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sábado, 5 de março de 2016

Melea Laff

O Melea Laff (também encontrado como Meleya Laff, Mileya Laff, Melaya Laff ou Melea Laf) é um estilo de dança oriundo do Egito, mais especificamente a dança caricatural das mulheres de Alexandria visando atrair os marinheiros no porto (É difícil acreditar que mulheres "liberais" dançavam provocantemente no mercado, pois para chegar a tamanha ousadia por lá só sendo realmente prostitutas! Ainda assim encontramos na internet muita gente reforçando que a dança nada tem de prostituição, o que no final podemos até "quebrar um galho" quando pensamos no Egito com a dominação britânica, extremamente europeizado de antigamente...), surgido na década de 20 do séc. XX. 
Saiba também que Escandarani ou Escandrani, quer dizer Alexandria, e também se usa esse nome para se referir a Meleah Laff.
É um estilo de dança nascido no Egito, que interpreta o estilo das mulheres Bint El Baladi que viviam nessa região e queriam chamar a atenção dos marinheiros no porto ou dos rapazes na cidade.
Mas o Meleah não é uma dança executada nas ruas, e sim uma adaptação da realidade, para os palcos, feitas pelo grande coreógrafo egípcio Mahmoud Redá.
Portanto muitas coisas foram “inventadas” ou “aumentadas” da realidade, para ficar mais bonito nos palcos.
Há dois tipos distintos dessa dança:
* do Cairo - As palavras chave são rio e deserto.
Cairo, uma cidade moderna e agitada, das mulheres mais liberais, que freqüentam o mercado de Khan El Khalili. O Meleah do Cairo é mais engraçado, despojado, uma vez que a mulher é mais debochada, exagerada nos seus gestos. Interpreta-se uma mulher simples e brejeira.
Nos filmes árabes antigos essa mulher sempre aparece solteira e em busca de um marido, rodeada de amigas, gosta de sair, ir às compras e flertar com os rapazes. Usa muitas jóias, brincos, pulseiras e anéis. 
Nesse caso as músicas que podem ser usadas para esse tipo de coreografia incluem pop árabe de Hakim, Amro Diab e outros.
Os ritmos mais usados são acelerados, fallahi ou malfouf. Muitas vezes aparece um said no meio, é bom ficar atenta.
Alguns documentos afirmam que essa dança é característica precisamente da região de Ghouria, próxima ao Cairo.
* da Alexandria - As palavras chave são vento e mar.
Na década de 40, Alexandria era a capital do veraneio, invadida por turistas ávidos por suas praias e balneários.  Nessa época o meleah estava na moda e fazia parte do vestuário das mulheres, mas o clima quente obrigava-as a usarem um vestido leve por baixo daquele pano grosso.
Ao montar sua coreografia de Meleah Laff, é extremamente importante observar a personalidade dessas mulheres. 
As moças de Alexandria eram conhecidas e admiradas por sua beleza, charme e força. Eram independentes e costumavam andar sozinhas. Dessa forma, o Meleah da Alexandria é mais discreto, e o lenço é trabalhado com esmero.
As músicas para esse número normalmente apresentam uma parte especial para a apresentação masculina.
Normalmente essa dança interpreta a ligação das pessoas com o mar. A mulher da Alexandria é retratada como aquela que vive à espera do marinheiro dos seus sonhos, que está sempre no mar trabalhando. Por isso é retratada na maioria das vezes sozinha.
As músicas do Meleah da Alexandria falam de amor, do mar, da pesca, do cotidiano. 
Algumas palavras chaves que você pode tentar detectar nessas músicas: 
- Escandarani (Alexandria)
- Galabia (vestido)
- Buró ( chador)
- Meleah

Música
Umas das formas de distinguir uma música certa para este estilo, por exemplo, é identificar o nome desta cidade na sua letra (Iscandaria = اسكندريه), visto que os ritmos que podem o compor são bem comuns nas músicas árabes, como o baladi (sempre presente), e também o malfuf que o marca bastante, também usado em outros estilos, como o Hagalla e o Dabke.

Indumentária
A bailarina ostenta em seu figurino este lenço, com o qual realiza os movimentos que caracterizam a dança: ela o gira, o prende junto ao corpo realçando suas curvas, o transpassa entre as pernas, tudo é um jogo da sedução. 
O figurino é bastante característico, e é composto por:
- vestido curto (na altura dos joelhos), de babados, podem ser preto ou coloridos de cor lisa ou estampados (floridos), mas sem brilho.
Conforme materiais de estudo encontrados, se for da Alexandria, você usa o tal vestido curto de babados, agora se for do Cairo, é para usar uma galabia! 
- chador/ borrka/ buro:  para cobrir o rosto, que nada mais é que um lenço tricotado, com amplos buracos, que ao invés de cobrir totalmente, acrescenta mistério ao rosto, esse acessório pode ser tirado ou colocado para trás da cabeça durante a apresentação. 
Nota-se que hoje em dia no Cairo, muitas bailarinas ao apresentarem o meleah já não usam mais o chador. 
- tiara enfeitada com flores ou pompons, na cabeça;
- lenço na cabeça; 
- o tradicional véu do meleah, que deve ser grande, pesado e sem transparência. Pode ser ornado com medalhinhas ou pastilhas nas pontas, dourado ou prata, para dar mais brilho. De corte arredondado ou quadradão mesmo e sempre na cor preta
- tamancos (opcionais), não devem ser muito altos para não atrapalhar a dança, me parece que os tamancos ficam melhor com o figurino do meleah do Cairo, o vestidinho curto de babados, na minha opinião, fica melhor descalço.

Como dançar
O nome Melea Laff significa "lenço enrolado", denominando este estilo como "dança do lenço enrolado". Esse véu ou xale era sempre preto e pesado, escondia o corpo, mas acaba sendo revelador porque as moças o amarravam bem apertado ao corpo, evidenciando suas curvas.
Ao iniciar a performance, o meleah deve estar com uma ponta presa embaixo do braço, passando por baixo dos seios, e a outra ponta cobre a cabeça ou só os ombros e é segurada pela outra mão. 
Num vídeo muito antigo da Fifi Abdou, ela mesma aparece enrolada no meleah, mas só passando por cima do ombro esquerdo, e não por cima da cabeça.
De acordo com a bailarina Roxxanne, o braço esquerdo sempre tem que estar coberto pelo meleah, pois o lado esquerdo, no Egito, é reservado para “atos higiênicos” é é uma ofensa oferecê-lo a alguém.
A bailarina traz esse lenço enrolado em seu corpo, e com ele faz os movimentos característicos:
girar o lenço no ar, rodar as pontas do lenço alternadamente ou simultaneamente, amarrar no quadril, prender junto ao corpo realçando as curvas, transpassar entre as pernas, ou até mesmo jogá-lo de lado, num jogo de sedução.
Lembre-se que é uma dança folclórica bem brejeira, portanto seus pés ficam inteiramente no chão e abandonam a ½ ponta alta clássica da dança do ventre. 
Os movimentos de quadril também são pesados, ainda que saltitantes e graciosos.
Não deve haver muita preocupação com técnica, e sim com a interpretação correta da sua personagem.
À bailarina, nesse contexto, também é permitido mascar chicletes, fumar arguile, fazer gracinhas, aproximando-se do público, cantar, falar alto, entrar de sapato e tirar no meio da dança de forma despojada. A bailarina fala, gesticula muito, balança os seios e a cabeça. Quando falamos de Meleah Laff, isso tudo pode, faz parte.
A dança Meleah Laff é 50% dança e 50% interpretação cênica. Para dançar Melea Laff é necessário parecer alegre, afinal você está "seduzindo" um marinheiro charmosíssimo que acabou de chegar no porto, ui ui ui! É preciso ser provocante, sorrir, ter entusiasmo na dança. Como nela se interpreta um estereótipo, temos um estilo carregado de gestos, olhares, posicionamentos que dizem mais do que a dança em si: encarna-se aquela mulher livre, que está se divertindo ao chamar a atenção, que paquera, que cativa com sua aparência impetuosa. Melea sem interpretação não é Melea de fato, à primeira vista ele parece não ter mistério, mas envolve aquele quê a mais que qualquer bailarina deveria ter. Não tem jeito, para dançar Melea Laff tem que arrasar!
Fifi adorava interpretar a Meleah em suas apresentações, porque lembrava uma época agradável da história do Egito, quando a economia estava em alta e as mulheres viviam com uma liberdade diferente dos tempos atuais. 
Podem ver no vídeo que cito no final do texto, onde a Fifi Abdou aparece dançando meleah, de galabia dourada.
Aqui embaixo fica o vídeo da Suheil para se ter uma ideia da interpretação e da dança do Melea Laff (eu não seria muito objetiva se ficasse falando: são dois passinhos pra cá, chuta assim, olha assado, o negócio é ver!!!). Para quem está pensando em dançar este estilo, prepare-se!!


