sábado, 27 de fevereiro de 2016

Acessórios: Véu Poi

É preciso ter muita agilidade e coordenação para se apresentar com o pói. Esta invenção foi incorporada à dança do ventre mais ou menos na mesma época do véu fan, sendo utilizado estritamente em palcos, principalmente porque exige espaço.
Um véu de seda preso com fio de naylon em uma bolinha de peso encapada com o mesmo tecido do véu. Quando a bailarina gira o acessório, o efeito é uma verdadeira ilusão, como se o véu estivesse se movimentando sozinho. O truque está no peso da bolinha, que conduz o movimento do tecido puxado pelo fio transparente.
Originalmente, é um elemento da cultura Maori, da Nova Zelândia, e é usado de forma artística, como exercício ou simplesmente como um hobby, em especial pelas mulheres. Nesta cultura, a palavra “poi” pode remeter tanto à coreografia, ao objeto ou ao acompanhamento musical.
led poi
O segredo aqui é nunca deixar o véu parado. Por isso, a preparação física é fundamental para literalmente colocar o véu para girar. Como exige velocidade, é mais comum vê-lo em apresentações modernas. Quando usados em dupla, você pode desenvolver movimentos em posições contrárias, por exemplo, girando um deles para um lado e o outro na direção oposta, ocupando o plano horizontal ou vertical.
véu poi
Outro movimento muito usado é cruzar o véu acima da cabeça, com as mãos posicionadas bem rente. O efeito é de uma “borboleta”. Outras formas geométricas e desenhos também podem ser feitos.
Na dança do ventre o pói é formado por um véu, mas há outras versões que utilizam o pói de luz ou de fogo (imagem), como é comum em apresentações de tribal.

 



Fonte:
https://cadernosdedanca.wordpress.com/2010/09/15/veu-poi/

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Acessórios: Véu Ribbon

Este estilo de dança, de origem chinesa, tem aparecido com mais frequência em vídeos de fusão com dança do ventre. Algumas bailarinas as chamam de véu ribbon, que significa fita em inglês. Na China, ela é conhecida como Cai Dai Wu Dao.
A origem desta dança na cultura chinesa está associada à lenda de Hsiang Po. Certo dia, um homem que tentou matar o imperador. Hsiang Po salvou sua vida ao bloquear o golpe de espada com sua manga. O povo da Dinastia Han inventou, então, uma dança para lembrar de Hsiang Po com gratidão, mostrando sua honra e respeito por ele. Nesta dança, os bailarinos seguram fitas curtas, que simbolizamas mangas de Hsiang Po.
As fitas longas e coloridas foram acrescentadas durante a Dinastia Tang. Ao acrescentarem a vareta às fitas, os bailarinos passaram a criar desenhos que, segundo sua cultura, lembram o movimento dos dragões ou arco-íris. Hoje, dois tipos de fitas parecem estar sendo usadas: no primeiro, a fita é contínua e muito longa, passando por detrás do pescoço da bailarina. As varetas ficam disfarçadas no meio do tecido. O segundo tipo é semelhante às fitas usadas pela GRD. As fitas de seda são presas às varetas.
O efeito das fitas é lindo e chama muita atenção no palco. Muitos são semelhantes aos movimentos das fitas na GRD, o que me faz pensar se este estilo também não foi inspirado na cultura chinesa. No entanto, é bom que algo fique claro: o que chama a atenção são os desenhos das fitas. 
Os movimentos das bailarinas ficam em segundo plano.  As bailarinas chinesas, por exemplo, ou não costumam fazer grandes movimentos, além daqueles necessários para formar o desenho ou optam por saltos e movimentos que lembram as lutas orientais ou mesmo malabarismos. Outra escolha que fazem é demonstrar seu excelente equilíbrio. Mas, todas as vezes que elas querem enfatizar uma pose ou um passo, elas simplesmente largam ou seguram as fitas ou as deixam imóveis.
No caso da dança árabe feminina, usar as fitas requer uma escolha, de maneira semelhante à que ocorre com os leques de seda. Ou se mostra os movimentos das fitas, ou se mostra os movimentos do corpo. Devido ao fato de que os desenhos chamam muita atenção, movimentos de quadril ou tremidos acabam por não serem vistos pelo público. Portanto, eu não diria que é o tipo de performance a ser feita quando se quer mostrar habilidade técnica (exceto pela técnica das fitas em si, claro).
Abaixo seguem dois vídeos com a versão  de dança árabe feminina.
 


