussionistas árabes.
Ahmed Hammouda, trabalhou ao lado de grandes nomes da dança egípcia e é considerado o pai da percussão árabe moderna.
Cabe destacar que Mahmoud Hammouda, irmão de Ahmed Hammouda, foi mestre de Hossam Ramzy, apelidado de Sultan of swing (sultão do ritmo - uma alusão a sua ascendência da família dos pashas) e Embassador of the rithm (embaixador do ritmo). Hossam segue os passos desses mestres, criando novos ritmos musicais e compondo música para a dança do ventre.
tabla
1.6. O solo de tabla árabe no Brasil
No Brasil, a arte do solo de tabla ou derbaque surgiu há aproximadamente trinta anos.
Fuad Haidamus, nascido em 1920 no Líbano, iniciou seus estudos de percussão aos quinze anos de idade com Jamil Flewar, seu grande mestre libanês de derbaque. Radicou-se no Brasil, onde se tornou mestre e pioneiro da percussão árabe.
Inspirado em seu antigo mestre, em meados de 1970, apresentou o que chamou de solo de derbaque. Haidamus, utilizando o daff como instrumento-base, tocado muitas vezes pelo músico Emílio Bunduki, introduziu o estalo nas finalizações das frases rítmicas de maksum (4/4), ayub (2/4) e malfuf ou laff (4/4). Em outras ocasiões, apresentou o solo de tabla sem acompanhamento-base.
Ainda na década de setenta, o solo e o acompanhamento na tabla passaram a ser difundidos pela televisão brasileira por Haidamus, no extinto programa denominado Programa árabe na TV, veiculado pela Rede Gazeta de Televisão. Nesta mesma época, Haidamus e seu irmão, o mestre alaudista Jorge Haidamus, tocaram na novela O astro (1978), da Rede Globo de Televisão, despertando ainda mais o interesse dos brasileiros pela música e percussão árabes.
Fuad Haidamus também acompanhava especialmente as apresentações da notável e lendária bailarina Shahrazad Sharkey (cujo nome de batismo é Madeleine Iskandarian).
Dama e pioneira da dança do ventre no Brasil, Shahrazad passara a se apresentar com frequência no pequeno palco do extinto restaurante Bier Maza, em São Paulo, em 1979.
Curiosamente, São Paulo é o berço tanto da dança do ventre quanto da percussão árabe no Brasil.
Na década de oitenta, o solo de tabla ou de derbaque passou a ser um dos pontos-chave nas apresentações musicais ao vivo.
A repetição sistemática de repiques improvisados e combinados inseridos a uma curta frase rítmica, se tornou a grande característica dessa arte e é o estilo ideal para a prática da dança do ventre.
Aparentemente semelhantes, cada solo se apresenta como um novo desafio para quem dança. Quando trabalhado com precisão, o solo de tabla emociona a muitos sem exceção. Mostrando-se um peça de expressão artística constante e infinitamente renovada.

2. Construção do solo de tabla
A tabla árabe é um instrumento extremamente versátil em termos de sonoridade. Dessa forma com o derbaque é possível realizar inúmeros sons, enfeites e repiques de acordo com o desejo de cada percussionista.
É importante frisar que o solo de tabla pouco evoluiu desde sua criação.
O solo considerado clássico vem sendo muito repetido nos trabalhos de diversos percussionistas em todo o mundo. Ao analisá-lo, podemos observar uma prática bastante comum: o enfeite de duas frases rítmicas seguidas e, ao final, o estabelecimento de um corte ou aparada. Geralmente os ritmos-base mais usados são o baladi, o saidi, o maksum e o falahi.
Essa execução usual, porém, não é uma regra específica rígida para se construir um solo de percussão árabe. Entretanto podem ser elencados alguns elementos que permitem subsidiar uma boa construção tanto do ponto de vista do percussionista, quanto do da bailarina.
Segundo a opinião dos mestres de percussão árabe, o solo de tabla para dança do ventre deveria ser mantido em suas tradicionalidade e originalidade rítmicas, ou seja, no campo das variações rítmicas exclusivamente árabes. Para eles é um equívoco incluir um "samba" no solo, além de outros ritmos como a salsa, o merengue e os ritmos flamencos.
É evidente que a improvisação "infinitamente livre" deve ser realizada com um certo cuidado, respeitando-se a estrutura e os princípios da percussão árabe, mas é extremamente difícil evitar ou impedir a mesclagem de ritmos. Vários mestres da música árabe clássica, como Mohamad Abdul Wahab e Farid el Atrache, nos anos trinta e quarenta, já faziam essa mistura tanto na música para ouvir, quanto para dançar. Atualmente os grande mestres egípcios da percussão, Sayed Balaha e Hossam Ramzy, lançaram obras contendo pesquisas e estudos sobre ritmos brasileiros e latino-americanos.