Fonte:
http://www.dancadoventrebrasil.com/2009/05/estilos-melea-laff.html
http://www.shainanur.com.br/#!meleah-laff/c215h

sábado, 22 de novembro de 2014

Om Kalsoum

Tradução em português
Você é a minha vida (enta omri)
Seus olhos me levam de volta aos meus dias que passaram
Eles me ensinam sobre arrependimento e suas feridas
O que eu vi antes de os meus olhos verem você foi uma perda
Como meus olhos poderiam considerar isto parte da minha vida?
Você é minha vida Com sua luz, a aurora da minha vida começou
Com sua luz, a aurora da minha vida começou

Umm Kulthum (em árabe: أم كلثوم, nascida فاطمة إبراهيم السيد البلتاجي , Fatima Ibrahim as-Sayyid al-Biltaji; árabe egípcio: Om Kalsoum; grafias incluem Om Koultoum, Om Kalthoum, Oumme Kalsoum e Umm Kolthoum; 4 de Maio de 1904 - 3 de Fevereiro de 1975) foi uma cantora, compositora e atriz egípcia. Nascida na aldeia Tamay ez Zahayra, pertencente a El Senbellawein (província de Dakahlia, na região do Delta, perto do Mar Mediterrâneo, numa família pobre), é conhecida como a Estrela do Oriente ou Estrela do Este (kawkab el-sharq). Mais de três décadas após sua morte, ainda é reconhecida como uma das cantoras mais famosas e ilustres da história da música árabe do século XX.1 Umm Kulthum também atuou esporadicamente no cinema.
famosíssimo lenço, "companheiro" de todos os shows
Sua data de nascimento não é confirmada como o registo de nascimento e não é considerada em todo o mundo árabe. O Ministério da Informação do Egito parece ter considerado ou 31 de dezembro de 1898 ou 31 de dezembro de 1904. Provavelmente ela nasceu entre essas duas datas. O seu pai, al-Shaykh Ibrahim al-Sayyid al-Baltajil, era um imã local que chamava os crentes à oração e recitava o Alcorão em ocasiões festivas, como casamentos ou os Maulids (celebrações das datas de nascimento de figuras do islão, como do profeta Muhammad). A mãe de Umm Kulthum, Fatmah al-Maliji, era doméstica. Umm Kulthum tinha mais irmãos e viviam em uma pequena casa de tijolos.
Em tenra idade, ela mostrou excepcional talento para cantar. Seu pai, um imame, ensinou-lhe a recitar o Alcorão e ela disse ter memorizado o livro inteiro. Quando tinha 12 anos, seu pai a disfarçou como um menino e ela entrou em uma pequena companhia de artistas de recitação que ele dirigia. Aos 16 anos, chamou a atenção de Abol Ela Mohamed, um cantor modestamente famoso, que lhe ensinou o velho repertório clássico. Poucos anos depois, ela conheceu o famoso compositor e tocador de oud Zakariyya Ahmad, que a convidou para vir ao Cairo. Embora tenha feito várias visitas ao Cairo no início de 1920, ela esperou até 1923 até se mudar permanentemente para lá. Foi convidada em várias ocasiões para a casa de Amin Beh Al Mahdy, que lhe ensinou a tocar o oud (alaúde). Desenvolveu uma relação muito estreita com Rawheya Al Mahdi, filha de Amin, e se tornou sua melhor amiga. Kulthum inclusive compareceu ao casamento da filha de Rawheya, embora sempre tentasse evitar aparições públicas.
Em meados de 1920, Oum fez sua primeira apresentação no Cairo, mas elas ficaram mais frequentes e a família precisou mudar-se para lá. A família se mudou para o Cairo no ano de 1923. Oito anos depois, cantava em teatros e casas de espetáculos músicas compostas especialmente para ela.
Durante sua carreira, passou por diversas fases, ora inspiradas pelos músicos e compositores que conhecia, ora pela situação sócio-política do Egito. Nos anos 1930, cantava letras de amor e tinha um programa no rádio nas noites de quinta-feira. Em 1935, estreou no cinema e fez cinco filmes como cantora e um como atriz. A década de 40 ficou conhecida como “A era de ouro de Oum Kalthoum” e marcada com set lists de músicas que elogiava as classes trabalhadoras. Quem morava no Egito ouvia comumente: “quer aprender árabe, então ouça Oum Kalthoum” ou “ela ensina poesia para as massas.” Nos anos 1950 e 1960 priorizou as músicas nacionais e de compositores e letristas novos, como Muhammad ‘Abd AL-Wahhab e Riyad El-Sombati. Com a expansão as redes de televisão, Oum ficou ainda mais conhecida.
Na cidade do Cairo, Umm Kulthum e a sua família foram vistos como antiquados e campônios. Numa tentativa de aperfeiçoar o talento da filha, o pai contratou vários professores de música. Dado que na época não era bem vistas as carreira artísticas, o pai de Kulthum continuou a acompanhá-la, embora em finais da década de vinte Umm Kulthum tenha-se tornado uma mulher independente, que escolhia os compositores com os quais trabalhava.
Amin Al Mahdi apresentou-a ao meio cultural no Cairo. Na capital, evitou cuidadosamente sucumbir às atrações do estilo de vida boêmio e de fato por toda a sua vida destacou seu orgulho de suas origens humildes e a adoção de valores conservadores. Também manteve uma imagem pública bem gerida, que sem dúvida contribuiu para o seu fascínio.
Neste ponto da sua carreira, foi apresentada ao famoso poeta Ahmed Rami, que lhe ensinou poesia e literatura árabe, Rami também escreveu 137 canções para ela. Rami também a introduziu na literatura francesa, que ele admirava desde seus estudos na Sorbonne, Paris, e mais tarde se tornou seu principal mentor na literatura árabe e análise literária. Além disso, foi apresentada ao renomado compositor e grande conhecedor de oud, Mohamed El Qasabgi. El Qasabgi introduziu Umm Kulthum ao Palácio do Teatro Árabe, onde ela iria experimentar seu primeiro grande sucesso público. Em 1932, sua fama aumentou a tal ponto que deu início uma grande turnê pelo Oriente Médio, excursionando em cidades como Damasco, Bagdá, Beirute e Trípoli.
A consolidação de Umm Kulthum como a mais famosa e popular cantora árabe foi impulsionada por vários fatores. Durante os anos iniciais de sua carreira, enfrentou a concorrência leal de dois cantores de destaque: Mounira El-Mahdiya e Fathiyya Ahmad, que tinham vozes igualmente belas e poderosas. No entanto, Mounira tinha pouco controle sobre sua voz e a Fathiyya faltava o impacto emotivo vocal que a voz de Umm Kulthum tinha. A presença de todas essas habilidades vocais que a caracterizavam atraíram os mais famosos compositores, músicos e letristas para trabalhar com Umm Kulthum. Em meados da década de 1920, Mohammad el Qasabgi, que era o tocador de oud de maior técnica e um dos mais talentosos compositores árabes do século XX ainda subestimados, formou sua pequena orquestra (takht), composta pelos instrumentistas da mais alta técnica. O trabalho de Mohammad el Qasabgi se caracterizava pela introdução na música egípcia de instrumentos musicais da Europa, como o violoncelo. Além disso, ao contrário da maioria dos artistas que lhe eram contemporâneos, que realizavam concertos privados, as performances de Umm Kulthum eram abertas ao público em geral, o que contribuiu para a sua transição da música clássica e muitas vezes elitista para a música popular árabe. Em 1934, Umm Kulthum devia ser a cantora mais famosa do Egito para ser escolhida como a artista a inaugurar a Rádio Cairo com sua voz em 31 de maio. Durante a segunda metade da década de 1930, duas iniciativas que iriam selar o destino de Umm Kulthum como a mais popular e famosa cantora árabe: suas aparições em musicais e a transmissão ao vivo de seus shows realizados na primeira quinta-feira de cada mês, nessa época as família se reuniam para ouvir várias horas da música de Umm Kulthum.
Na década de trinta Umm Kulthum começou a gravar discos e em 1935 ocorreu a sua estreia no mundo do cinema, com a longa-metragem Wedad. Este foi o primeiro de seis filmes que contaram com a participação da artista. As canções interpretadas pela artista eram de natureza religiosa e popular. Em 1937 estrelou no filme Nashid al-Amal, fez presença no filme Nashid al-Amal, também fez parte do elenco do filme Dananir que foi lançado em 1940, dois anos após fez parte do filme Aydah, o penúltimo filme ao qual participou, Salamah, foi lançado em 1945, seu último filme se chamou Fatmah e foi lançado em 1947.
Sua influência foi crescendo e expandindo para além da cena artística: a família real reinante teria pedido concertos privados e até mesmo assistir suas apresentações públicas. Em 1944, o rei Farouk I do Egito condecorou-a com o seu mais alto nível de ordem (Nishan el Kamal), uma condecoração reservada exclusivamente aos membros da família real e aos políticos. Apesar deste reconhecimento, a família real foi duramente contra seu potencial casamento com o tio do rei, uma rejeição que feriu profundamente seu orgulho e levou-a a afastar-se da família real e abraçar causas populares, tais como a sua resposta ao pedido de grande quantidade de egípcios presos em Falujah em 1948 durante o conflito árabe-israelense para cantar uma música em particular. Entre os militares presos estavam figuras que liderariam a revolução sem derramamento de sangue de 23 de julho de 1952, com destaque para Gamal Abdel Nasser, que era um grande fã de Umm Kulthum e que mais tarde se tornaria o presidente do Egito.
Uma particularidade dela é que ela gostava de observar a plateia antes de entrar no espetáculo, pois assim decidia como faria a interpretação naquela noite, como se o público a inspirasse, passando energias. Suas apresentações também tinham outra peculiaridade: em geral, eram escolhidas apenas duas ou três músicas que podiam durar até quatro horas. Oum foi realmente uma grande diva e recebeu centenas de músicas escritas especialmente para ela por compositores e letristas como Ahmad Rami.
Características:
– Flexibilidade vocal e pronúncia perfeita;
– Tocava instrumentos e tinha noções de composição;
– Explorava macams e macamats;
– Contralto, tinha uma voz tão potente que precisava cantar longe dos microfones para não estourar o som.