Fonte:
http://grupoamaryllis.blogspot.com.br/2011/11/veu-ribbon-ou-danca-das-fitas.html

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Acessórios: Fan Veil

Leque de seda para a dança do ventre, além de mais um elemento, é a marca de uma fusão com a dança tradicional oriental.  Não se tem uma definição de onde começou a dança que conhecemos por Fan Veil, ou véu leque, mas há um indício de que sua origem tenha sido na dança oriental coreana e japonesa, Buchaechum (coreana) e a Odori (japonesa).
  
A dança com o véu leque seria uma combinação da dança oriental com a dança do leque coreana Buchaechum (fan dance). Sendo que foi adaptado um véu de seda pura ao leque para dar ênfase aos movimentos.
O fan véu começou a aparecer na dança do ventre por volta de 2003. Época em que vários grupos de dança chinesa começaram a se apresentar com frequência nos E.U.A, e  pode ter influenciado as praticantes da dança do ventre a fazerem essa fusão.
A fusão permite criar algo novo e diferente, como performances mais arrojadas na dança do ventre. Acredita-se que foi assim que os movimentos da dança oriental se fundiram muito bem com os movimentos da dança do ventre.
A beleza encantadora dele, o efeito que proporciona quando movimentado com destreza e graciosidade é um ponto alto no show.
A dança com os fans (leques) é uma oportunidade para aqueles que querem experimentar a fusão dos movimentos da dança do ventre, com ritmo coreano ou japonês. Quando bem trabalhados, ficam maravilhosos!
O uso do Leque de Seda faz parte da dança moderna e portanto não há necessidade de se utilizar música árabe, pelo contrário, trilha sonora de filmes, melodias líricas e composições para piano são ideais para esse estilo. 
O treino com o leque exige da bailarina expressividade de braços, boa postura e elegância de movimentos. Os movimentos devem ser suaves e sem pressa em executá-los. Usar da força não fará os movimentos interessantes, pelo contrário, o tecido perderá linha de movimento. Lembre-se do sentido orignal desta dança: o movimento líquido da barbatana de um peixe. Se você seguir essa inspiração conquistará flexibilidade e fluência necessários para o estilo.
 


Fonte:
http://manoelajacome.blogspot.com.br/2011/05/fan-veil-ou-veu-leque.html
http://dvcursoonline.blogspot.com.br/2015/01/danca-do-ventre-online-17-leque-de-seda.html

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Acessórios: Véu Wings

Infelizmente, não há muita pesquisa a respeito da origem deste véu na dança do ventre. Alguns dizem que é uma adaptação das imagens e rituais da Deusa Ísis, sendo que ela teria se transformado em uma ave para cantar suas lamentações. Outros falam que foram as americanas que introduziram este acessório em formato de asa para chamar a atenção do público.
Pode até ser que a religião tem algo a ver com isso, mas será que alguma egípcia deixaria de usa-lo por respeito ao islamismo? Hum... não sei.
Em em alguns países ele nem é ensinado, talvez a verdadeira criadora do estilo seja mesmo Loie Fuller. Se a técnica é originalmente americana, isso significa que veio de lá e as americanas, como sempre, devem ter puxado a ideia para a dança do ventre e associado a deusa.

