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sábado, 5 de março de 2016

Melea Laff

O Melea Laff (também encontrado como Meleya Laff, Mileya Laff, Melaya Laff ou Melea Laf) é um estilo de dança oriundo do Egito, mais especificamente a dança caricatural das mulheres de Alexandria visando atrair os marinheiros no porto (É difícil acreditar que mulheres "liberais" dançavam provocantemente no mercado, pois para chegar a tamanha ousadia por lá só sendo realmente prostitutas! Ainda assim encontramos na internet muita gente reforçando que a dança nada tem de prostituição, o que no final podemos até "quebrar um galho" quando pensamos no Egito com a dominação britânica, extremamente europeizado de antigamente...), surgido na década de 20 do séc. XX. 
Saiba também que Escandarani ou Escandrani, quer dizer Alexandria, e também se usa esse nome para se referir a Meleah Laff.
É um estilo de dança nascido no Egito, que interpreta o estilo das mulheres Bint El Baladi que viviam nessa região e queriam chamar a atenção dos marinheiros no porto ou dos rapazes na cidade.
Mas o Meleah não é uma dança executada nas ruas, e sim uma adaptação da realidade, para os palcos, feitas pelo grande coreógrafo egípcio Mahmoud Redá.
Portanto muitas coisas foram “inventadas” ou “aumentadas” da realidade, para ficar mais bonito nos palcos.
Há dois tipos distintos dessa dança:
* do Cairo - As palavras chave são rio e deserto.
Cairo, uma cidade moderna e agitada, das mulheres mais liberais, que freqüentam o mercado de Khan El Khalili. O Meleah do Cairo é mais engraçado, despojado, uma vez que a mulher é mais debochada, exagerada nos seus gestos. Interpreta-se uma mulher simples e brejeira.
Nos filmes árabes antigos essa mulher sempre aparece solteira e em busca de um marido, rodeada de amigas, gosta de sair, ir às compras e flertar com os rapazes. Usa muitas jóias, brincos, pulseiras e anéis. 
Nesse caso as músicas que podem ser usadas para esse tipo de coreografia incluem pop árabe de Hakim, Amro Diab e outros.
Os ritmos mais usados são acelerados, fallahi ou malfouf. Muitas vezes aparece um said no meio, é bom ficar atenta.
Alguns documentos afirmam que essa dança é característica precisamente da região de Ghouria, próxima ao Cairo.
* da Alexandria - As palavras chave são vento e mar.
Na década de 40, Alexandria era a capital do veraneio, invadida por turistas ávidos por suas praias e balneários.  Nessa época o meleah estava na moda e fazia parte do vestuário das mulheres, mas o clima quente obrigava-as a usarem um vestido leve por baixo daquele pano grosso.
Ao montar sua coreografia de Meleah Laff, é extremamente importante observar a personalidade dessas mulheres. 
As moças de Alexandria eram conhecidas e admiradas por sua beleza, charme e força. Eram independentes e costumavam andar sozinhas. Dessa forma, o Meleah da Alexandria é mais discreto, e o lenço é trabalhado com esmero.
As músicas para esse número normalmente apresentam uma parte especial para a apresentação masculina.
Normalmente essa dança interpreta a ligação das pessoas com o mar. A mulher da Alexandria é retratada como aquela que vive à espera do marinheiro dos seus sonhos, que está sempre no mar trabalhando. Por isso é retratada na maioria das vezes sozinha.
As músicas do Meleah da Alexandria falam de amor, do mar, da pesca, do cotidiano. 
Algumas palavras chaves que você pode tentar detectar nessas músicas: 
- Escandarani (Alexandria)
- Galabia (vestido)
- Buró ( chador)
- Meleah

Música
Umas das formas de distinguir uma música certa para este estilo, por exemplo, é identificar o nome desta cidade na sua letra (Iscandaria = اسكندريه), visto que os ritmos que podem o compor são bem comuns nas músicas árabes, como o baladi (sempre presente), e também o malfuf que o marca bastante, também usado em outros estilos, como o Hagalla e o Dabke.