A saúde de Umm Kulthum começou a deteriorar-se a partir de 1971. Em Março problemas com a vesícula biliar levaram ao cancelamento de espectáculos. Meses depois, uma infecção no fígado levou igualmente ao cancelamento dos espectáculos marcados para Março e Abril de 1972. O último concerto de Umm Kulthum foi em Dezembro de 1972.
Nos anos de 1973 e 1974 a cantora visitou vários países da Europa e os Estados Unidos da América com o objectivo de procurar tratamento para os seus problemas no fígado.
Em Janeiro de 1975 agravaram-se as suas complicações no fígado e cantora seria hospitalizada no Cairo, contra a sua vontade. Umm Kulthum faleceu a 3 de Fevereiro de 1975, vítima de um ataque cardíaco. O funeral foi marcado para a mesquita Umar Makram no Cairo, local conhecido por nele decorrerem os funerais de altas personalidades egípcias. Contudo, o funeral teve que ser adiado dois dias, devido à chegada ao Egipto de numerosos fãs da cantora vindos do mundo árabe, apesar deste adiamento ir contra as práticas funerárias muçulmanas que recomendam o enterramento o mais rapidamente possível.
Mesmo com sua morte, sua voz e sua imagem icônica no palco, segurando um lenço na mão, continua sendo um dos grandes símbolos da cultura árabe moderna.

Fonte:
http://www.vagalume.com.br/oum-kalthoum/inta-aomri-traducao.html#ixzz3R2BENLLX
http://pt.wikipedia.org/wiki/Umm_Kulthum
https://cadernosdedanca.wordpress.com/2011/02/24/oum-kalthoum/