Fonte:
http://www.webartigos.com/artigos/tabla-solo-ou-solo-de-percussao-parte-1/18669/#ixzz3fF8IZGuv
http://www.webartigos.com/artigos/tabla-solo-ou-solo-de-percussao-parte-2/19101/#ixzz3fUkLSQSj

sábado, 13 de setembro de 2014

Origem


Etimologicamente, o termo Dança do Ventre é a tradução do inglês americano Belly Dance, mas sendo conhecida também como “Racks El Sharqi”- literalmente “Dança do Leste”.
É considerada e aceita como uma dança cuja essência é de predominância egípcia, tendo tido passagem, segundo se acredita, pela Arte Religiosa do Antigo Egito. Existe uma grande possibilidade de ser esta dança, mais remota que os próprios faraós. E não há registros nos papiros sobre ser sua origem egípcia, como alguns ainda pensam.
Seu surgimento seria de mais ou menos 7000 anos atrás, relacionado aos cultos primitivos da Deusa-Mãe (recebendo os nomes de Gaia para os gregos; e personificada sob as formas de Nut, Isis e Hátor para os egípcios): tinha relação com o matriarcado e provavelmente por este motivo, os homens eram excluídos de seu cerimonial (Portinari, 1989).
Sabe-se que sob antigas formas de expressão, e diferentes dos movimentos atualmente executados, foi praticada no Antigo Egito, Babilônia, Síria, Suméria, Pérsia e Grécia Antiga, visando através dos cultos de louvor, o preparo de mulheres para se tornarem mães (Penna, 1997).
Assim sendo, teses existem que supõem seu surgimento até mesmo entre povos nômades da Arábia ou península do Sinai. Outros pesquisadores defendem que ela poderia ter surgido em diversos locais ao mesmo tempo, tendo sido levada a diversas partes do mundo antigo, pelos mais variados grupos de ciganos.
Atualmente é uma dança desenvolvida mais freqüentemente por solistas, sendo preparada em trabalhos sofisticadamente coreografados ou improvisados.
Os fatos históricos dizem que ela progrediu da esfera religiosa para uma forma de dança de entretenimento.
Seja como for, apesar da escassa documentação científica sobre sua origem, é possível tecer parâmetros de indicação que satisfaçam, temporariamente, a sede de conhecimento e o espírito de investigação de muitos que queiram desvendá-la.
Notemos, brevemente, que na linha do tempo, é possível organizar o pensamento analítico sobre os períodos históricos, e ajudar a montar o quebra-cabeça, tecer o fio que compõe a malha do contexto em que ela provavelmente surgiu.
Quanto mais o tempo passa, mais informações e hipóteses são traçadas sobre a História da Dança no Oriente – em nosso caso, sobre a Dança do Leste.

