Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de agosto de 2016

Para dançar ainda melhor

Para a gente conseguir aproveitar todas as realizações dançantes que nos esperam, nada melhor do que estar bem preparada! Então...seguem algumas dicas para quem quer dançar ainda melhor:

- Mantenha uma turma regular. Cursos pontuais são ótimos para aprofundar um assunto, mas são as turmas regulares as grandes responsáveis por manterem nosso corpo e nossa mente ativos. E também por melhorarem a mecânica dos nossos movimentos, entre outros aspectos importantes;
- Improvise. Sim! O treino de improviso abrange muitos benefícios. Onde puder (e não precisa ter ninguém olhando), coloque uma música de sua preferência e dance! Dance muito! Esse treino é um dos mais completos que existe. Enquanto dançamos desenvolvemos:  nossa musicalidade, a ligação dos movimentos, nossas preferências, nossa emoção, inúmeras percepções, criatividade, fluidez, agilidade etc... Se tiver tempo, pegue músicas maiores. Se não tiver, pegue músicas curtas. E não se preocupe em sair tudo perfeito. Apenas dance. Pode ser uma única música, se não tiver muito tempo. Já vai valer muito a pena!;
Dance uma música por dia, durante dez dias seguidos. Respeitando o tempo da música de acordo com o seu tempo disponível e depois registre aqui sua experiência ;) ;
- Dedique-se aos exercícios de repetição. Podem parecer chatos, mas são eles os responsáveis por condicionar o corpo a fazer movimentos limpos e adquirir controle sobre eles;
- Seja mais coerente na hora de avaliar suas performances. A auto avaliação é muito importante para nosso desenvolvimento. Mas para isso, temos que encontrar um meio termo entre sermos exigentes em excesso e boazinhas demais. A auto avaliação deve ser verdadeira com os erros e também generosa com os acertos;
- Procure desenvolver sua criatividade. Treinos, improvisos, dinâmicas, vídeos, eventos, outros tipos de expressões artísticas...
- Procure desenvolver sua sensibilidade. Exercícios de meditação, de teatro, imaginar que história a música conta... normalmente ajudam muito;
- Aceite desafios. E seja generosa se não der tudo certo. A tentativa já merece uma recompensa. Mas prepare-se bem para as chances de darem certo aumentarem.
- Dedique-se: "talento é 1% inspiração e 99% transpiração". Thomas Edison;
- Escute mais música. Se for árabe melhor. Mas toda música é bem vinda;
- Mantenha o seu corpo equilibrado: saudável, ágil e tonificado;
- Mantenha uma rotina de estudos, mas permita-se quebrar essa rotina de vez em quando em busca de novidades. A rotina e a disciplina nos fazem crescer, mas as novidades alimentam nossa alma e criatividade!
-  Planeje-se bem. Mas não deixe de aproveitar as surpresas que a vida colocar nos seu caminho;
-  E, para terminar, busque sempre um equilíbrio entre o que te faz bem e o que te faz feliz. Remédio não é bom, mas é preciso. Circo não enche barriga, mas alimenta a alma…

Bons estudos!

Fonte:
http://www.centraldancadoventre.com.br/publicacoes/artigos/26/para-dancar-ainda-melhor-em-2015/17245

sábado, 18 de junho de 2016

A neurociência da dança - parte final

Você Sabe Dançar?
Outras partes do cérebro são ativadas quando observamos e aprendemos passos de dança. Beatriz Calvo-Merino e Patrick Haggard, da University College London, e seus colegas pesquisaram se áreas cerebrais específicas se tornavam ativas preferencialmente quando as pessoas observavam passos que já dominavam. Ou seja, será possível que existam áreas cerebrais que se ativam quando dançarinos de balé assistem a uma apresentação de balé, mas não, por exemplo, quando assistem a uma apresentação de capoeira? Para desvendar esse mistério, a equipe fez ressonâncias magnéticas funcionais de bailarinos, capoeiristas e não-praticantes à medida que observavam vídeos de três segundos de movimentos de balé e capoeira, sem áudio. Os pesquisadores descobriram que a experiência dos observadores tinha grande influência no córtex pré-motor: a atividade no local aumentou apenas quando os voluntários observavam as danças que eles mesmos sabiam executar. Outro trabalho oferece uma explicação provável. Os cientistas descobriram que, quando as pessoas observam ações simples, áreas do córtex pré-motor envolvidas na realização dessas ações se ativam, o que sugere que nós mentalmente ensaiamos o que vemos – uma prática que pode nos ajudar a aprender e entender novos movimentos. Os pesquisadores estão avaliando até que ponto os humanos dependem de circuitos de imitação desse tipo.
Em um trabalho posterior, Calvo-Merino e seus colegas compararam o cérebro de bailarinos de ambos os sexos enquanto observavam vídeos de dançarinos homens e mulheres dando passos específicos para cada gênero. Novamente, os níveis mais altos de atividade no córtex pré-motor eram dos homens que observavam movimentos apenas masculinos, e de mulheres que observavam movimentos apenas femininos.
Na verdade, a capacidade de ensaiar um movimento na mente é vital para as habilidades de aprendizado motor. Em 2006, Emily S. Cross, Scott T. Grafton e seus colegas do Dartmouth College discutiram se os circuitos de imitação no cérebro aumentam sua atividade à medida que ocorre o aprendizado. Durante várias semanas, a equipe realizou ressonâncias magnéticas funcionais semanais de dançarinos à medida que aprendiam uma seqüência complexa de dança moderna. Durante o imageamento, os voluntários observavam vídeos de cinco segundos que mostravam algum movimento que já dominavam ou outros passos diferentes, não-relacionados ao contexto. Após cada clipe, os voluntários classificavam sua capacidade de executar satisfatoriamente os movimentos que observaram. Os resultados confirmaram a hipótese de Calvo-Merino e de seus colegas. A atividade no córtex pré-motor aumentou durante o treinamento e, de fato, correspondia às avaliações dos voluntários sobre sua capacidade de realizar um segmento de dança observado.
Ambas as pesquisas destacam o fato de que aprender uma seqüência motora complexa ativa, além de um sistema motor direto para o controle das contrações dos músculos, um sistema de planejamento motor que contém informações sobre a capacidade do corpo de realizar um movimento específico. Quanto mais experiente a pessoa se torna em um determinado padrão motor, melhor consegue imaginar qual a sensação desse padrão, e talvez assim fique mais fácil realizá-lo. Entretanto, como nossa pesquisa demonstra, a capacidade de simular uma seqüência de dança – ou dar um saque no tênis ou uma tacada de golfe – na mente não é uma atividade simplesmente visual, como esses estudos talvez sugiram; ela também é cinestésica. Aliás, a verdadeira aptidão exige, de certo modo, uma sensação muscular, uma imagem motora nas áreas de planejamento do movimento em questão no cérebro.