sábado, 15 de novembro de 2014

A Era do Ouro - Samia Gamal

ZEINAB KHALIL, uma jovem garota do interior, mudou-se para o Cairo no início dos anos 40 e apareceu subitamente na cena artística das casas noturnas. Seu primeiro aparecimento foi na famosa casa de Badeia Masabny, onde se apresentaram diversas das hoje conhecidas como estrelas da dança, cinema e teatro, atores, atrizes e cantores. Badeia recebeu a jovem e percebeu seu potencial, e levou-a a um professor de dança muito proeminente na época chamado Jacque, que treinou-a nas artes de ballet, jazz, sapateado, dança moderna e, claro, ajudou a modelar e desenvolver seu estilo próprio de Baladi egípcio. Isto capacitou a jovem Zeinab Khalil a juntar-se à trupe de dançarinas de Badeia como uma das coristas que ficavam em volta da rainha do show na época, Badeia. Então Badeia notou-a ainda mais como uma das dançarinas de sua trupe que executava todas as coreografias perfeitamente e conduzia as outras dançarinas durante os ensaios e nas apresentações, e deu a ela uma posição na linha de frente, bem como um nome artístico, “SAMYA GAMAL”.
Durante aquele período do início da carreira de Samya no Badeia Masabny Club, havia uma outra jovem dançarina que chegara um tempinho antes dela e estava à sua frente enquanto apresentavam-se ao público em números solo, bem como estava ganhando sua própria fama e admiração pelos frequentadores do clube. Seu nome era Taheyya Carioca. Pouco tempo depois, Badeia deu à jovem Samya seu número solo no show, e ela também, assim como Taheyya, devia cantar e dançar em sketches com monólogos, e às vezes apresentar-se com os comediantes que requisitavam uma boa dançarina para apoiá-los em seu show. Uma grande amizade foi se construindo entre Taheyya e Samya, e eu apresento a você 2 fotografias extremamente raras que demonstram seus sentimentos unidos e sua amizade até os últimos dias de Samya, que chegaram um pouco antes dos de Taheyya.
Durante seu trabalho na casa noturna de Badeia, Samya também construiu uma forte amizade e apreço por um jovem cantor estrangeiro vindo do Líbano, que ainda não havia sido reconhecido por Badeia ou pelo público. Seu nome era Farid Al Atrash. A oportunidade apareceu e Farid ganhou seus números solos cantando no clube, e foi se tornando mais e mais admirado por suas composições e sua voz única. Uma história de amor que ecoava e ainda ecoa até hoje aconteceu entre Samya e Farid. Foi sua primeira e mais importante história de amor, e mudou sua vida completamente (por favor, veja também o artigo sobre Farid Al Atrash).
Samya continuou sua carreira artística com sua excelente dança egípcia e junto de seu trabalho na casa noturna, ela fazia apenas algumas apresentações privadas e muito profissionais em casamentos e festas, mas nunca em outras casas noturnas.
A primeira chance de Samya atuar chegou um pouco antes de sua colega Taheyya e foi em um filme feito pelo diretor Farid El Gendy. O filme foi chamado “Min Fat Adimo” (O homem sem passado nem futuro). Entretanto, este filme amargou uma morte horrível e foi um fracasso de bilheteria. Mas não foi por culpa de nenhuma das pessoas que trabalharam no filme. Era um filme político sobre um membro do parlamento particularmente terrível e corrupto, que nunca estava no escritório na época em que o filme foi feito. Mas, alas, no momento em que o filme ficou pronto, ele havia se tornado primeiro ministro.
Desnecessário dizer que o filme sofreu cortes enormes do departamento de censura, que transformou-o em um punhado de cenas sem seqüências nem relações umas com as outras, deixando-o incompreensível. A pior parte foi que ele foi lançado nos cinemas, o que fez com que todos os atores e pessoas que haviam trabalhado no filme parecessem muito idiotas. Isto colocou Samya fora do circuito de filmes por alguns anos, até que ela recebeu papéis de apoio em alguns filmes de menor nível, e brilhou apesar disso. Mas durante todo este tempo, dançar era seu principal amor e o centro de sua vida, e ela procurava e era encontrada pelos maiores compositores e organizadores que queriam fazer músicas para ela, bem como coreógrafos de sucesso para trabalhar em suas danças e também por estilistas e costureiros da época. Ela até excursionou pelo Líbano e Síria, e foi muito bem recebida por lá, tornando-se uma dançarina de renome. Sua história de amor com Farid, que também estreara no cinema, foi crescendo durante este tempo, mas enquanto cantava e atuava em filmes de outros produtores e diretores, era impossível para ele conseguir contracenar com sua amada nestes filmes. Seu primeiro filme foi chamado “Entisar El Shabab” (A vitória dos jovens), no qual ele contracenou com Raweyya Khaled, e o segundo filme foi “Ahlam El Shabab” (Sonhos dos jovens), no qual ele atuou com a lendária atriz Madiha Yousry, e um terceiro filme chamado “Gamal We Dalal” (Beleza e timidez), no qual ele apareceu com a dançarina Beiba Ezz Eddin, embora ela fosse a namorada do produtor do filme.
Quando Farid decidiu produzir seus próprios filmes, ele jamais poderia sonhar em produzi-los sem a menina de seus olhos, Samya. O filme foi chamado “Habib El Omr” (Amor de minha vida). E o sucesso derramou-se sobre os dois amantes como uma avalanche de incrível boa sorte.
Quanto mais seu amor e relacionamento fortalecia-se e o fogo entre eles queimava em chamas poderosas, mais isto atraía os olhos das pessoas e admiradores, bem como dos invejosos. Para ser exato, Samya tinha um admirador muito rico que estava tentando insistentemente atrair sua atenção, enchendo-a de presentes, jóias, dinheiros e propriedades na tentativa de afastá-la de Farid e obtê-la para si. Porém, Samya foi muito clara e direta com ele, e disse que seu coração estava fechado e a chave da fechadura morava no bolso de Farid. Mas seu admirador não desistiu e tentou de todas as formas possíveis, ele até produziu um filme cuja história era sobre uma mulher que era amante um artista e virou objeto do amor de um outro colega artista, e a história acabava dizendo que o amor do homem era falso e queria apenas desfrutar dela, enquanto havia um outro “verdadeiro” admirador que estava próximo dela e banhava-a com seu amor e presentes, e ela não reciprocava este amor, e quando seu amado deixou-a e abandonou-a, ninguém ficou com ela exceto este outro que a amava, perdoando-a e amando-a ainda mais forte e profundamente, mesmo embora ela como artista houvesse alcançado o estágio mais decadente como o sol ao pôr-do-sol. O filme era chamado “Al Ghoroub” (O pôr-do-sol).
Claro que Samya sabia o que ele queria dizer com este filme, e ela compreendeu suas intenções com esta ação, mas ainda assim ela aceitou o papel principal no filme e apresentou uma de suas melhores coreografias enquanto continuava com sua cara e afetuosa relação como o amor de sua vida, Farid. O filme foi completado e a estréia foi em uma noite em que todos os principais artistas e a equipe de produção podiam vir, e também um grande grupo do “quem é quem” no cinema e mundo das artes pôde comparecer. Esta era a noite que seu produtor-admirador aguardava como ocasião especial para presenteá-la com um contrato para três novos filmes, e um cheque com um adiantamento por cada um dos três filmes, sem esquecer de seu amor imortal e uma proposta de casamento. Este tipo de evento poderia terminar em uma grande festa e um enorme jantar que seria lembrado por todos. Entretanto, Samya não compareceu àquela estréia ou à festa e passou a noite com seu amado Farid, enquanto ambos riam de seu rival.
Tudo aquilo havia aumentado muito seu amor e sua proximidade carinhosa, até que chegou o momento que Samya pediu a Farid para se casar com ela e coroar sua relação e seu amor com a coisa mais honesta a se fazer, entretanto ele jogou uma bomba que explodiu não só seu coração, mas todos os seus sonhos e esperanças, e matou uma certa fagulha no vasto acervo de emoções que ela sentia por ele e pelas quais ela o amava tanto. Farid disse que ele vinha de uma família real das montanhas Druz, e seria uma vergonha imperdoável para seu povo, que poderia na verdade condená-lo à morte ou repudiá-lo se ele aceitasse se casar com uma dançarina/atriz. Samya teria preferido ser atropelada por um trem desgovernado naquele momento, e preferia morrer ao invés de ter que ouvir aquilo. Ela fechou suas portas e tornou-se uma reclusa que não quis ver mais ninguém por muito tempo, mas as ofertas de trabalho continuavam chegando e sendo recusadas até que ofereceram a ela uma proposta de trabalhar como dançarina em algumas casas noturnas na Europa, que ela aceitou e viu como algo que ajudaria a esqueçer seu choque trágico e suas memórias que queimavam o coração. Ela também aceitou a oferta de um filme oferecida por um estúdio importante de um cantor libanês chamado Mohamed Mar-ie, que não se tornou muito grande no meio artístico exceto por uma música chamada “La Ya Helow La” (Não, minha bela, não).
Quando Samya voltou ao Cairo e trabalhou em alguns dos clubes locais, ela conheceu um cavalheiro americano chamado Jack King, um proprietário de fazendas que caiu loucamente de amor por ela e queria casar-se com ela e levá-la para os Estados Unidos. Samya sentiu que não havia razão para não se casar e partir viajando novamente. Jack King anunciou sua conversão ao islamismo e foi batizado Abdullah King, e eles se casaram e logo partiram para os Estados Unidos. Samya manteve contato com todas as suas amigas no Cairo e se passou apenas um ano até que ela pedisse o divórcio e voltasse ao Egito para continuar sua carreira artística.
Alguns meses depois, Samya conheceu Roshdy Abaza, um grande ator egípcio, que era um homem extremamente atraente e era a estrela da tela, e ele quebrou todos os corações das jovens moças do Egito ao casar-se com Samya. Eles dois viveram alegremente juntos, criando sua filha até que a garota se casasse e Samya se aposentasse do mundo das apresentações artísticas.
Em 19// Samya realizou um curto retorno no mundo da dança e foi muito bem recebida, e celebrada com o re-lançamento ao estrelato com uma festa privada que foi oferecida a ela pelo grande compositor do Egito Mohammed Abdel Wahab, que havia anteriormente composto peças musicais especialmente para serem dançadas por ela. Este retorno artístico durou apenas um curto período de tempo, após o qual ela aposentou-se permanentemente e viveu sozinha até seu último dia em / /19//.
Durante a incrível e excitante vida artística de Samya Gamal, a dançarina, houve uma grande mudança na moda da dança que devemos fazer uma pequena parada para observar. Samya foi a primeira dançarina a dançar descalça. Comumente, TODAS as dançarinas dançavam de sapatos, até que uma noite Samya estava apresentando um show e durante seu envolvimento com o calor da música, do ritmo e da coreografia complexa, um de seus sapatos escorregou, ou quebrou, e ela rapidamente arrancou o outro e dançou descalça, o que foi o maior motivo de admiração e aplausos pela platéia que respeitou sua bravura e coragem de dançar descalça. É dito que na noite seguinte, todas as dançarinas de todas as casas noturnas no Cairo estavam dançando sem sapatos, como se dançar descalça fosse uma moda inventada por Samya Gamal.
E já que estamos contando este tipo de história, eis aqui outra para você: Esta história envolve o Rei Farouk, o último rei do Egito antes da revolução de 1952, e Samya Gamal. Há rumores de que ela é inventada, mas isso NÃO é verdade. Como em todos os banquetes reais, particularmente quando havia convidados estrangeiros, uma dança deveria ser apresentada e tida como o ponto alto do entretenimento da noite. Samya era uma das dançarinas que eram convidadas mais e mais e mais e mais vezes a ponto de isto tornar-se um motivo de dúvidas para algumas pessoas de mentes doentias, particularmente àquelas que eram muito interessadas em manchar a reputação do rei e mudar a opinião que o público tinha dele como mulherengo, que ele havia nomeado Samya “A Dançarina Oficial do Egito”. Entretanto, várias fontes confiáveis no mundo artístico, que eram muito próximas a Samya, confirmavam mais e mais que Samya nunca esteve envolvida com o rei e que o homem que poderia tê-la chamado pelo nome para dançar em seus banquetes nunca passou de um admirador de uma das mais proeminentes artistas de seu país.