Independente das especulações, muitas bailarinas, famosas ou não, usam o véu wings em suas apresentações. Ele também é chamado de véu borboleta e asas de anjo (Isis Wings, Alas de angeles…) por causa do formato em asas e pode ter várias cores e feito em diversos tecidos.
No início, eram plissados e de uma cor só, mas hoje costumam ser coloridos, fruta cor e até de seda. Pode até ter só um lado da asa. Na hora de escolher, vai personalidade de cada bailarina. Existe um tamanho padrão de 3 metros para cada asa e uma altura de 1,50 m, mas você pode ir em ateliês e fazer um sob medida.
Eram muito caros quando ficaram famosos, mas hoje estão com o preço mais conta em razão da quantidade de pessoas que produzem esses véus. Existem dois modelos básicos: egípcio e argentino. O primeiro possui um velcro que você prende no pescoço, limitando o uso do véu como borboleta.
O argentino não tem isso, é uma faixa mais comprida, e assim é possível brincar com o véu de diversas maneiras: você pode colocá-lo no pescoço, cintura e fazer todos os movimentos que costuma realizar com um véu normal como helicóptero, asa de anjo, leque…além de outros tipos de giros.
Dançar com o véu wings parece fácil, mas engana-se quem pensa assim. Você precisa ter domínio dos movimentos, por isso, não fique achando que este ornamento vai esconder a sua dança. Sem contar que uma ótima postura e força nos braços são fundamentais para que os passos saiam bem executados ao mesmo tempo que leves.
Geralmente, as bailarinas escolhem músicas modernas, com batidas fortes e usam o véu como entrada de um show. Para quem gosta de algo mais clássico, dá para dançar uma música mais lenta, basta manter o tom de mistério. Mas na maioria das vezes ele é usado em entradas para chocar o público e passar a impressão de que a bailarina voa pelo palco.
A argentina Angeles criou uma coreografia para lá de moderna na qual ela não larga o véu de jeito nenhum. É uma dança que exalta este acessório, a flexibilidade e a habilidade da bailarina.
 
Fonte:
http://ventreemebulicao.blogspot.com.br/2010/08/origem-do-veu-wings.html
https://cadernosdedanca.wordpress.com/2010/08/25/veu-wings/