O Papel Social da Dança
Talvez a questão mais fascinante para os neurocientistas, para início de conversa, seja por que as pessoas dançam. Certamente a música e a dança estão intimamente relacionadas: em muitos casos, a dança gera som. Os danzantes (ou “dançarinos”) astecas da Cidade do México vestem calças chamadas chachayotes, bordadas com sementes da árvore ayoyotl, que emitem um som a cada passo. Em muitas outras culturas, as pessoas usam objetos que produzem sons – de metal na sola dos sapatos a castanholas e guizos – no corpo e nas roupas enquanto dançam. Além disso, os dançarinos freqüentemente batem palmas, estalam os dedos e sapateiam. Como resultado, estabelecemos a hipótese da “percussão do corpo” em que a dança evoluiu inicialmente como um fenômeno sonoro e que a dança e a música, especialmente a percussão, evoluíram juntas como formas complementares de gerar ritmo. Os primeiros instrumentos de percussão podem muito bem ter sido componentes dessa prerrogativa da dança, muito parecidos com as chachayotes astecas.
Entretanto, diferentemente da música, a dança tem uma forte capacidade de representação e imitação, o que sugere que também possa ter atuado como uma forma primitiva de linguagem. Aliás, a dança é a linguagem gestual perfeita. É interessante observar que durante todos os movimentos usados em nosso estudo, identificamos ativação em uma região do hemisfério direito correspondente à área de Broca no hemisfério esquerdo. A área de Broca é uma região do lobo frontal classicamente associada à produção da fala. Nos últimos dez anos, pesquisas revelaram que a área de Broca também contém uma representação das mãos.
Essa descoberta reforça a assim chamada teoria gestual da evolução da linguagem, cujos defensores argumentam que a linguagem evoluiu inicialmente como um sistema de sinais antes de se tornar vocal. Nosso estudo está entre os primeiros a demonstrar que o movimento das pernas ativa a área do hemisfério direito correspondente à área de Broca, o que dá mais sustentação à ideia de que a dança se inicia como uma forma de comunicação representativa.
Qual pode ser o papel da área homóloga à de Broca em permitir que uma pessoa dance? A resposta não parece envolver diretamente a fala. Em um estudo de 2003, Marco Iacoboni, da University of California em Los Angeles, e seus colegas aplicaram estímulo magnético no cérebro para interromper o funcionamento da área de Broca ou de sua homóloga. Em ambos os casos, os voluntários foram menos capazes de imitar os movimentos dos dedos com a mão direita. O grupo de Iacoboni concluiu que essas áreas são essenciais para a imitação, um ingrediente chave para o aprendizado a partir de terceiros e para a difusão da cultura. Também temos outra hipótese. Embora nosso estudo não envolva exatamente movimentos imitados, tanto dançar tango quanto imitar movimentos com os dedos exigem que o cérebro ordene séries de movimentos interdependentes. Da mesma forma que a área de Broca nos ajuda a combinar corretamente palavras e frases, sua homóloga pode servir para posicionar unidades de movimento em sequências contínuas.
Esperamos que estudos futuros com imageamento cerebral tragam nova luz para o mecanismo cerebral por trás da dança e de sua evolução, algo que está extremamente associado ao surgimento tanto da linguagem quanto da música. Encaramos a dança como um casamento entre a capacidade representativa da linguagem e a rítmica da música. Essa interação permite que as pessoas não só contem histórias usando seu corpo como também façam isso ao mesmo tempo que sincronizam seus movimentos com os de outros, de maneira a estimular a coesão social.