Indumentária
A bailarina ostenta em seu figurino este lenço, com o qual realiza os movimentos que caracterizam a dança: ela o gira, o prende junto ao corpo realçando suas curvas, o transpassa entre as pernas, tudo é um jogo da sedução. 
O figurino é bastante característico, e é composto por:
- vestido curto (na altura dos joelhos), de babados, podem ser preto ou coloridos de cor lisa ou estampados (floridos), mas sem brilho.
Conforme materiais de estudo encontrados, se for da Alexandria, você usa o tal vestido curto de babados, agora se for do Cairo, é para usar uma galabia! 
- chador/ borrka/ buro:  para cobrir o rosto, que nada mais é que um lenço tricotado, com amplos buracos, que ao invés de cobrir totalmente, acrescenta mistério ao rosto, esse acessório pode ser tirado ou colocado para trás da cabeça durante a apresentação. 
Nota-se que hoje em dia no Cairo, muitas bailarinas ao apresentarem o meleah já não usam mais o chador. 
- tiara enfeitada com flores ou pompons, na cabeça;
- lenço na cabeça; 
- o tradicional véu do meleah, que deve ser grande, pesado e sem transparência. Pode ser ornado com medalhinhas ou pastilhas nas pontas, dourado ou prata, para dar mais brilho. De corte arredondado ou quadradão mesmo e sempre na cor preta
- tamancos (opcionais), não devem ser muito altos para não atrapalhar a dança, me parece que os tamancos ficam melhor com o figurino do meleah do Cairo, o vestidinho curto de babados, na minha opinião, fica melhor descalço.

Como dançar
O nome Melea Laff significa "lenço enrolado", denominando este estilo como "dança do lenço enrolado". Esse véu ou xale era sempre preto e pesado, escondia o corpo, mas acaba sendo revelador porque as moças o amarravam bem apertado ao corpo, evidenciando suas curvas.
Ao iniciar a performance, o meleah deve estar com uma ponta presa embaixo do braço, passando por baixo dos seios, e a outra ponta cobre a cabeça ou só os ombros e é segurada pela outra mão. 
Num vídeo muito antigo da Fifi Abdou, ela mesma aparece enrolada no meleah, mas só passando por cima do ombro esquerdo, e não por cima da cabeça.
De acordo com a bailarina Roxxanne, o braço esquerdo sempre tem que estar coberto pelo meleah, pois o lado esquerdo, no Egito, é reservado para “atos higiênicos” é é uma ofensa oferecê-lo a alguém.
A bailarina traz esse lenço enrolado em seu corpo, e com ele faz os movimentos característicos:
girar o lenço no ar, rodar as pontas do lenço alternadamente ou simultaneamente, amarrar no quadril, prender junto ao corpo realçando as curvas, transpassar entre as pernas, ou até mesmo jogá-lo de lado, num jogo de sedução.
Lembre-se que é uma dança folclórica bem brejeira, portanto seus pés ficam inteiramente no chão e abandonam a ½ ponta alta clássica da dança do ventre. 
Os movimentos de quadril também são pesados, ainda que saltitantes e graciosos.
Não deve haver muita preocupação com técnica, e sim com a interpretação correta da sua personagem.
À bailarina, nesse contexto, também é permitido mascar chicletes, fumar arguile, fazer gracinhas, aproximando-se do público, cantar, falar alto, entrar de sapato e tirar no meio da dança de forma despojada. A bailarina fala, gesticula muito, balança os seios e a cabeça. Quando falamos de Meleah Laff, isso tudo pode, faz parte.
A dança Meleah Laff é 50% dança e 50% interpretação cênica. Para dançar Melea Laff é necessário parecer alegre, afinal você está "seduzindo" um marinheiro charmosíssimo que acabou de chegar no porto, ui ui ui! É preciso ser provocante, sorrir, ter entusiasmo na dança. Como nela se interpreta um estereótipo, temos um estilo carregado de gestos, olhares, posicionamentos que dizem mais do que a dança em si: encarna-se aquela mulher livre, que está se divertindo ao chamar a atenção, que paquera, que cativa com sua aparência impetuosa. Melea sem interpretação não é Melea de fato, à primeira vista ele parece não ter mistério, mas envolve aquele quê a mais que qualquer bailarina deveria ter. Não tem jeito, para dançar Melea Laff tem que arrasar!
Fifi adorava interpretar a Meleah em suas apresentações, porque lembrava uma época agradável da história do Egito, quando a economia estava em alta e as mulheres viviam com uma liberdade diferente dos tempos atuais. 
Podem ver no vídeo que cito no final do texto, onde a Fifi Abdou aparece dançando meleah, de galabia dourada.
Aqui embaixo fica o vídeo da Suheil para se ter uma ideia da interpretação e da dança do Melea Laff (eu não seria muito objetiva se ficasse falando: são dois passinhos pra cá, chuta assim, olha assado, o negócio é ver!!!). Para quem está pensando em dançar este estilo, prepare-se!!


Fonte:
http://www.dancadoventrebrasil.com/2009/05/estilos-melea-laff.html
http://www.shainanur.com.br/#!meleah-laff/c215h

sábado, 14 de novembro de 2015

O que é Baladi?