sábado, 12 de dezembro de 2015

O mito de Ísis & Osíris

Já que, reza a lenda, a dança do ventre nasceu nos templos dedicados a deusa Ísis... resolvi presentear a todos os leitores com sua lenda.
Foi uma das principais crenças religiosas egípcias e fazia parte dos ritos funerários. Nenhuma cópia completa do mito egípcio de Ísis e Osíris existe, mas a melhor versão antiga vem de Plutarco, um sacerdote grego de Delfos, que escreveu “De Iside Et Osiride” por volta de 100 d.C. Os dois principais deuses, Ísis e Osíris, foram irmãos, marido e mulher.
Ísis e Osíris eram irmãos gêmeos, que mantinham relações sexuais ainda no ventre da mãe e desta união nasceu o Hórus-mais-velho. No Egito, nesta época, era hábito entre os faraós e as divindades a celebração de núpcias entre irmãos, para não contaminar o sangue.
Osíris trouxe a civilização para o Egito através da introdução da agricultura, da criação de gado e a feitura do vinho, formulou leis e instruiu como honrar seus deuses para os primeiros habitantes do Nilo. Ísis ensinou para o povo a arte da tecelagem. Osíris queria também levar a agricultura e a pecuária para povos vizinhos e encarregou Ísis de vigiar o povo do Egito; e partiu para uma viagem por todo o país, educando o povo e encantando-o com sua persuasão e razão, com a música, e "toda a arte que as mesas oferecem".
Enquanto ele estava longe sua esposa Ísis governou, e tudo correu bem, mas tão logo ele retornou, Seth o recebe muito bem, já pensando em deixar de ser a sombra de seu irmão Osíris. Enquanto conversa com seu irmão, Seth vai tirando as medidas de Osíris que vão servir para a armadilha que ele pretende fazer. Com as medidas em mãos, Seth então manda construir uma caixa bonita de madeira com as mesmas medidas de Osíris. Logo em seguida, Osíris é convidado para um banquete organizado por Seth como parte de seu plano em assassinar o deus. Chegada a hora, Seth pede que lhe tragam a caixa feita especialmente para Osíris e anuncia que a pessoa que conseguir ficar dentro dela, a receberá como presente. Os capangas de Seth entram um a um na caixa a fim de enganar Osíris, até que chega a vez do próprio  experimentar a caixa. Osíris então deita nela e nesse instante os cúmplices de Seth, pulam sobre a tampa e trancam Osíris. A caixa é então jogada no rio Nilo. Ele boiou para longe e alcançou o mar pela "passagem que é conhecida por um nome abominável".
Este evento ocorreu no décimo sétimo dia de Hator, isto é, novembro, no décimo oitavo ano de reinado de Osíris. Ele viveu e reinou por um ciclo de vinte e oito períodos ou dias, porque ele era a lua, cujo ciclo completa-se a cada vinte e oito dias.
Seth conseguiu o almejado e assumiu o trono que era de Osíris, não satisfeito ele ainda sai em perseguição aos amigos do deus. Para escapar de Seth; Thoth, Anúbis e os outros deuses transformam-se em animais. Ísis não consegue parar de chorar com o destino de Osíris, mas como os outros ela também precisava achar um local seguro para se proteger. Ísis carregava consigo o filho de Osíris; Hórus. Depois de fugir de Seth e de enfrentar todos os tipos de males mandado por ele para capturá-la, Ísis continua sua caminhada para encontrar um lugar em que possa dar a luz ao seu filho. Depois de encontrado o lugar, Ísis vai atrás do corpo de Osíris, mas antes confia a guarda de Hórus para a deusa-cobra Wadjet. A tarefa de Ísis não parece ser nada fácil, já que ela não tinha pistas sobre o paradeiro do corpo de Osíris.
Ondas fortes jogaram a caixa com o corpo de Osíris às margens de Biblos na Fenícia (atual Líbano) e ela ficou encostada numa árvore que com o passar do tempo cobriu toda a caixa com galhos e folhas. O rei de Biblos chamado Malacander precisava de algumas árvores grandes para a construção de seu palácio e acabou cortando a árvore que estava a caixa com o corpo de Osíris para tal função. Enquanto procurava Osíris, Ísis teve uma visão que lhe mostrou onde estava a caixa com o corpo de seu marido. Ao saber que o corpo de Osíris estava em um pilar no palácio, Ísis trata rapidamente de fazer amizade com as servas da rainha. A rainha tinha tido um filho recém nascido e Ísis pediu para vê-lo e se tornou babá da criança. Em um dia quando Ísis realizava alguns rituais para transformar o pequeno em um ser imortal, a rainha vai até o quarto e vê a cena horrorizada, gritando alto, que faz o encanto de Ísis se quebrar.
O rei e a rainha (acredita-se que fossem Malec e Astarté, ou Istar) ficaram espantados com a situação, mas puderam perceber que a pessoa que eles abrigaram em seu palácio era uma deusa. Com o intuito de agradar Ísis, o rei concedeu a ela um pedido. Ísis sem pensar duas vezes pediu ao rei que lhe desse o tronco de árvore esculpido agora em formato de um grande pilar. Com o pilar em mãos, Ísis volta ao Egito para realizar um funeral digno a Osíris e esconde a caixa com o corpo em meio a vegetação do Nilo. Mas antes passa no local em que tinha deixado Hórus para revê-lo. Ao voltar para as margens do Nilo, Ísis recebe a notícia de que os ajudantes de Seth teriam localizado a caixa com o corpo de Osíris e levado até Seth, que enfurecido cortou-o em quatorze pedaços e espalhou em diversos pontos do Delta.
Ísis não se conforma e chora muito por Osíris, entretanto ela não desiste e sai em busca dos pedaços do deus e encontra todos exceto um (o falo) que foi devorado por peixes no Nilo. Então fez uma imagem desta parte e "consagrou o falo, em honra do qual os egípcios ainda hoje conservam uma festa chamada de ”Faloforia“, que significa carregar o falo.
Com os pedaços reunidos, Ísis é ajudada por Néftis que começam a fazer vários rituais e pedidos para que Osíris volte a vida. Anúbis aparece para ajudar. Ele tem o poder de não deixar o corpo apodrecer e após juntar os pedaços de Osíris, ele o embalsama. Ísis e Néftis se transformam em uma grande ave e começam a bater suas asas em cima da múmia de Osíris e finalmente ele abre o olho. Osíris volta a vida e se torna o senhor do submundo (reino dos mortos).
Ísis concebeu por meio dessa imagem e gerou uma criança, o Hórus-mais-jovem. Osíris surgiu do submundo e apareceu para o Hórus-mais-velho. Treinou-o então para vingar-se de Seth. A luta foi longa, mas finalmente Hórus trouxe Seth amarrado para sua mãe.
Desse mito, podemos concluir de onde vem os sarcófagos que os egípcios usavam para seus enterros e principalmente a importância que davam para o corpo estar em perfeitas condições, já que o morto usaria o mesmo corpo para a vida pós-morte. Por isso o processo de mumificação era considerado um ritual sagrado e que assegurava junto com outras etapas a certeza de uma outra vida.
Este é o resumo do mito.