Conceitos-Chave
■ A dança é uma forma fundamental da expressão humana que provavelmente evoluiu junto com a música como uma maneira de gerar ritmo.
■ Ela exige habilidades mentais especializadas. Em uma área do cérebro está uma representação da orientação do corpo, que ajuda a direcionar nossos movimentos pelo espaço; outra área funciona como um tipo de sincronizador, tornando possível combinar nossos movimentos ao ritmo da música.
■ A sincronização inconsciente – o processo que nos faz marcar o ritmo distraidamente com os pés – é o reflexo de nosso instinto para dançar. Isso ocorre quando certas regiões cerebrais subcorticais se comunicam, desviando-se de áreas auditivas superiores.

Irresistível descoberta sobre o tango (que pode se destinar a dança do ventre também, por que não?) - Em um estudo publicado em dezembro de 2007, Gammon M. Earhart e Madeleine E. Hackney da Escola de Medicina da Washington University, em St. Louis, descobriram que dançar tango melhora a mobilidade de pacientes com mal de Parkinson. A doença é o resultado de uma perda de neurônios no gânglio de base, um problema que interrompe a mensagem destinada ao córtex motor. Como resultado, os pacientes sofrem de tremores, rigidez e dificuldade em iniciar movimentos que planejavam realizar. Os pesquisadores descobriram que, após 20 aulas de tango, os voluntários do estudo “paralisavam” com menos freqüência. Em comparação aos voluntários que participaram apenas de uma aula experimental, os dançarinos de tango também apresentaram maior equilíbrio e pontuações maiores no teste Get Up and Go (Levante-se e vá), que identifica aqueles que correm risco de cair.

[Conceitos básicos] - As áreas do movimento no cérebro - Para identificar as áreas cerebrais que controlam a dança, os pesquisadores precisam de uma noção de como o cérebro nos permite realizar movimentos voluntários em geral. Uma versão bastante simplificada está representada aqui. 
O planejamento do movimento (esquerda) ocorre no lobo frontal, onde o córtex pré-frontal na superfície externa (não visível) e a área motora suplementar analisam os sinais (setas) que chegam de outras partes no cérebro, indicando essa informação como uma posição no espaço e lembranças de ações passadas. Em seguida, essas duas áreas se comunicam com o córtex motor primário, que determina quais músculos precisam se contrair, e com qual intensidade, e envia as instruções pela medula espinhal até os músculos.
O ajuste fino (direita) ocorre, em parte, à medida que os músculos devolvem os sinais para o cérebro. O cerebelo usa essa resposta muscular para ajudar a manter o equilíbrio e aprimorar os movimentos. Além disso, o gânglio de base reúne informações sensoriais das regiões corticais e as transmite por meio do tálamo até áreas motoras do córtex.

O balé ajuda a melhorar o equilíbrio?
Roger W. Simmons, da San Diego State University, descobriu que, ao perder o equilíbrio, dançarinos de balé treinados se endireitavam muito mais rapidamente que voluntários não-treinados, graças a uma reação significativamente mais rápida dos nervos e músculos às interferências. À medida que o cérebro aprende a dançar, aparentemente também aprende a atualizar a resposta recebida do corpo mais rapidamente.
Os resultados - coreografia mental - Os pesquisadores descobriram que as seguintes regiões do cérebro contribuem para a dança de maneiras que vão além de apenas realizar um movimento.
Vérmis anterior - Esta parte do cerebelo recebe informações da medula espinhal e aparentemente age como se fosse um metrônomo, ajudando a sincronizar os passos de dança à música.
Núcleo geniculado medial - Uma interrupção ao longo da via auditiva inferior, esta área aparentemente ajuda a configurar o metrônomo do cérebro e é responsável por nossa tendência para tamborilar os dedos inconscientemente ou balançar o corpo ao ritmo de uma música. Reagimos inconscientemente, pois a região está conectada ao cerebelo, comunicando informações sobre o ritmo sem “falar” com as áreas auditivas superiores no córtex.
Precuneus - Por conter um mapa baseado nos estímulos sensoriais do próprio corpo, o precuneus ajuda a identificar o trajeto de um dançarino a partir de uma perspectiva voltada para o corpo, ou egocêntrica.