Fonte:
http://www.hossamramzy.com/portuguese/stars/starsofegypt_samya.htm

sábado, 8 de novembro de 2014

A Era do Ouro - Nagwa Fouad

Ela era a filha única, nascida em uma pobre família egípcia. AWATEF MOHAMMED EL AGAMY, depois conhecida como NAGWA FOUAD mudou-se para o Cairo após perceber seu potencial, amor e habilidade na dança egípcia através de suas apresentações para sua família e em casamentos locais e encontros sociais, que a fizeram pensar seriamente em se profissionalizar. Então, ela veio para o Cairo e começou a trabalhar em algumas pequenas casas noturnas, onde atraiu muita atenção para si através de sua interpretação musical perfeita, seu corpo magro, sua excelente performance, suas qualidades rítmicas únicas e um sentimento romântico pela dança que tinha efeito magnético sobre todas as suas audiências.
Nagwa treinou através das mãos de várias dançarinas aposentadas e treinadores e coreógrafos contemporâneos, bem como valeu-se de seu sexto sentido para escolher os maiores músicos clássicos para compor sua banda. Ela treinava não apenas dança e música egípcia, mas também se concentrava em aprender dança e música ocidental clássica e contemporânea, como ballet, jazz e sapateado, o que proporcionou-lhe um enorme arquivo de referências para criar conforme sua carreira desenvolvia-se durante os anos 50, 60, 70, 80, 90 e agora durante a primeira década do séc. XXI, pelo que somos todos orgulhosos.
Esta incrível dançarina é, no momento em que escrevemos este artigo, a única dançarina estrela de cinema remanescente da década de 50 e ela foi agraciada com o título e a coroa que a fazem constar na série de vídeo “STARS OR EGYPT” como uma das damas históricas que fizeram da dança egípcia tudo aquilo que ela é hoje em dia.
A habilidade que Nagwa Fouad tem de manter-se saudável e flexível é devida ao seu amor pela dança e pelos esportes. Seus esportes favoritos são tênis, exercícios aeróbicos e natação, e caminhar, o que ela tem feito cuidadosamente para manter sua forma e beleza durante toda a vida.
Sua primeira aparição no mundo do cinema foi no filme “Sharei El Hob” (A Rua do Amor), estrelado por um magnífico corpo de estrelas, atores e atrizes, e por cantores como Hessein Reyad, o avô dos atores egípcios, Abdel Salam El Naboulsy, Zeinat Sedqy e claro, estrelando Abdel Halim Hafiz com a clássica canção “Olulu” (Diga a Ela) (Esta música está disponível no CD de Hossam Ramzy “Best Of Abdel Halim Hafiz” EUCD 1195). A história deste sucesso cinematográfico é sobre um jovem artista nascido em uma família pobre da Rua Mohammed Ali, onde vivem todos os músicos do Cairo, cujo pai era um pobre músico da Hasaballa Band, e aqui incluo um pedaço da história musical egípcia para você.
O estilo musical de Hasaballa veio de um músico chamado Hasaballa, um ex-músico de banda militar que formou uma banda com seus velhos amigos aposentados do exército, tocando em casamentos tradicionais no Egito, músicas folclóricas e populares, com instrumentos de metal em um estilo de bandas de marcha. Eles eram sonoros, baratos e atraíam muita atenção com seus antigos uniformes militares especialmente quando eram contratados para um evento que necessitasse de muito barulho, como para o dote de uma noiva, onde as parafernálias e roupas dela eram transferidos da casa de seus pais para a casa de seu marido, para onde ela deveria ir. Eles também eram contratados em outras ocasiões como quando alguém era libertado da prisão, casamentos, e quando alguém estava indo para Meca fazer sua peregrinação.
Voltando à história do filme, eles mandaram este jovem garoto talentoso, interpretado por Abdel Halim Hafiz, ao Instituto de Música Árabe para estudar música e canto e voltar como um artista educado de quem eles pudessem se orgulhar. Veja bem, a maioria das pessoas tinha baixo conceito sobre a banda Hasaballa e os músicos da Rua Mohammed Ali, então seria uma oportunidade excelente para adquirir respeito social se um deles fosse uma pessoa educada que pudesse ensinar a todos as maneiras apropriadas, e fosse alguém de quem pudessem se orgulhar.
De um jeito ou de outro, quando o jovem garoto, Abdel Halim Hafiz, volta de seu curso após passar nos exames, ele se encontra com uma grande festa de rua onde, como vocês poderão ouvir na canção “Olulu”, há quase um duelo entre a banda egípcia “regular” e a banda Hasaballa. Nagwa dançou esta música em sua primeira aparição em um filme, o que, na minha opinião pessoal, foi o mais perto que alguém podeira chegar de alcançar a demonstração mais natural de uma verdadeira jovem egípcia comum (na melhor definição da palavra comum) dançando. Perfeitamente inocente, cheia de amor, com excelente expressão emocional, traduzindo todas as batidas da música maravilhosamente bem e retratando a linha histórica em uma performance de mestre que é preciso ver para crer.
O filme Sharei El Hob tornou-se um clássico e trouxe fama para Nagwa, Abdel Halim Hafiz, bem como para SABAH, o notório cantor libanês. Após isso, Nagwa sempre apresentava-se em concertos de Abdel Halim como a estrela da abertura de seus shows, que a faziam mais e mais famosa enquanto Abdel Halim era entitulado “A uva escura do Egito” por sua bela e doce voz sombria e por quebrar os corações de quase TODAS as mulheres árabes, e não apenas das egípcias.
Nagwa Fouad tornou-se muito conscienciosa do fato de que sua banda tinha que ter padrão ao menos compatível, senão tão bom quanto a de Abdel Halim, que costumava trabalhar com a AL MASSEYA ORCHESTRA (Orquestra O Diamante), liderada por Ahmed Fouad Hassam, o tocador de Quanoon, e alguns dos famosos músicos da banda eram, entre outros, Mahmoud Effat tocando Nay (também apresentado no CD de Hossam Ramzy “The Best Of Om Kolthoum”, junto com Abdel Halim, Farid Al Atrash e Mohammed Abdel Wahab e aqueles a quem o álbum “Source of Fire” de Hossam Ramzy é dedicado), Mahmoud Hammouda na Tabla (o principal professor de Hossam), e diversos dos maiores e mais respeitáveis violinistas e instrumentistas de conjuntos de cordas de todo o Oriente Médio.