Fonte:
http://flavyr.blogspot.com.br/2012/02/deusa-isis.html
http://antigoegito.org/mito-de-osiris-e-isis/

sábado, 5 de dezembro de 2015

Presente: Bellydance Superstars

A maioria do povo árabe é de origem muçulmana; então, o Natal não é comemorado. Mas como somos ocidentais e festeiros... nas nossas escolas costumamos fazer apresentações de dança do ventre e além da confraternização de comes, bebes e danças... podemos até fazer amigo oculto.
Se você ainda não tem ideia de como é uma dança-show... começo esse mês natalino com um presente para vocês, as apresentações do grupo de dança-show estadunidense: Bellydance Superstars!




sábado, 21 de novembro de 2015

Taqsim Baladi (continuação: Zeinab)

Você nunca verá um grupo coreografando um improviso Baladi, simplesmente não se faz, embora no “SHARQI” haja diversas coreografias de grupos e na verdade, quando o “RAQS SHARQI” começou, usava-se muito a presença de bailarinas de fundo. Então, o que é Baladi?
Venha comigo para um passeio pelas ruazinhas do Cairo. Não exatamente pela rua Mohammed Ali, o local onde viviam e vivem diversos músicos, dançarinas e outros artistas desde o final do século passado, isto é muito óbvio; vamos para Haret Zeinhom, no distrito El Sayeda Zeinab do Cairo. Mas... Quem vive ali? Pessoas que se mudaram para a cidade algumas centenas de anos atrás, ou ainda antes disso. Estas pessoas vieram de outras cidades do Egito como El Mahalla, El Kobra, Alexandria, Luxor, Aswan, Asyout, Quena, Banha, Damanhour, Domiat, Sohag... ou qualquer outra. OK... Por quê? Para conseguir melhores empregos ou comercializar seus produtos.
Agora, estas pessoas são muito especiais, elas não são como o povo da cidade, entretanto, algumas são muito bem educadas e continuam educando suas crianças. Muitos deles são agora doutores, arquitetos, advogados, militares, diretores de grandes companhias ou ainda estão trabalhando no Governo. E mesmo se tornando parte da cidade grande, eles ainda sentem muito orgulho de suas raízes e portanto ainda são muito ligados a elas, e é isso o que eles sempre irão chamar de “CASA”, a cidade ou vilarejo de onde vieram. Eles dizem que um dia ainda irão retornar a “EL BALADI”, ou seja, meu lugar, minha terra natal.
Em árabe, “BALADI” significa meu país, minha terra natal. Mas para o “sofisticado” povo da cidade (uma das definições do dicionário para Sofisticado é irreal, falso) significa algo que cresce do chão, ou seu país, ou caipiras ou mesmo roupas de gosto duvidoso. Eles dizem “Ohh lala, isto é Baladi”. OK. Vamos agora observar a vida deste povo Baladi, e vamos prestar atenção em uma jovem moça imaginária e estudar seu dia a dia, o que se espera dela, o que ela espera da vida, suas ligações com o mundo. Vamos chamá-la......Zeinab.
A família de Zeinab não é rica, eles moram em uma área pobre, em Haret Zeinhom. Seu pai trabalha em uma fábrica e ganha muito pouco, apenas o suficiente para sustentar a família, composta por sua mãe, outras irmãs mais novas e dois irmãos, que têm 25 e 23 anos. Ela é a terceira criança e tem 18 anos, completamente crescida e madura e poderia quebrar seu coração com um sorriso ou um olhar de seus belos olhos. Com seu longo cabelo negro e uma face semelhante à da lua cheia sorrindo para você de alto a baixo, você verá que o respeito das tradições familiares não apenas foram plantados nela mas também floresceram juntamente com seus irmãos protetores, que são muito temerosos, COMO TODOS AQUELES QUE ESTÃO LENDO ESTE TEXTO, cada um com seu próprio grau de reputação, honra e respeito. Isto é TUDO o que o povo BALADI tem, e é TUDO com o que eles se preocupam: SE RESPEITAR E SER RESPEITADO POR TODOS OS OUTROS.