Para conhecer mais
Action observation and acquired motor skills: an fMRI study with expert dancers. Beatriz Calvo-Merino, Daniel E. Glaser, Julie Grèzes, Richard E. Passingham e Patrick Haggard, em Cerebral Cortex, vol. 15, no 8, págs. 1243-1249, agosto de 2005.
Building a motor simulation de novo: observation of dance by dancers. Emily S. Cross, Antonia F. de C. Hamilton e Scott T. Grafton, em Neuroimage, vol. 31, no 3, págs. 1257- 1267, 1o de julho de 2006.
The neural basis of human dance. Steven Brown, Michael J. Martinez e Lawrence M. Parsons, em Cerebral Cortex, vol. 16, no 8, págs. 1157-1167, agosto de 2006.
Seeing or doing? Influence of visual and motor familiarity in action observation. Beatriz Calvo-Merino, Daniel E. Glaser, Julie Grèzes, Richard E. Passingham e Patrick Haggard, em Current Biology, vol. 16, no 19, págs. 1905-1910, 10 de outubro de 2006.
Steven Brown e Lawrence M. Parsons Steven Brown é diretor do NeuroArts Lab no departamento de psicologia, neurociência e comportamento da McMaster University, em Ontario. Sua pesquisa tem como foco a base neural da comunicação humana, incluindo a fala, música, gestos, dança e emoção. Lawrence M. Parsons é professor do departamento de psicologia da University of Sheffi eld, na Inglaterra. Sua pesquisa inclui o estudo do funcionamento do cerebelo e a neurociência por trás da capacidade de realizar duetos, interagir em uma conversa e inferência dedutiva.

Fonte: http://khandara.multiply.com/journal/item/15

sábado, 12 de março de 2016

Tarab

Uso o termo “Tarab” para fazer referência ao estilo musical clássico que surgiu na década de 1920, caracterizado por uma estrutura sofisticada, voltada para apresentações nos palcos e nos cinemas.
Tarab, em árabe significa “sensações e sentimentos” e sugere estado de êxtase e de entrega. Estado este, atingido pelo povo árabe ao contemplar a música grandiosa da época. É uma música longa o bastante para que seus ouvintes entrem em contato com suas emoções, de modo a experimentar sensações de alegria, tristeza, prazer, dentre vários outros sentimentos possíveis.
Esse gênero musical nasceu a partir da musicalização de um poema que inicialmente foi composto para ser ouvido. Dançá-lo, foi um passo posterior.
Como o Tarab é um gênero extremamente tradicional, com grande significado para os árabes, ele demanda uma interpretação muito especial por parte da bailarina. Ela deve interpretar a letra da música, exibir uma dança pura, madura e intensa. Uma dança tipicamente árabe. Por isso, é muito importante que a bailarina conheça a tradução da música para interpretá-la de forma correta e o mais emocionada possível.
Portanto, ao dançar esse tipo de música, a bailarina deve se preocupar em fazer uma dança tradicional.  Não cabem aqui, os inúmeros movimentos acrobáticos, tais como “quedas turcas”, “espacates” ou “grand batmans“. Mesmo porque não existem esses e tantos outros movimentos impactantes, originalmente na Dança do Ventre.
Se a intenção é ser fiel ao estilo, o mais importante na interpretação de um Tarab é o envolvimento da bailarina com a música e com o que ela expressa. Devendo lançar mão de passos típicos das danças árabes, tais como os movimentos arredondados, os batidos e os shimmies.
Tipos do véu na dança clássica 
As bailarinas egípcias que começaram a dançar Tarab usaram o véu de forma muito peculiar, moderada e restrita. Entretanto, o véu usado na época não é o mesmo que estamos acostumados a fazer na Dança do Ventre hoje, cuja inspiração é totalmente ocidental. E como no Tarab, o elemento fundamental não é o véu, tome muito cuidado.
Estude e procure entender a magnitude de um Tarab. Você verá que o nosso belo véu de seda não é a melhor opção para este tipo de música. Por isso, certos trabalhos de véu no Tarab, eu considero como sendo um dos erros mais comuns na Dança do Ventre que poder fazer você se parecer com uma bailarina iniciante.
A presença do véu sempre esteve na dança oriental, desde época do ghawazee e a era dourada, usado no clássico, shaabi até no tarab. Mas qual véu e quando usar ele especialmente no clássico ou no tarab? É um tipo de véu que faz parte do traje, é um conjunto leve do mesmo tecido e mesmo cor, e normalmente amarrado no ombro ou na cintura da bailarina pode até ser solto na apresentação.
Usado apenas em momento solo, tipo momento do taksim ou em giros, começou o canto solta as mãos do véu e expresse a música; nunca é usado na música inteira mesmo que seja toda instrumental. 
O que vemos hoje em músicas do tarab?
O que vemos hoje em dia, especialmente no ocidente, e aqui, claro, além da invenção é falta de entendimento da música, sua mensagem.
As bailarinas esquecem que interpretar um tarab ou até clássico do Abdel Haleem ou até Oum Kalthoum mesmo que seja uma versão instrumental, que a música tem poema, tem letra e exige uma interpretação, uma leitura, já vi muitas apresentações com músicas de Oum Kalthoum usando o véu, mais malabarismo com véu do que expressar a música, véus de borboletas, arco íris etc, e isso é um erro sim, não se usa este tipo de véu neste estilo musical. 
Nem tudo que achamos bonito tem nexo, e nada é bonito quando retira o verdadeiro sentido, eu já vi interpretações em músicas de Oum Kalthoum usando o Punhal, daqui pouco vamos ver alguns usando o bastão no tarab e vamos tem que achar bonito? Direito de expressar a arte? Não...
Então conheçam estas diferenças, mantenham o valor da música, do poema, Se Suheir Zaki foi observada pela Oum Kaltoum em seus ensaios antes de interpretar uma canção dela, imagina quem não é Suheir Zaki. 
É muito importante saber que cada música tem sua letra, sua musicalidade, sua história e sua mensagem. É importante saber que você não esta interpretando Oum Kalthoum, mas uma “música” de Oum Kalthoum.
Vamos dar exemplo, tem musica “ Alf Leila Wa Leila” ou mil e uma noite (um dos grandes clássicos do Oum Kalthoum), fala sobre uma noite do amor que valeu por mil noite, uma expressão de alegria, satisfação do momento, a música tem leitura instrumental impacta, forte que refere o pensamento e imaginação entre um capítulo e outro, exige marcação forte, personalidades. Agora vamos olhar uma música como “Lessa Faker” que é um Tarab, tem uma pergunta, um lamento, uma decepção por uma história e tempo que já passou, é interpretação totalmente é outra.
Muitas se perdem, por conta de ensinamento errado, às vezes, também por conta da música instrumental que está sendo usada mais ainda quando falamos em restaurantes e festinhas. Interpretar uma “música” do Oum Kaltoum é interpretar o estilo musical, a letra, a mensagem.
É tão bonito quando a gente vê que a bailarina entende do que ela representa. É gratificante quando seu esforço, investimento seja construído em base do saber. Bom saber que existe quem entende e canta a música mesmo que seja instrumental e o conselho é estudar o que vai interpretar, não apenas coreografar. 
Não são apenas os detalhes que fazem um trabalho seja bonito, mas toda a construção. Espero que esta observação alcance a maior parte, para que todos tenham consciência e conheçam as diferenças.