Em sua banda, Nagwa Fouad tinha Ahmed Hammouda, irmão de Mahmoud Hammouda, tocando Tabla, o mestre de todos os percussionistas no estilo dançante e o primeiro homem a tocar um “Solo de Tabla ao Vivo” gravado na história da música para dançar e se apresentar. Ele incorporava diversos elementos folclóricos egípcios tais como o Haggala e o estilo Oásis de ritmos beduínos naquele solo de Tabla que ainda podem ser ouvidos hoje em diversos CDs para dança e que muitos tocadores ainda copiam como seus solos de Tabla padrão. Ahmed Hammouda também incorporava vários estilos de seqüências dos “Taks” que podiam ser tocados até mesmo no ritmo Maqsoum, na contagem de 1&2 e então seguidos por paradas de um “Dum” na contagem de 3 e um “Slap” na contagem de 4, que se tornou o “Solo de Tabla Clássico” de todos os tempos. Nagwa também tinha Mohammed Ayyad no Duff e Mazhar, e mais um enorme grupo de percussionistas. No solo de Violino, às vezes ela tinha Mahmoud El Gersha (um dos mais sensuais violinistas solo do Egito, que conseguia misturar sons egípcios com clássicos ocidentais e então voltar ao mais sujo Baladi e voltar para o estilo dançante após apenas 4 barras de música). Ela também tinha Samy El Bably no Trompete (também tocado diversas vezes nos CDs de Hossam Ramzy), o único homem que podia tocar um trompete ocidental como se fosse um instrumento egípcio. No Acordeom, ela tinha Hassan Abu El Saud (do famoso CD “Saher El Accordion” e também um dos tocadores favoritos de Ahmed Adaweya), e além disso, às vezes, ela tinha Mohammed Amidu no acordeom (que compôs diversas das músicas que ela usava para dançar) e ás vezes, ainda, ela tinha Mohammed Asfour (também da banda de Ahmed Adaweya). Mas seu performer mais miraculoso era o tocador de Nay Sayed Abu Sheffa. A palavra Abu Sheffa quer dizer o homem com lábios leporinos (fenda no palato), o que torna impossível tocar QUALQUER instrumento de sopro. Entretanto, Abu Sheffa tocava a Nay e a flauta de bambu egípcia Kawala como ninguém mais tocava. Ele conseguia sons extremamente incendiários e tinha uma habilidade incrível de deixar as pessoas assombradas com uma nota musical direta.
Uma vez que a verdadeira dançarina egípcia deve ser considerada, por todos aqueles que sabem alguma coisa de dança egípcia, como um outro membro instrumental da orquestra, é a dançarina que faz com que a música ganhe vida, que dá ao som uma existência física, tri-dimensional. Interagir com seus músicos, inspirá-los como ela ficava inspirada por suas performances virtuosas pegava o público pelo cangote e retratava a audiência em sua sedução estética. Tendo uma banda com tal poder aterrador, e acreditem, eles não eram mais fortes que os grupos de músicos mencionados acima, Nagwa tornou-se mais e mais musical, rítmica, e adquiriu mais e mais talento em sua dança e suas apresentações musicais, capazes de explorar o impossível e ir suavemente até onde nenhuma dançarina anterior conseguira chegar.
Diversas das coreografias e performances de Nagwa tinham aquele elemento surpreendente, bem como costumavam experimentar ao máximo os limites da fusão, enquanto aderiam às mais puras formas de arte que estavam sendo fundidas. Ela realmente compreendia seu Baladi e seus estilos clássicos egípcios, árabes e do norte da África de dança folclórica ou comum.
Ela também estudou ballet clássico ocidental, jazz e sapateado, e em algumas de suas performances no tablado, lembro dela usar um pouco de flamenco e mesmo de tango argentino.
O amor e a admiração das pessoas pela dança e pela espantosa personalidade de Nagwa Fouad não vinha apenas de seu público amoroso ao redor do mundo, mas também de compositores como o lendário Mohammed Abdel Wahab, que compôs a música dançante “Amar Arbaatasher” (A Lua do 14º Dia do Mês Lunar – que é o dia em que a lua está mais bela) especialmente para ela, e claro que a coreografia, o cenário, roupas e a apresentação desta música eram equivalentes à qualidade de seu compositor.
Lembro uma vez no Cairo, em 1998, quando eu passava uma manhã no Hotel Marriot onde Nagwa estava dançando e pensei comigo mesmo... O show me parecia um pouco estranho, havia alguns poucos elementos sobre os quais eu não tinha muita certeza se combinavam com o show e eu queria ver onde Nagwa chegaria com esta fusão. Então perguntei a ela quando ela viria à minha mesa dançar “Ashara Baladi” (que significa “Dez Baladi”) (Como é conhecido por nós do Egito. É uma seqüência de dança do puro folclore egípcio urbano, sobre a qual você pode ler mais a respeito neste site, sob o nome “Baladi” e também em outro artigo chamado “Zeinab”). Para encurtar um pouco a história, Hamidu tocou a introdução no acordeom e ela dançou de forma tão sensual, tão perfeita no tom e em sua harmonia com o músico até que o ritmo começasse e ela arrebatasse meu coração direto pela garganta e trouxesse lágrimas a meus olhos, isso sem mencionar o solo de Tabla que ela fez depois com Ali Ahmed Ali (o tocador de Tabla que na época era o percussionista particular e professor e treinador de Mona El Said), que eletrizou todo o lugar, e arrancou aplausos do público até quase fazer o salão vir abaixo.
Diversas das famosas peças dançadas que têm sido apresentadas em quase todas as casas noturnas da cena árabe/egípcia, tais como Naasa, Mashaael, Ali Loze, Shick-Shack-Shok, El Saidi e Amar Arbaatasher foram na realidade compostas para Nagwa Fouad. E isto para mencionar apenas algumas.
Agradeço a Deus pelo fato de até o dia em que escrevi este artigo, 21 de Novembro de 2001, em um vôo da Varig número 8614 de Buenos Aires, Argentina, a caminho para Santiago, no Chile, para uma turnê com workshop sobre dança entre os dois países, nossa amada Nagwa Fouad ainda está viva e muito envolvida com o mundo da arte, dança e música, e oro para que ela possa continuar conosco com boa saúde e espírito elevado.