Agora você poderia lançar-me um olhar de censura e dizer que os irmãos, ou os homens controlam a garota, etc... etc... mas antes que você faça isso, por favor pergunte-me esta questão vital:

P) Quem ou o que são as mulheres para um homem egípcio/árabe?
R)Uma mulher para um homem egípcio pode ser: Mãe, irmã, filha, tia, avó, prima, noiva, esposa ou empregada doméstica. Bem, um egípcio não poderá NUNCA dizer não para nenhuma destas damas. Elas controlam completamente sua vida. Aquilo que ele come, aquilo que ele veste, o local onde ele irá dormir, que emprego “ELAS” terão orgulho que ele assuma, e ELAS ESCOLHEM PARA ELE A MULHER COM QUEM ELE IRÁ SE CASAR.
Conheço diversos desastres causados por algum pobre homem que se casou com uma garota que não era a escolhida pelas mulheres da família. Virou um inferno na terra. Acredite em mim, meu irmão fez isso 30 anos atrás, e vive apenas para consertar seu erro. Porém, as senhoras têm suas próprias leis morais de conduta e o que elas consideram ser uma boa mulher ou uma não tão boa. Ela deve ter qualidades e hábitos que as demais aprovem. Veja bem, ela será a porta e um agente especial para o marido, para convencê-lo, à sua maneira, a fazer o que as outras mulheres querem que ele faça.
Eu não estou aqui para julgar nada nem ninguém, eu estou apenas fascinado pela maneira como este jogo de xadrez é jogado. É um jogo da vida, e as mulheres egípcias o jogam apaixonadamente, até o fim.