Fonte:
http://www.blognilzaleao.com.br/erros-mais-comuns-na-danca-do-ventre/
http://www.khaledemam.com/p/materias.html

sábado, 14 de novembro de 2015

O que é Baladi?

Baladi 
Arabic: بلدى‎ baladī;  Adjetivo relativo de cidade, local, rural, comparado ao termo folclórico com um toque de classe baixa, existe esta conotação ligada a palavra. Também pode se referir a um estilo musical, o estilo folclórico da dança egípcia (Raqs Baladi) ou o ritmo Masmoudi Sohaiar, que é frequentemente usado em música baladi, muitas vezes podemos encontrar em inglês o termo Beledi. Em Árabe, a palavra baladi não se aplica apenas a música e a dança mas também pode se aplicar a muitas outras coisas, que são consideradas nativas, rurais, rústicas ou tradicionais, como por exemplo "aesh baladi" pão baladi. Também pode aparecer para muitos tipos de comida e a maioria das frutas e vegetais

Música Baladi
A música baladi é um estilo folclórico urbano, que se desenvolveu a partir de estilos musicais egípcios tradicionais, no início do século vinte, quando um largo número de pessoas migrou para o Cairo vindo de áreas rurais. Os sons do acordeom e do saxofone são como um carimbo de legitimidade da música baladi – ambos são instrumentos ocidentais, que foram adotados pelos músicos egípcios e modificados para tocar as escalas musicais árabes. Baladi pode tomar a forma de canções tradicionais, muitas vezes com uma estrutura de estrofe e refrão, com exemplos populares que incluem "Taht il Shibak" e "Hassan ya Koulli".
Há também uma forma musical improvisada dentro do estilo baladi.  A improvisação Baladi é uma forma estruturada de improvisação musical, que envolve usualmente um percussionista e um solista de acordeom ou saxofone, podendo o instrumento melódico também ser Nai, ou Kannoun. Muitas vezes encontramos esta forma estrutural chamada pelo termo "Taqsim Baladi" ou "Ashra Baladi" ou “Progressão Baladi”. Um taqsim Baladi consiste num número distinto de seções dentro da estrutura musical. Cada parte tem uma estrutura tradicional, e a ordem das partes seções segue um padrão solto, mas que pode também não se apresentar da forma esperada.
Há uma certa liberdade na construção e para um ocidental pode até mesmo parecer desorganizado, mas há um caminho a ser seguido. Os músicos não incluem geralmente todas as possíveis partes, mas decidem por algumas delas para a estrutura da peça musical. A maioria das improvisações serão iniciadas com um solo instrumental (taqsim) por um instrumento primário. Seguindo este momento, há usualmente uma sequencia de perguntas e respostas, entre o instrumento e o percussionista, fluindo dentro de uma parte rítmica que é lenta usualmente. Mais para frente, as sessões de pergunta e resposta são mais rápidas e uma parte rítmica mais dinâmica se apresenta. O meio da peça pode apresentar pedaços de canções populares, ou um trecho folclórico no estilo Saidi. A parte final é geralmente o “ TET” que tem um ritmo rápido, com acentos em staccato e fora do normal, ou em lugares inesperados.