Fonte:
http://www.hossamramzy.com/portuguese/stars/starsofegypt_nagwa.htm

sábado, 18 de outubro de 2014

A Era do Ouro - Naima Akef

Nasceu em 7 de outubro de 1932, em Tanta, no delta do Nilo, na família Akef. Havia um circo famoso onde a família inteira participava apresentando ou nos bastidores, tanto os jovens quanto os velhos. O Crico Akef era famoso com seus animais treinados e selvagens domesticados e com truques espertos exibidos pelos não tão treinados, bem como por incríveis apresentações de dança e acrobacias extravagantes.
Esta é a atmosfera da família onde Naima Akef nasceu e cresceu, indicando que uma estrela especial estava sendo desenvolvida neste ambiente ideal e apropriado, e bronta para ser trazida à luz.
A família Akef morava no Cairo, no distrito de Bab El Khalq, entretanto viajava por todo o país e mesmo pelo mundo com suas turnês, especialmente na Rússia em 1957, onde Naima apresentou sua dança em um festival juvenil internacional e ganhou o primeiro prêmio de dança do festival, onde se apresentaram dançarinas de mais de 50 países. Uma foto comemorativa desta vitória está exposta na parede do Hall da Fama do Teatro Bolshoi.
O avô de Naima, Ismail Akef, um professor de ginástica e treinador na Academia de Polícia do Egito, criara o Circo Akef ao se aposentar. Ismail abrigou Naima sob suas asas, reconhecendo seu talento como dançarina e no palco desde cedo, ajudou-a a modelar suas particularidades em uma artista histórica que alcançou o estrelato com o cinema egípcio. Naima foi descoberta primeiro pelo diretor Abbas Fawzy, que apresentou-a a seu irmão, o tamb´m diretor Hessein Fawzy, que percebeu o talento natural de Naima para a tela e deu a ela o papel principal na primeira vez em que aparecia, no filme “El Eish Wel malh” (O pão e o sal – no Egito, uma vez que as pessoas tenham partido um pão juntas, i.e. partilhado uma refeição, é considerado um sacrilégio desonrar as regras de lealdade não faladas, assim, El Eish Wel Malh, o pão e o sal). Naima estreou neste filme com o cantor Saad Abdel Wahab, primo do legendário cantor e compositor Mohammed Abdel Wahab. O filme foi um grande hit e um sucesso para o estúdio Nahhas Film onde fora filmado como primeira produção. Foi um início brilhante para a jovem Naima, que tinha vários números de dança durante o filme, os quais ela apresentou cuidadosamente como em todos os seus filmes futuros, lado a lado com sua atuação e canto.
Após seu primeiro filme, Naima teve um sucesso após o outro como “Lahalibo [como alguém poderia traduzir isto??] (Aquele que é tão quente que é comparado ao Ligeirinho), “Baladi We Kheffa” (Baladi e a luz do coração), “Baba Aaris” (Meu pai é o acompanhante da noiva), “Noor Oyouni” (A luz dos meus olhos). Este último foi feito após a apresentação de um número de dança de Naima com o legendário Dr. Mahmoud Reda, criador e dançarino do Grupo Reda. O número foi chamado “Leil We Ein” (ao invés de dizer Elil ya Ein, como se canta nos mawwals egípcios (lamentos). Leil, sendo a noite, e Ein, sendo os olhos, que passaram a noite sem piscar, pensando na amada). O número foi feito para o Concelho de Artes do Egito.
Os filmes de Naima seguem além dos que aparecem a seguir, mas os principais são “Forigat (***), “Fataah Wel Sirk” (Uma Garota e o Circo), “El Nemr” (O Tigre), “Halawet El Hob” (A Doçura do Amor), “Gannah We Nar” (Um Céu e Um Inferno), “Melyon Geneih” (Um Milhão de Libras), “Arbaa Banat We Zabet” (4 Garotas e um Oficial), “Madraset El Banat” (A Escola de Garotas), “Tamr Henna” este é o nome de uma flor egípcia, que era o nome da personagem de Naima no filme, “Aziza” and “Ahebbak Ya Hassan” (Amo você, Hassan).
A dança egípcia corria livre nas veias de Naima. Foi seu primeiro amor e a melhor maneira de se expressar que ela usava na sua vida circense que servia como uma plataforma para sua dança, enquanto tentava e apresentava novas idéias, coreografias e músicas. Ela nunca tomou atalhos no que se refere a medir despesas, treinar ou fazer as próprias roupas ou das dançarinas do cenário e dos cantores e outros participantes que a acompanhavam nos shows. Ela era muito consciente de seu peso e mantinha-o sob estrito controle, para continuar parecendo jovem e flexível. Naima sacrificou até mesmo os prazeres da maternidade, deixando para dar á luz sua criança um pouco antes de seu próprio falecimento.
Os peritos em dança egípcia têm certeza que Naima não foi influenciada pelos estilos de outras dançarinas, mas sim criou seu próprio estilo e tinha um sentimento pessoal da interpretação pela dança da música egípcia, a ponto de criar O NOVO no palco e em ensaios. Freqüentemente, Naima coreografava suas próprias sequências, mas ficou muito famosa por ser disciplinada e obediente a seus treinadores, técnicos e coreógrafos. 
No mundo da arte, naquela era do Egito, Naima foi muito famosa por sua amizade, doçura e disponibilidade para ajudar todos os seus amigos próximos e associados, bem como sua equipe de filmagem e membros do set. Nunca era egoísta, e sempre colocava os outros á frente dela mesma. Há uma famosa história sobre um dia, em uma filmagem, após uma cansativa manhã de filmagem, durante o descanso após o almoço, Naima notou que uma companheira dançarina do filme estava se esforçando para fazer um movimento acrobático que ela teria que fazer e enfrentava claras dificuldades para executar este movimento, que deveria ser filmado logo após o almoço. Ao invés de almoçar e descansar merecidamente, Naima foi até a garota, mostrou a ela como o passo devia ser feito com facilidade, e fez isso diversas vezes e treinou e ajudou-a até que ela conseguisse obter êxito, para deleite da garota e aplausos em massa da equipe de filmagem, dos atores e do diretor.
Naima raramente dançava em casas noturnas, mas sim em seus filmes e tablados teatrais que ela regularmente organizava no Egito e fora. Aquelas não eram apresentações de dança puramente egípcia, mas sim uma expressão livre e mais de uma música. Ela usava movimentos para expressar emoções e sentimentos, gestos, direta ou indiretamente, com expressão corporal que era uma testemunha do esforço selvagem de Naima em refletir seu talento artístico e sua flexibilidade e agilidade corporal.
Naima era muito orgulhosa de seu sucesso, que ela atingira por seu próprio mérito e sem ter rastejado em casas noturnas por um longo tempo. Ela se lembrava de como, quando sua mãe e seu pai se separaram, ela formou um ato cômico e acrobático que realizou em diversos clubes até ter a chance de trabalhar na famosa casa noturna de Badeia Masabny, onde a jovem Naima brilhava como uma estrela e era uma das poucas garotas a cantar e dançar.
Naima também recorda-se de ser a favorita de Badeia, o que causava a maior inveja nos corações de outras dançarinas de cenário do clube, até um dia em que elas se ajuntaram e tentaram bater nela, mas graças à sua força e agilidade, ela conseguiu se defender e inverter a situação. Mas uma vez que aquelas dançarinas eram uma fonte de bons proventos para Badeia, Naima foi despedida do clube e foi trabalhar em outro famoso ponto noturno, o Clube KIT KAT, onde conheceu o diretor cinematográfico Abbas Kamil, que apresentou-a a seu irmão, o diretor Hessein Fawzy, famoso por seus filmes musicais. Esta parceria foi um grande sucesso para ambos, e eles foram casados por nove anos, embora não tenham tido filhos. Alguns anos após o divórcio, Naima casou-se com seu contador, a quem deu um filho que trabalhava na área musical.
Naima entrou nos livros de história da dança do Egito como uma de suas dançarinas mais inovadoras, criativas e renovadas; ela também entrou nos livros de história do cinema como a primeira mulher a estrelar o primeiro filme inteiramente colorido do Egito, “Baba Aaris” (Meu pai é o acompanhante da noiva), dirigido por seu primeiro marido Hessein Fawzy em 1951.

Fonte:
http://www.hossamramzy.com/portuguese/stars/starsofegypt_naima.htm

sábado, 11 de outubro de 2014

A Era do Ouro - Badeia Masabny

A Rainha das Casas Noturnas Egípcias

Uma mulher que tinha total controle e monopólio sobre a vida noturna de entretenimento no Cairo. Sua orquestra, seus músicos, cantores e dançarinas eram os líderes na área e quando olhamos mais de perto, percebemos que quase todos eles eram ou ainda são referências em nossa escala de excelência e consideração clássica.
Uma garota libanesa já madura na idade de 17 anos, decidida a mudar-se para o Cairo com o propósito de seguir uma carreira artística uma vez que seu amor pelo canto e pela dança era mais forte que qualquer poder de persuasão apresentado obstinadamente por sua família.
Badeia Masabny (pronuncia-se Badee-a Masubni) mudou-se para o Cairo e começou a trabalhar em algumas pequenas casas noturnas onde a vida de entretenimento noturno florescia e prosperava, entretanto era controlada principalmente pos estrangeiros ocidentais, libaneses, sírios, ingleses, franceses, gregos, turcos alemães, americanos, etc... Mesmo as dançarinas, cantores e comediantes, não eram egípcios. Entretando, Badeia teve muito apoio e encorajamento de seus amigos libaneses e sírios em um negócio para os quais ela manteve muitas noites de entretenimento, danças e cantos em seus casamentos, e cantava a “Meijana” e “Etaba” (estilos libaneses e sírios especializados em lamentação), que trazia de volta memórias saudosas de casa e fazia com que eles se sentissem mais perto de suas terras natais.