Lembro-me de quando eu era um jovem no Cairo, eu tinha um grande amigo que também era baterista chamado Tareq, nós dois éramos muito “SOFISTICADOS” (ooops), provenientes de famílias de classe alta. Minha família era Pashas e estava na indústria do cinema e também havia mercadores muito ricos de ouro e diamantes do Khan el Khalili. Um dia, Tareq e eu estávamos em El Hossein, e andávamos atrás de uma moça.
Esta moça Baladi devia ter cerca de 28 anos de idade, e nós tínhamos cerca de 16 ou 17. Ela vestia uma longa Galabeya (túnica) que estava bem folgada, mas onde o Melaya (um lenço muuuuito comprido) estava amarrado, podíamos ver a maravilhosa forma de “Coca Cola” (Tamanho padrão) (brincadeirinha) de seu corpo. Havia uma certa parte de sua traseira que se movia independentemente, como dois gatinhos brincando em um saco, ... Então, ritmicamente, Tareq e eu começamos a cantar um Maqsoum para seu andar: Dom Tak Trrrrak Dom Retitak ... e após algumas barras de compasso nós não aguentamos mais e começamos a rir. Mas eu nunca esqueci aquele dia. Ela andava como se não houvesse nenhuma outra mulher para se olhar neste abençoado planeta além dela. Até onde ela sabia, ela ERA. Orgulhosa, forte, agradável e muito respeitável, e cheia de força feminina. Imagine que esta era Zeinab. Agora, a irmã mais nova de Zeinab, Souaad, está se casando, e este é provavelmente o dia mais feliz da vida de Zeinab, mais feliz ainda que a noite de seu próprio casamento. Para ela, agora o dever de sua família foi cumprido, e seu pai e sua mãe podem começar a ter um pouco de vida para si mesmos também. Não pense que ela não irá dançar nesta noite, pode apostar que sim. E em PÚBLICO também. Como ela irá fazer isso sem quebrar as tradições de nunca expor uma grande porção de sua feminilidade em público de modo a não envergonhar seu esposo, que deve ser respeitado e deve dar a idéia de um “LEÃO” da família, se não de toda a vizinhança, de modo que ele possa ficar quieto e continuar a fazer o que está fazendo, ir trabalhar todos os dias e trazer o dinheiro para a casa, para dar a ela? Ela terá que dançar bem devagar, conquistando seu espaço pouco a pouco.... Um pequeno taqsim ou um Oud, ou como se faz recentemente, um acordeom ou um saxofone ou mesmo um teclado, é uma boa maneira de começar. Ela terá que dançar em um único ponto, com pequenos e contidos movimentos, muito contida mas cheia de sentimento pela música, e expressando a música.
Se a música faz uma nota longa, ela ondula com esta nota como os brotos de bambu ao longo das margens do Nilo, ondulando com a força da brisa. Mas se a música tem pequenos sons acelerados, ou mesmo tremidos, ela faz o shimmie acompanhando. O bambu também é chamado de Oud, de onde vem o nome da introdução do Taqsim assim como também é usado para o instrumento Oud. É por isso que também é chamado de AWWADY. Esta parte é como um Mawwal (canto livre, nostálgico e não-rítmico) de um instrumento.
Mas veja bem, a platéia quer ver toda a dança de Zeinab. Então, quando o gelo começa a ser quebrado, o ritmo é introduzido pouco a pouco novamente. Como isto é feito? O Taqsim dissolve-se e volta à sua escala de abertura (a escala musical volta ao início) então os instrumentalistas fazem um jogo de pergunta e resposta com os percussionistas. Tanto as perguntas quanto as respostas cabem em uma barra do ritmo na mesma velocidade como se e quando elas continuassem, os músicos tocassem juntos, mas em um estilo de pergunta e resposta. A melodia toca em 2 e 3 – então a percussão toca em 4 e 1, POR QUATRO TEMPOS ou por oito tempos, brincando alegremente e incitando Zeinab a dançar com mais e mais ritmo, até que eles sentem que tudo está bem no que se refere especialmente ao Querido (Hubby)... o LEÃO de todos os LEÕES, e então eles iniciam um ritmo Maqsoum contínuo. Esta parte de perguntas e respostas é chamada Me-Attaa. Significa quebrar pequenos pedacinhos da música e do ritmo.
Uma vez que o ritmo esteja estabelecido, e agora Zeinab está dançando, mais ainda de forma conservadora mas com um pouco mais da sensualidade que lhe é reservada e um toque feminino pessoal. Mas, como então os músicos percebem que tudo está bem, após um pouco mais de tempo eles iniciam um tipo diferente de perguntas e respostas – Me-Attaa. É um pouco mais veloz e indica uma possibilidade da chegada de um ritmo ainda mais rápido.
Então eles entram em um Maqsoum acelerado. Neste momento, Zeinab está livre de todas as inibições e, que diabos, é o casamento de sua própria irmã, e ela sabe que está provocando seu marido que fica totalmente frustrado, silencioso e atado loucamente como se nada estivesse acontecendo... Mas ela também conhece a doçura da corda com a qual está atando-o a seus pequenos e delicados dedos... então chega a hora do ÚNICO PASSO DE DANÇA QUE É VERDADEIRO E TRADICIONAL, CONHECIDO POR TODAS AS MULHERES EGÍPCIAS, O BALANÇO DOS QUADRIS (por favor observe o artigo de Hossam na Habibi Magazine, está bem explicado ali). E o casamento se incendeia em um fogo bem-aventurado. Nesta parte, os músicos tocam uma canção saudosa do folclore egípcio, o som dos Mizmar... Isto soa como acentos em 2 e 4:
4/4
1
2
3
4
|
1
2
3
4
Tiit
Toot
Teet
Teit
E assim por diante. Esta parte da música é chamada TET.
Isto pode prosseguir por algum tempo, mas enfim teremos que voltar para o mundo das PESSOAS BALADI, não é? Isso quer dizer voltar para as raízes, o lado caipira, as fazendas e vida no campo, o estilo Fallahy de viver, então voltamos a um outro Me-Atta, mas estas perguntas e respostas diminuem gradualmente de modo que você pode PUXAR o ritmo FALLAHY para um rápido Maqsoum (Puxar, em egípcio, é Magrour) o que é, em essência, o ritmo Fallahy.
Neste ponto, elas normalmente fazem a Andada Egípcia (para os ocidentais, Andada com Shimmy). O TET também pode ser tocado com o Fallahy.
E então chega, agora você já viu tudo, e vamos encarar, o querido está sorrindo tanto e fingindo que ele não está com nenhum ciúme. Como os músicos são os culpados por as coisas terem chegado neste ponto enlouquecido de dança e música (na mente de Zeinab e nas justificativas para seu marido), eles devem acalmar as coisas gradualmente ou as pessoas ficarão muito enlouquecidas se eles pararem de repente, então eles diminuem mais e mais e mais a música até voltar para o Taqsim Awwady original, e um final gentil. É assim que uma mulher BALADI dança o Baladi.