padrão assuit - galabiya bordada em prata ou ouro
Dança Baladi
Raqs Baladi é a forma folclórica ou social do que conhecemos como dança do ventre. Ela é mais estacionária se comparada a Dança Oriental propriamente, que usamos para performances de entretenimento, com menor uso de braços, e o foco bem centrado nos movimentos do quadril.
A dança Baladi, tem um sentimento mais "pesado", com a dançarina aparentemente relaxada e muito conectada ao chão. É apresentada com a música no mesmo estilo. A roupa típica para as apresentações desta dança, é um longo vestido que cobre a barriga, podendo ser muito simples e tradicional ou ricamente adornado.
Tradicionalmente, um vestido baladi nos lembraria da versão teatral da roupa tradicional egípcia.  A versão mais comum traz  um vestido que tem uma saia reta com aberturas laterais, longas mangas que podem terminar nos cotovelos e que tem uma gola parecida com uma camisa. Tecidos com listras, ou no padrão Assuit, são populares.
Um lenço pode ser usado ao redor do quadril, e uma echarpe na cabeça também é um acessório comum. Uma performance baladi, pode incluir o uso de snjus (sagat), e também pode acontecer da bailarina utilizar uma "Assaya" (bengala).

Fifi Abdou, uma das lendas da dança Oriental Egípcia, do século vinte, é muitas vezes descrita com uma bailarina de estilo baladi, vide-a abaixo.

Vegetais e Frutas Baladi
Em alguns países árabes, nos mercados algumas frutas e vegetais são vendidos e anunciados como produtos “ baladi” incluindo, tudo que é nativo, natural, fresco, e de certa forma sofrendo uma produção artesanal, em detrimento de outros tipos de frutas e vegetais, que são produzidos de forma industrial e em larga escala, por exemplo.

Fonte:
http://www.lulufrombrazil.com.br/pt/baladi-voce-sabe-o-que-e/

sábado, 8 de agosto de 2015

Curiosidades: Os ritmos e suas especificações

A música árabe possui a seguinte divisão:
Moderna = música feita com elementos novos, modernos; que foge do clássico habitual.
Clássica = música feita aos moldes tradicionais, habituais, como as canções de Abdel Halim Hafez.
Folclórica = as canções que nasceram do meio do povo. Representam a sabedoria popular, como o dabke, que é uma dança árabe folclórica muito tradicional no Líbano.
Baladi = música tocada ou cantada na região, na aldeia, no vilarejo. É a música que faz relembrar as origens, as raízes.
Baladi Folclórico = termo, que significa meu povo ou minha terra, se refere genericamente às danças folclóricas egípcias e às músicas que as acompanham.
A principal característica dos ritmos árabes é a nota dum. É o coração do ritmo. Quando aquele se torna imperceptível, este perde sua vida, sua identidade.
Dum é a nota mais grave do ritmo e a mais vibrante. É a nota que precisa estar obrigatoriamente bem perceptível (não ser confundida com as outras notas) e clara (não estar sob efeito de eco ou excessiva reverberação acústica).
Entre as inúmeras características importantes da nota dum, podemos mencionar três:
1 - Auxiliar no reconhecimento do ritmo propriamente dito;
2 - Auxiliar no reconhecimento de seu compasso;
3 - Identificação do ritmo representado graficamente.