Baladi 
Arabic: بلدى‎ baladī;  Adjetivo relativo de cidade, local, rural, comparado ao termo folclórico com um toque de classe baixa, existe esta conotação ligada a palavra. Também pode se referir a um estilo musical, o estilo folclórico da dança egípcia (Raqs Baladi) ou o ritmo Masmoudi Sohaiar, que é frequentemente usado em música baladi, muitas vezes podemos encontrar em inglês o termo Beledi. Em Árabe, a palavra baladi não se aplica apenas a música e a dança mas também pode se aplicar a muitas outras coisas, que são consideradas nativas, rurais, rústicas ou tradicionais, como por exemplo "aesh baladi" pão baladi. Também pode aparecer para muitos tipos de comida e a maioria das frutas e vegetais

Música Baladi
A música baladi é um estilo folclórico urbano, que se desenvolveu a partir de estilos musicais egípcios tradicionais, no início do século vinte, quando um largo número de pessoas migrou para o Cairo vindo de áreas rurais. Os sons do acordeom e do saxofone são como um carimbo de legitimidade da música baladi – ambos são instrumentos ocidentais, que foram adotados pelos músicos egípcios e modificados para tocar as escalas musicais árabes. Baladi pode tomar a forma de canções tradicionais, muitas vezes com uma estrutura de estrofe e refrão, com exemplos populares que incluem "Taht il Shibak" e "Hassan ya Koulli".
Há também uma forma musical improvisada dentro do estilo baladi.  A improvisação Baladi é uma forma estruturada de improvisação musical, que envolve usualmente um percussionista e um solista de acordeom ou saxofone, podendo o instrumento melódico também ser Nai, ou Kannoun. Muitas vezes encontramos esta forma estrutural chamada pelo termo "Taqsim Baladi" ou "Ashra Baladi" ou “Progressão Baladi”. Um taqsim Baladi consiste num número distinto de seções dentro da estrutura musical. Cada parte tem uma estrutura tradicional, e a ordem das partes seções segue um padrão solto, mas que pode também não se apresentar da forma esperada.
Há uma certa liberdade na construção e para um ocidental pode até mesmo parecer desorganizado, mas há um caminho a ser seguido. Os músicos não incluem geralmente todas as possíveis partes, mas decidem por algumas delas para a estrutura da peça musical. A maioria das improvisações serão iniciadas com um solo instrumental (taqsim) por um instrumento primário. Seguindo este momento, há usualmente uma sequencia de perguntas e respostas, entre o instrumento e o percussionista, fluindo dentro de uma parte rítmica que é lenta usualmente. Mais para frente, as sessões de pergunta e resposta são mais rápidas e uma parte rítmica mais dinâmica se apresenta. O meio da peça pode apresentar pedaços de canções populares, ou um trecho folclórico no estilo Saidi. A parte final é geralmente o “ TET” que tem um ritmo rápido, com acentos em staccato e fora do normal, ou em lugares inesperados.

padrão assuit - galabiya bordada em prata ou ouro
Dança Baladi
Raqs Baladi é a forma folclórica ou social do que conhecemos como dança do ventre. Ela é mais estacionária se comparada a Dança Oriental propriamente, que usamos para performances de entretenimento, com menor uso de braços, e o foco bem centrado nos movimentos do quadril.
A dança Baladi, tem um sentimento mais "pesado", com a dançarina aparentemente relaxada e muito conectada ao chão. É apresentada com a música no mesmo estilo. A roupa típica para as apresentações desta dança, é um longo vestido que cobre a barriga, podendo ser muito simples e tradicional ou ricamente adornado.
Tradicionalmente, um vestido baladi nos lembraria da versão teatral da roupa tradicional egípcia.  A versão mais comum traz  um vestido que tem uma saia reta com aberturas laterais, longas mangas que podem terminar nos cotovelos e que tem uma gola parecida com uma camisa. Tecidos com listras, ou no padrão Assuit, são populares.
Um lenço pode ser usado ao redor do quadril, e uma echarpe na cabeça também é um acessório comum. Uma performance baladi, pode incluir o uso de snjus (sagat), e também pode acontecer da bailarina utilizar uma "Assaya" (bengala).

Fifi Abdou, uma das lendas da dança Oriental Egípcia, do século vinte, é muitas vezes descrita com uma bailarina de estilo baladi, vide-a abaixo.

Vegetais e Frutas Baladi
Em alguns países árabes, nos mercados algumas frutas e vegetais são vendidos e anunciados como produtos “ baladi” incluindo, tudo que é nativo, natural, fresco, e de certa forma sofrendo uma produção artesanal, em detrimento de outros tipos de frutas e vegetais, que são produzidos de forma industrial e em larga escala, por exemplo.