Isto tem sido incorporado e repetido em palcos em quase todas as casas noturnas por causa da necessidade de haver variedade nos programas destas casas. Você pode se perguntar o que, então, é dançado nos CABARÉS. Basicamente, é o RAQS SHARQI. Nas casas noturnas eles fazem um pouco de introdução SOFISTICADA na música, e se dança usando uma roupa de duas peças, como uma mulher Baladi jamais seria vista usando, pois é uma coisa SHARQI. [Muitas pessoas confundem chamando aquilo de roupa estilo clássico, mas não é. Esta é uma ideia relativamente nova que chegou por meio das casas noturnas, e é governada pelas leis do quanto mais pode ser exposto e mostrado pelas assim chamadas “dançarinas de Raqs Sharqi”, que se tivessem chance naquela época, teriam mostrado ainda muito mais do que você pode imaginar] então elas saem do palco para trocar esta roupa pela peça única chamada THOUB (vestido, o que as moças Baladi usam) para fazer um número Baladi ou de algum outro folclore, e então outro Baladi ou Saaidi, e então Baladi, tudo leva ao Baladi. Então o solo de percussão e a saída.
Verifique qualquer gravação de música Baladi, de qualquer músico ou em qualquer CD ou vídeo e veja como isto realmente se aplica, mas agora você sabe a razão do porquê eles inventarem isso e como ficou assim.
Se você me perguntar quem é a melhor dançarina de Baladi em todo o Egito hoje, a resposta é simplesmente LUCY. Antes era a Senhora Nagwa Fouad, e a frase, El Baladi Youkal, é uma coisa que os vendedores ambulantes gritam para vender suas próprias produções, e significa que Baladi é ótimo... e assim também é ZEINAB. Palmas para Zeinab.

Com muito ritmo
Hossam Ramzy.

Fonte:
http://www.hossamramzy.com/portuguese/dance/dance_zeinab1.htm
http://www.hossamramzy.com/portuguese/dance/dance_zeinab2.htm
http://www.hossamramzy.com/portuguese/dance/dance_zeinab3.htm