A dança é a mais antiga arte praticada pelo homem, antes mesmo de polir a pedra.
Se por probabilidade, a Dança do Ventre surgiu há 7000 anos atrás, ou seja, 5000 ª C. – Pré-História – isto significa que é uma dança primitiva, e que também pode ser enquadrada nas categorias de dança da Era Primitiva, podendo-se presumir que é uma Dança do Neolítico.
Relaciona-se muito a Dança do Ventre ao Egito. É o berço atual dela. Os egípcios foram uma civilização pré-histórica, e mesmo com a conquista árabe, deram sua contribuição para personificar a Dança do Ventre em sua cultura, que vem sendo preservada como relíquia histórica desde a mais remota Antiguidade. Ela sobreviveu a todas as manifestações contrárias à sua perpetuação.
Algumas informações associam a mesma à fertilidade e à maternidade. Acredita-se, assim como nos ritos de fertilidade, que no Antigo Egito tenha também assumido a forma do culto aos deuses.
Conforme se sabe atualmente, os árabes egípcios são os que mais a divulgam pelo mundo, num clima mais festivo e caracterizado à cultura árabe. Há mesmo a hipótese de que se roubassem essas mulheres (que eram as dançarinas sagradas dos templos) para dançar para os sultões. Sabe-se que na Índia, as dançarinas sagradas foram isoladas pelos conquistadores árabes, obrigando, com o tempo, a vulgarização de sua arte.
A Dança do Ventre, por ser milenar, foi muito influenciada por grupos étnicos do Oriente. Em diferentes regiões, lhe eram atribuídas interpretações que lhe acrescentavam significados regionais. Nasciam então, elementos etnográficos característicos como nomes diferentes, geralmente associados à região geográfica em que se encontrava, com trajes e acessórios modificados; elementos funcionais como regras sobre em quais ocasiões se deveria dançar determinados tipos de dança (celebrações, casamentos, etc); elementos musicais regionalizados, como melodias, instrumentos, ritmos; elementos cinesiológicos que se modificaram como os passos básicos, a posição do corpo e variações da dança, quais formações e improvisações que poderiam ser aplicadas. A quem quiser compreender melhor isso, é indicado um estudo sobre danças folclóricas.
Primordialmente, na época do matriarcado, esta dança tinha no corpo o local da expressão divina. Para os antigos povos, politeístas, A Deusa era multifacetada, de modo que se manifestava através das “faces da eternidade”, ou seja, mitologicamente. Como os deuses eram a personificação dos fenômenos naturais, uma vez que não se sabia como explicá-los, a relação com a Natureza era forte e (al) química.
O conhecimento oral nos informa que no Egito, passou dos templos para os palácios dos faraós, tendo provavelmente se popularizado entre as ruas e os mercados da época. As sacerdotisas da época ensinariam às mulheres do povo os movimentos ondulatórios da dança sagrada para facilitar o parto. Mas outras fontes contradizem aparentemente esta informação, quando afirmam que a Dança do Ventre chegou ao Egito através das Ghawazee, ciganas andarilhas originárias da Índia, sendo que anteriormente, o que existia eram as formas da dança religiosa, cujas inscrições nas paredes das antigas construções egípcias, falam de festividades em que se executavam movimentos acrobáticos. Mas é igualmente possível que num período anterior ao início do governo faraônico existissem ritos de fertilidade na região (este culto é confirmado pela história em quase todas as sociedades agrárias), que também estivessem ligados à realização de movimentos semelhantes aos da dança – o que pode nos levar à ideia de que alguns movimentos dela talvez já existissem e com a chegada as Ghawazee, eles teriam sido incorporados a uma nova forma, que se estruturou a partir dos novos dados e se regionalizou em diversas partes do país.
Diversos artistas e exploradores como o francês Louis Cassas, armazenaram uma série de descrições sobre o Egito e as dançarinas locais. Cassas foi um dos primeiros estrangeiros que chegou a desenhar as Ghawazee.
De acordo com as manifestações políticas e religiosas de épocas diversas, era reprimida ou cultuada, e, embora tenha alcançado grande prestígio no período faraônico, o Islamismo, o Cristianismo e conquistadores como Napoleão Bonaparte reprimiram a dança.
Quando Bonaparte invade o Egito, em maio de 1798, a situação se complica para as dançarinas, porém, com a evasão de muitas, o Ocidente acaba sendo beneficiado. “Uma grosseira e indecente expressão de intoxicação sensual”, é a descrição de um dos generais de Napoleão se referindo à Dança do Ventre, durante a ocupação francesa no Cairo.