Fonte:
http://www.lulufrombrazil.com.br/pt/baladi-voce-sabe-o-que-e/

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Dança do Bastão ou Dança da Bengala ou Raks El Assaya

Há uma dança masculina originária de El Saaid, região do Alto Egito, chamada Tahtib (arte marcial masculina - os homens se enfeitavam como pavões e simulavam uma luta entre si, usando esta dança para mostrar sua força e postura e desviavam dos golpes de acordo com o ritmo da música). Nela são usados longos bastões chamados Shoumas. Estes bastões eram usados pelos homens para caminhar e para se defender.
Note que Saaid também é o nome do ritmo originário desta região. Provavelmente a dança feminina surgiu como forma de paródia do Tahtib, pois as mulheres costumam apresentar-se utilizando um bastão leve ou uma bengala, imitando-os, porém com movimentos mais graciosos e charmosos. 
A bengala era utilizada por pastores, e quando eles tinham que ir para a guerra deixavam a missão pastoril para suas mulheres e filhos. Quando retornavam das batalhas notavam que o número de ovelhas aumentava e eram bem saudáveis, então os homens da tribo injuriados demonstravam com a bengala sua destreza com as mãos. Eles dançavam nas festas utilizando a bengala com movimentos bem másculos que mais pareciam uma luta que uma dança, só que as mulheres dançavam utilizando a mesma coisa com graciosidade e sensualidade e neste campo os homens não podiam competir.

Ritmo
Para dançar com o bastão não é qualquer ritmo, o usado é o Said ou Maalub el Balady, nome originário de El Saaid, no Alto Egito (mais comum e o mais usado). É um ritmo 4/4 e possui muitas variações. As músicas desta dança seguem uma linha egípcia, alegre e com batidas específicas.
Porém pode ser dançado também com Maksoum, Malfouf ou até mesmo o Baladi. Durante a dança, a mulher apresenta toda a sua habilidade, equilíbrio e charme. Costuma-se chamar esta dança feminina de Raks El Assaya (assaya é o nome do bastão usado para longas caminhadas). É uma das danças mais alegres, caracterizada por movimentos com saltinhos e gingadas, além dos muitos movimentos com o bastão - giros, batidas, contornos, etc.
A Raks El Assaya foi introduzida nos grandes espetáculos de dança do ventre pelo coreógrafo Mahmoud Reda. Fifi Abdo teria sido a primeira grande dançarina a apresentar performances com a bengala. Porém ela se apresentava com roupas masculinas. 
Hoje, a dança com bastão se tornou a mais famosa das folclóricas, sendo muito comum em meio a apresentações de dança do ventre ao redor do mundo, o que salta aos olhos no Líbano, nos Estados Unidos e também aqui no Brasil, além, é claro, de no Egito. 

Indumentária
Numa apresentação que se pretende folclórica é imprescindível usar a galabía (túnica árabe) ou um vestido fechado, o qual o ventre da dançarina fica coberto, podendo ser justo ou mais folgado com aberturas laterais, medalhões, com um lenço ou xale no quadril e lenços na cabeça e moedas. 
Usa-se vestido nesta dança para lembrar as esposas dos pastores, os quais, tangiam rebanhos com bastões e ao final do dia, já nas aldeia ou oásis, em volta das fogueiras, dançavam alegremente com suas mulheres.
Mas com a popularização do Saidi tornou-se comum apresentações com vestidos justos e decotados e outras variações menos comuns de vestido. A roupa conhecida como bedlah (saia e bustiê - roupa padrão de Dança do Ventre) não deve ser usada para esta dança, e de fato isso não é muito visto por aí, a não ser com um vestido de renda por cima do bedlah - o que resulta num visual muito bonito.
 
Dançando
Movimentos delicados onde as mulheres apenas manejam o bastão demonstrando suas habilidades com o objeto, usando-o também como uma “moldura” para mostrar o corpo durante a execução de seus movimentos.
As mulheres demonstram toda sua habilidade girando o bastão de várias formas (giros verticais, horizontais e transversais) sempre com muito charme, delicadeza e em harmonia com o trabalho dos quadris, busto e cabeça, requebrando habilidade e jogo de corpo da bailarina. São utilizados nesta dança muitos passos saltados e movimentos de ombros. Ao dançar, a bailarina demonstra destreza, equilíbrio e sensualidade, e sua expressão deve ser de alegria.

A bengala
A curva da bengala deve estar geralmente pra baixo durante a dança. Mas também cabe lembrar que há bengalas sem essa curva, que se assemelham mais a um bastão. Qualquer um desses modelos é apropriado para dançar.

Fonte: 
http://rosangelabronca.blogspot.com.br/p/estilos-de-danca.html
http://www.angelfire.com/co2/dventre/saidi.html
http://musidanca.blogspot.com.br/2011/01/raks-al-assaya-ou-danca-do-bastao-ou.html
http://www.hindsaid.com.br/d_ventre/bastao_bengala.htm