Nomenclatura dos ritmos
Maksum ou Baladi 1 dum - Ritmo tocado de forma mais rápida. Considerado o pai de todos os ritmos. É um dos mais usados para a dança do ventre. 
Andamento: (4/4) Notação gráfica: DUMTá, TáDUMtátáká
Baladi - O baladi é sem dúvida o mais comum e o mais conhecido dos ritmos árabes. Trata-se da versão lenta do maksum, apresentando caracteristicamente dois dums em sua inicial. 
Andamento: (4/4) Notação gráfica: DUMDUM,tákáTá,DUM,tákáTá,táká
Existem muitas variações do baladi, como por exemplo:
Baladi (clássica egípcia)
Andamento: (4/4) Notação gráfica: DUMDUM,ká,KÁ,DUM,ká,KÁ,táká
Saidi - O saidi, derivado da essência do maksum, é reconhecidamente bastante similar ao baladi e amplamente utilizado como ritmo-base na execução de determinadas danças folclóricas árabes como a dança com a bengala (raks el assaya) e a dança com o bastão (tahtib).
Andamento: (4/4) Notação gráfica: DUM,Tá,tákáDUM,DUM,tákáTá,táká
Karatchi - Curiosamente o karatchi é um ritmo de característica marcante, pois inicia-se com um Tá (batida aguda) e não com um dum (batida grave) como os ritmos abordados. Sua execução resume-se a uma sequência de cinco batidas, usando alternadamente as mãos, e finalizando na sexta batida com o dum.
Andamento: (2/4) Notação gráfica: TákátákáTá,DUM
De sua versão simplificada, é possível se extrair inúmeras variações:
Notação gráfica:
DUM,Tá,tákáDUMDUMDUM,tákáTá,táká (3 dums)
DUMkáTákátákáDUMkáDUMkátákáTákátáká (alternada)
Chiftetelli - Existe controvérsia a respeito da origem desse ritmo. Devido à etmologia do nome, talvez seja originário da Turquia. Outra corrente acredita que o chiftetelli advenha da antiga Grécia. De fato, estas contradições são normais, uma vez que os ritmos grego e turco muito se confundem ao longo da história. Trata-se, portanto, de um ritmo bastante complexo que permite liberdade ao percussionista para apresentar variações. É usado primordialmente no âmbito da música árabe para acompanhar solos instrumentais de taksim (improvisação) de instrumentos como o alaúde, o kanun, o violino etc.
Andamento: (8/4) Notação gráfica: 
DUM,tákátá,tátákáDUM,tá,ká,DUM,DUM,tá
DUM,káKÁ,DUMKÁ,DUM,DUM,ká
DUM,kákátákátá,kákátákátá,ká,DUM,DUM,TÁ
BoleroAndamento: (4/4) Notação gráfica: DUM,kákáTá,kákáTákáTákáDUM,Ká
Rhumba - Devido à grande semelhança entre esses dois ritmos, serão tratados em conjunto. A rhumba é caracteristicamente executada de forma mais rápida do que o bolero, pois sua variação-base apresenta exatos nove toques divididos em intervalos curtos. A do bolero apresenta doze toques em intervalos mais longos.
Andamento: (2/4) Notação gráfica: DUM,tákátá,Ká,Tá,Ká,DUM,ká
Zaffa - Semelhante a uma marcha, o zaffa é um ritmo bastante executado nos países do norte africano (Saara), principalmente no Egito. Sua forma simples permite extrair inúmeras variações. É importante ressaltar que ao final de cada período executado, deve-se fazer uma pequena pausa (característica marcante), que não pode ser suprida.
Andamento: (8/4) Notação gráfica: DUM,tákátá,tá,DUM,tá,tá(pausa)
Existe a possibilidade de se unir dois períodos, adicionando-se ao intervalo uma batida tá, porém ao final, a pausa é imprecindível.
Notação gráfica: DUM,tákátá,tá,DUM,tá,tá,tá,DUM,tákátá,tá,DUM,tá,tá(pausa) 
Saudi /Soudi/ - O ritmo saudita, também é conhecido pelo nome de khaliji, está ligado à região geográfica do Golfo Pérsico ou Península Arábica. Trata-se de um ritmo bastante simples, apresentando dois dums na sua forma estrutural. É um dos ritmos-base para a dança folclórica chamada dança do Khaliji (raks al khaliji) ou dança do Golfo.
Andamento: (2/4) Notação gráfica:
DUMkákáDUMkákáTáká (sequência sem intervalos)
DUMkákáDUMkákáTÁká (inserção da batida TÁ)
DUM,Ká,DUM,kátáká (representação com intervalos curtos)
Ayub - Ritmo de estrutura bastante simplória, o ayub ou zar é utilizado geralmente como introdução ao solo de tabla árabe. Supostamente inspirado no movimento do camelo ou do dromedário. É popularmente conhecido como "ritmo do camelo".
Andamento: (2/4) Notação gráfica: DUM,táká,tá ou DUM,káDUM,Tá

Fonte: 
http://www.webartigos.com/artigos/tabla-solo-ou-solo-de-percussao-parte-2/19101/#ixzz3fUlV8EwU

sábado, 25 de julho de 2015

Música Clássica

As músicas modernas geralmente são lineares, não oferecendo grandes mudanças. Costumam apresentar um ritmo só do início ao fim, e o mais comum é o ritmo said, embora às vezes possa ter também o baladi e o malfuf. Geralmente elas são cantadas, e como exemplos de cantores modernos temos Ehab Tawfic, Amr Diab, bem como Nancy, só para citar alguns.
Por não apresentar grandes variações, este tipo de música é o mais adequado para aquelas que estão começando a dançar, e que provavelmente sentirão dificuldades com uma música clássica, por exemplo.
Músicas folclóricas são aquelas adequadas para as danças folclóricas árabes dos mais diversos países, como a dança da Bengala, o Khaleege, entre outros. Entre os ritmos mais presentes estão o Said, o Malfuf, Falahi, o Soudi, o Ayubi.
Estes ritmos também podem estar presentes em outros estilos de música árabe, como as modernas e as clássicas. Ou seja, não é o ritmo que caracteriza o tipo de música. Na música folclórica muitas vezes há a flauta Mizmar, aquela cujo som é agudo e se assemelha a um “mosquito”.