Um jovem ator libanês chamado Nageeb Elias El Rihany (que era apadrinhado pelo famoso ator e diretor Aziz Eid Fa´ e que o mandara para Paris, para estudar produção cinematográfica) estava em uma destas festas e casamentos nos quais Badeia cantava e dançava. Nageeb fora introduzido no teatro egípcio por Aziz Fa´ em uma de suas peças, uma comédia, que o tornou muito bem sucedido e criou um nome e um rosto famoso com isso. Entretanto, Nageeb não estava interessado em comédias e tentou seu talento para tragédias, mas falhou a ponto de perder todas as ofertas de emprego e tornar-se falido e muito pobre.
Nageeb se encontrou depois com um agente desconhecido que acreditou nele como comediante e financiou sua companhia cômica e assim o jovem ator Nageeb percebeu que esta era a forma como as pessoas o viam e ele começou a acreditar em suas habilidades de comediante, e escreveu uma peça sobre um pequeno fazendeiro produtor de algodão na minúscula vila de Kafr El Ballas chamado Kesh-Kesh Beih (no estilo turco de ascensão social, a estratificação é feita como a seguir: Effendi = Senhor, Beih = Sir, Pasha = Príncipe), que veio para o Cairo vender seu material, então ele consegue vender tudo e vai a um clube noturno para celebrar sua grande venda do ano. Kesh-Kesh Beih fica muito acostumado com a vida noturna, vivendo entre todas as dançarinas e cantoras e gastando todo seu dinheiro. Ele volta para casa, planta outra safra e vende no próximo ano, quando volta para o Cairo e repete toda a história novamente. Nesta peça, Nageeb encontrou muito facilmente sua heroína para dividir o papel principal pois se lembrava da bela dançarina libanesa que havia conhecido em uma festa de casamento.
O público amou a peça e amou a dança e o canto de Badeia, sem mencionar sua beleza cativante e seu canto de diversas músicas que tornaram-se sucessos estrondosos na época:

“Ya mena-anesha Ya Betaaet Elloze
Taali NelAb Fard We Goze”
(Bela jovem vendedora de amêndoas
Venha, vamos tocar. Em solos ou em par?)
E também
“Yabol KeshaKesh Ya Tara?
Kan Bas Eih Elli Gara?”
(Oh Sr. KeshaKesh eu me pergunto
O que houve com você?)

Todas as noites, Badeia tinha o cuidado de apresentar uma nova coreografia na dança, uma nova canção e um novo vestido, que mantinham o público muito intrigado e ansioso por ver que novidades ela estava preparando para encantá-los. Toda esta fama e admiração do público abriram várias portas financeiras e artísticas à jovem Badeia.
Durante seu estrelato e sucesso, o herói e a heroína da peça casaram-se, o que fez deles ainda mais centro das atenções. O casamento durou dois anos inteiros, mas sem crianças, e então eles se divorciaram. Badeia não continuou a mesma peça com outros membros, mas decidiu estrelar sua pópria companhia; ela alugou um palco na Rua Emad El Deen, a famosa rua das casas noturnas da época, casas de entretenimento e teatros, e iniciou sua própria companhia de shows e danças apresentando todas as formas de dança e canto masculinos e femininos, cenas de comédias e também apresentando as mais belas dançarinas de todo o país, e ela costumava apresentar uma ou duas peças com ela mesma cantando juntamente com uma linha de coristas dançando e cantando como acompanhamento, e costumava acabar a noite com uma grande apresentação de diversos estilos de dança egípcia, que depois recebeu o nome de “RAKS SHARKI” (Dança Oriental).
Você sabe que a pura dança egípcia é chamada BALADI (que é o país ou terra natal, ou meu próprio país) (Veja neste site o artigo denominado “Zeinab”). Neste palco de Badeia em particular, diversas dançarinas e grupos de dança, folclóricos ou não, apresentavam vários shows durante a noite. Pelo estilo que a música deve ter, deveria haver uma grande introdução com grande orquestra egípcia bem como arranjos no estilo clássico, então haver um pouco de música no estilo puramente egípcio e a apresentação de uma variedade de dançarinos e músicos egípcios e do Oriente Médio e mesmo estrangeiros, então partir para o estilo Baladi egípcio, e finalizar com um grand finale que retoma a introdução original da música. Você pode achar músicas deste estilo em meus CDs (ROHE EUCD 1082 & FADDAH – EUCD 1614).

O sucesso da casa de Badeia continuou por várias temporadas consecutivas, o que levou-a a comprar um terreno na Royal Opera Square, uma locação muito famosa no coração do Cairo, e ela construiu um magnífico prédio que continha um grande teatro, uma casa noturna de tamanho razoável que apresentava novos cantores talentosos que mais tarde tornaram-se líderes nesta área, tais como Ibrahim Hammouda, Farid Al Atrash, Mohamed Abdel Motteleb. Bem como diversos compositores famosos como Mahmoud El Sherif, e músicos/compositores como Ahmed Sherif, famoso por Wahawi Ya Wahawi (uma canção muito famosa que as crianças egípcias cantam até hoje no famoso mês religioso de Ramadan, no qual os muçulmanos jejuam do nascer ao por do sol) e a canção Nebayyen Zein We Nedog El Wadaa (outra famosa canção que diz “Eu vejo bem o futuro e entendo da leitura de búzios, que é cantada pelos narradores no litoral do Egito), e a música de El Erque Soos (canção do homem que produz licores). Próximo ao teatro e à casa noturna havia um prédio que tinha uma cafeteria com um bar no primeiro piso. No segundo piso, era um restaurante de primeira classe com um belo jardim interior com uma vista de tirar o fôlego da parte antiga e nova do Cairo ao mesmo tempo.
O palco de Badeia Masabny apresentou e trouxe ao mundo diversas dançarinas lendárias, que já conhecemos hoje como STARS OF EGYPT (Estrelas do Egito), como Taheyya Karioka, Samya Gamal, Naima Adef, Naima Gamal, Beiba Ezz Eddin, Beiba Ibrahim, Zuzu Mohammed e Juliet, que foi adotada por Badeia e recebeu o nome de Layla Al Saqraa (Layla Loira), e Nadia Salama. O grupo de dança de Badeia também tomava corpo e revelou muitas outras estrelas famosas como Soraya Helmy e Ismail Yassin (dois dos maiores comediantes do Egito) e os escritores Abou El Saud Al Ibiary, Mahmoud Fahmy, Ibrahim El Qalawy e Fahmy Aman. Todos estes nomes dominaram a cena do cinema, teatro e clubes noturnos durante os anos 40 e boa parte dos anos 50, quando Badeia voltou para o Líbano após a revolução de 23 de julho de 1952 no Egito, com medo de ter sua fortuna confiscada pelo novo regime republicano.
Badeia produziu dois filmes em seu tempo: “Layali Al Qahira” (As Noites do Cairo) e “Maleket El Masareh” (A Rainha dos Teatros) (Clipes de danças destes dois filmes estão incluídos nos vídeos da série “STARS OF EGYPT”)

Após seu divórcio de Nageeb El Rihany, Badeia não casou novamente, e voltou ao Libano como mencionado acima, após vender seu centro artístico e tudo o mais para sua aluna Beiba Ezz Eddin. Lá ela abriu um restaurante próximo à montanha, e viveu ali até que suas cortinas baixaram-se após o ato final.
Dançarinas, cantores, músicos, artistas e público do Oriente Médio devem um reconhecimento póstumo apropriado a Badeia Masabny por ter a visão e a força necessárias para criar uma plataforma inicial para as artes egípcias e árabes serem apresentadas a todos, e por ter nos dado todas as estrelas que admiramos e seguimos até hoje.

Fonte:
http://www.hossamramzy.com/portuguese/stars/starsofegypt_badiea.htm