Neste período, os invasores estrangeiros encontraram duas classes (as mais conhecidas) de dançarinas: haviam as Awalim (plural de Alma, Almeh ou Almah), que eram consideradas muito cultas e inteligentes para a época, apresentando-se somente para audiências femininas, cortesãs de luxo que faziam parte da elite dominante, e fugiram do Cairo assim que os estrangeiros chegaram; e as demais, que eram bailarinas populares, as Ghawazee (plural de Ghazeya), que também se prostituíam, e entretinham os soldados.
As Ghawazee começaram a ser consideradas como uma peste que contaminava a tudo e que podia ser encontrada em qualquer ponto da cidade. Na realidade, elas descobriram nos estrangeiros, clientes em potencial. Napoleão e seus generais, temendo que isso ultrapassasse os limites do normal, e atrapalhasse o descanso de seus soldados, proibiram-nas de se aproximarem das barracas do exército (Cenci, ____). Como muitas não respeitaram tais medidas, outras foram tomadas, e como conseqüência, quatrocentas Ghawazee foram decapitadas.
As Awalim eram instruídas – poetizas, instrumentistas, compositoras e cantoras, além de dominarem muito bem as técnicas de improvisação e regras de poesia – não quiseram nenhum tipo de negócio com os invasores.
Já em 1834, o governador Mohamed Ali, proibiu as performances femininas no Cairo, em razão de pressões religiosas que coibiram a manifestação das Ghawazee. Tal atitude atraiu uma série de imitadoras, e também e imitadores: isso mesmo, homens imitando as Ghawazee. Eram conhecidos como Khawals, vindos da Turquia, e embora causassem problemas devido ao fato de não serem mulheres de verdade (o público se irritava quando percebia que eram homens), suas apresentações eram bem mais humoradas e maliciosas do que as apresentações Ghawazee (Cenci, ____). Logo em 1866, a proibição havia sido suspensa e as Ghawazee retornaram ao Cairo, mas tinham que pagar uma taxa a um oficial do governo por suas apresentações.
Segundo Faiza Hassam (2000), em seu artigo para o jornal árabe eletrônico Ahram, acessado em 17/03/02, no endereço http://ahram.org.eg/2000/489/feat1htm, a dançarina Foufa El-Fransawi, que iniciou sua carreira na Reda Troupe, comenta que “os estrangeiros não entenderam o termo Almah, ele simplesmente significa professora e é usado para designar dançarinas mais velhas que treinam e gerenciam as carreiras das dançarinas mais jovens, primeiro por uma gratificação, e depois por uma comissão quando elas obtém contratos.” Ela também informa que as dançarinas do passado vêm das classes baixas da sociedade. Isso significa que as mais instruídas ensinavam as menos instruídas e acrescenta “as meninas tradicionalmente não são ensinadas a ler e escrever, e compor poesias, então as dançarinas aprenderam entre si mesmas, a acompanhar suas danças com simples instrumentos” – assim como as canções e lamentos improvisados conhecidos por mawwal, passados de geração a geração, que as crianças aprendem em casa. Ela diz: “Se os estrangeiros falavam a língua imperfeitamente, como eles poderiam saber se, se tratava de uma improvisação ou de uma canção folclórica cujas palavras eram lembradas pela população nativa?” Isso mostra a confusão que os viajantes estrangeiros faziam sobre as terminologias referentes à cultura, e a ignorância deles sobre termos utilizados na época para designar os vários tipos de dançarinas – o que significa que os termos por nós conhecidos podem não ser os mais adequados.
Faiza Hassam informa que em 1882, no início da ocupação britânica, já havia clubes noturnos completos, com teatros, restaurantes e music halls, oferecendo os mais diversos tipos de entretenimento. Neste período, a rua que levava o nome de Mohamed Ali, ironicamente, se tornou notória pelas suas atividades artísticas.
O cinema egípcio começa a ser rodado em 1920, e tem como cenário estes night clubs, com cenas de música e dança. Hollywood exerceu grande influência com a fantasia ocidental sobre o Oriente, incentivando algumas mudanças de costumes nas dançarinas árabes.
Mas esta é uma história resumida.

Fonte:
http://artigos.com/artigos/artes-e-literatura/danca-do-ventre:-definicao-historica-e-origem-%11-i-parte-839/artigo/
http://artigos.com/artigos/artes-e-literatura/danca-do-ventre:-definicao-historica-e-origem-%11-ii-parte-856/artigo/