De todas as músicas árabes disponíveis para nossa criatividade na dança, a música clássica é aquela que "não basta ser um rostinho bonito" para dançar. Se preparar para dançar uma música clássica é sobretudo estudar!! Sabe toda a nossa preocupação em passar ritmos, instrumentos musicais, dicas de professoras? Você pode usar estas dicas para uma outra finalidade, mas todas elas são necessárias para se dançar corretamente uma música clássica. As clássicas necessitam de ouvido atento (e afiado), conhecimento da sua estrutura, dos seus pormenores: hora de deslocar, de parar, de usar o véu e de soltá-lo, hora para tremer, para ondular, para pular, etc. A criatividade fica para os inúmeros passos que podemos explorar em cada momento, mas não para reinventar uma nova forma de interpretar os momentos da música.
Mas meninas, não pensem que isso é ditadura cruel das dançarinas do ventre, de um grupinho que está no topo. Não podemos sambar no frevo, não é? Ou dançar valsa no tango! Esta é a estrutura formada para que as dançarinas leiam todos os instrumentos da música, a função da dançarina é justamente expor essa harmonia entre melodia e percussão em 3D (como diria Hossam Ramzy). 
Para isso, vamos explicar por tópicos basicamente o que temos que nos atentar:
1. Introdução da música: O início é a apresentação da música e da banda. Não é a hora da bailarina entrar. NÃO DANCE!! Sequer apareça em frente ao público (já vi bailarinas paradas como estátuas com a mão na cintura ainda, que horror!). Esta é a apresentação da banda, por mais que ela não esteja ali fisicamente, esse momento não foi feito para a dança, mesmo que você ache lindo de morrer. Haverá uma próxima deixa na música é justamente para a entrada triunfal da bailarina.
2. Chamada da Bailarina: Ela pode ser longa ou só um floreio rápido. Fique atenta, uma variação da melodia de introdução é a chamada da dançarina. Geralmente ela vem após a percussão iniciar o ritmo da entrada. Nesse momento, o ritmo inicia puro, sem melodia, quando a melodia entra junto com ritmo, é a hora de entrar com deslocamentos ou andando (se o ritmo for o Vox, por exemplo). Mas caso você não conheça a música e não queira sair esbaforida, conte até 4 e entre no 5. A música árabe tem 2, 4 ou 8 tempos, normalmente, ou seja, ela "vira" após essa contagem, o que marca um novo momento da música.
Esta é a hora em que a plateia faz o primeiro contato com a bailarina. Vai querer ver quem é, conhecer seu rosto, sua postura, a roupa. Assim, o ideal é explorar o espaço, se fazer ser vista por todos e, para isso, abusar de deslocamentos grandiosos, como caminhada simples, passeio no bosque e evitar explorar muita técnica. “Quando a ORQUESTRA INTEIRA está a tocar, é esperado que a bailarina utilize uma área maior do palco e que crie grandes ondas de movimento, fazendo a sua coreografia parecer tão grande como o som da orquestra. Quando um solista está a tocar, a bailarina deve fazer o oposto.”
3. Maestria: Nesse momento, a música faz uma transição, portanto, a bailarina deve tentar se centralizar no espaço. Pode entrar um baladi, um saidi sem mizmar (cornetinha) ou um maksoum, por isso, agora sim é possível explorar técnica, em especial de quadril, e brincar com o público. Esse é o momento para parar de deslocar, e marcar com um básico egípcio. Só posso fazer básico egípcio? Bem, ele é o sinal que você reconheceu o ritmo, e num concurso ou numa prova isso é fundamental. Essa é a hora de largar o véu, se estiver com ele na entrada.
4. Floreio: Bem, a partir de agora a música vai variar não necessariamente na mesma ordem. Podemos ter um Taqsim (quanoun sempre se treme, alaúde se for dedilhado; instrumentos de sopro se ondula, com exceção do mizmar); um folclore (said com mizmar é Saidi! Pule, faça gracejos; soudi se dança khaleege; ayoub puro - sem melodia, só percussão - é zaar, baixe um santo); um derbake; ou podemos ter um ritmo de deslocamento (malfuf, vox, ayoub, masmoudi "caminhando" com 3 DUM) acompanhando a melodia alternando entre um momento e outro da música. Este é o momento da bailarina, ela é o destaque e deve chamar ainda mais atenção para a sua dança e para o que sabe fazer melhor.
4. Finalização: A melodia da introdução vai se repetir, podendo vir mais acelerada. É hora de girar - perto do final - e montar a sua pose de diva. Pode até fazer as mesmas sequências que fez no início. Outra opção, por exemplo, retomar os passos e repeti-los sem o véu de entrada.
Este é um modelo geral, mas é claro que pode sofrer variações, de acordo com a música. Porém, estudando bem este padrão, a probabilidade de reconhecer esta estrutura em qualquer música clássica é grande.
Entretanto, existem músicas como Shirin, por exemplo, que a entrada só termina no minuto 2:40, aproximadamente, mas existem várias variações ainda dentro da entrada! Para essas "pegadinhas" é preciso ouvir as músicas, quase memorizá-las, hehehe, especialmente se for do seu interesse se formar para dar aulas ou fazer concursos. Essas coisas a gente aprende perguntando, lendo, fazendo workshops, por isso é fundamental procurar se informar. Já vi muitas professoras "assassinando" músicas clássicas, coisa de dar dó. A aluna que está ali geralmente como "receptora", não consegue perceber que está aprendendo errado, aí vai lá pular no saidi, e só! Não lê os instrumentos melódicos, que nos indicam como variar nossos movimentos, nada de ficar na percussão, ela só indica se é para andarmos ou ficarmos paradas; entra na apresentação da banda, ignora os folclores "desconhecidos". Estudar é necessário, vamos nos empenhar para trazer técnica e qualidade à dança do ventre.

Fonte: 
http://www.dancadoventrebrasil.com/2010/02/musica-classica-na-danca-do-ventre.html#ixzz3fVVk7lyU
https://cadernosdedanca.wordpress.com/2010/12/01/a-estrutura-da-musica-classica/