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sábado, 2 de abril de 2016

Ghawazee

A Dança das Ghawazee tem origem no Egito e foi inspirada pelos Ciganos (Nawar) que por lá passaram em sua trajetória para o mundo. São originárias do sul da Índia. Nesse país, há diversas danças populares, as danças são religiosas ou sazonais, porém as ghawazee também faziam uso da dança como forma de sustento de sua tribo. 
Para conseguir identificar o perfil da dança ghawazee é preciso observar a origem dos ciganos. Todos os ciganos do mundo têm origem na Índia. As tribos ciganas originais deixaram aquele país no século V em busca de trabalho. Partiram para o Ocidente através do Afeganistão e da Pérsia, e se dividiram pelos rios orientais do Mediterrâneo. Alguns se dirigiram para norte e foram até a Europa, passando pela Turquia (lá as ghawazee eram chamadas zinganee ) e outros subiram pela costa sul até o Egito.
A princípio sabemos que a tradição da dança ghawazee era com snujs. Com o tempo e com as viagens, incorporaram novos elementos, pois a sua dança era utilizada como entretenimento e de uma maneira comercial, portanto para atrair o público deveria ser bem criativa. As dançarinas ghawazee começaram a utilizar em sua dança o lenço e a bengala. A música e a dança são elementos essenciais de sua cultura.
Em meados de 1830, se deu a máxima disseminação da dança das ghawazee, suas danças eram a melhor diversão de uma festa, porém Mohammed Ali governante do Egito proibiu a dança em público, e as que não cumpriam a nova lei eram expulsas do Cairo e mandadas para Esna.
Normalmente dançam em eventos abertos, populares, ao longo dos rios, nos subúrbios da cidade, mercados e vilas. Usam roupas bem típicas e combinações específicas de movimentos de quadris, bem repetitivos, e na maior parte das vezes, acompanhados de snujs ou bastão, num ritmo regular e constante.
Ghawazee é o plural de Ghaziya, muito famosas dançarinas femininas, principalmente no Alto Egito, na região de Luxor, atualmente. Ghawazee significa “invasora do coração”, como de fato, os ciganos têm vivido como um povo à parte, fora das cidades e da sociedade. Os homens atuam como músicos ou gerentes do evento.
Segundo escritos de poetas, relatos de escritores e de pinturas de antigos artistas supõe-se que, as ghawazee, além da dança, eram cantoras, utilizavam-se da arte divinatória em concha, areia e taça, realizavam partos, sabiam tocar variados instrumentos, adornavam homens e mulheres com pinturas de tatuagens e eram contadoras de histórias. Além disso, participavam com suas destrezas, em cortejos de noivos, casamentos, animavam festas de aniversário e nascimentos. Elas andavam em grupos, pintavam o rosto e os olhos, adornavam-se com pulseiras, brincos e colares.
Sua dança diferenciava-se pelo demasiado uso de movimentos grandes, cadenciados e marcados das ancas e pela ginga do corpo. Os braços sinuosos, ondulações e o deslizar da cabeça para as laterais são comuns nas danças indianas, persas, turcas e árabes, mas a dança árabe diferencia-se pela constante e complexa movimentação das ancas.
“Em um recente vídeo denominado Latcho Drom exibido pela TV francesa, retratando a trilha dos ciganos, podemos ver no local do oásis situado no delta do Nilo um grupo de nômades onde as mulheres, embora com diferentes trajes das originais ghawazee, apresentam uma dança que tem como características, as batidas laterais de quadril, movimentos incrivelmente largos, fortes e soltos. Essas batidas de quadril são marcadas por batidas de um dos pés no chão.” ( Dunia La Luna)
As ghawazee costumam manter uma vibração constante nos quadris.
São característicos os seguintes passos:
1- Percutir o pé (planta inteira) no chão durante as batidas laterais;
2- Acento forte para a lateral seguido de shimmy;
3- Shimmy em triângulo;
4- Saltinhos para trás como nas danças libanesas;
5- Movimentos de braços em círculo - no alto da cabeça ou na região do ventre;
6- Twist com acento diagonal;
7- Encostar-se uma na outra, pelas costas enquanto dançam.
8- Também praticavam algumas artes circenses, como equilibrar as bengalas na cabeça, nos quadris e no busto.

Yousef Mazin, muito conhecido como o mais famoso pai de Ghawazee, morava perto dos templos de Luxor e contava que sua tribo originariamente veio da Persia. Ele reconhecia que foram banidos de suas terras por causa principalmente da péssima reputação e comentava que encorajava suas filhas e filhos a tornarem-se artistas para poderem manter-se no Egito.
Khairiyya Mazin, uma das últimas autênticas Ghawazee a atuarem no Alto Egito, ainda faz shows e ministra aulas. Ela mora em Luxor e dedica-se a manter a tradição da Dança das Ghawazee no Egito.

Fonte:
http://www.ventrequeencanta.com.br/ghawazee.html
http://opoderdadanca.blogspot.com.br/2011/04/gawazee.html

sábado, 12 de março de 2016

Tarab

Uso o termo “Tarab” para fazer referência ao estilo musical clássico que surgiu na década de 1920, caracterizado por uma estrutura sofisticada, voltada para apresentações nos palcos e nos cinemas.
Tarab, em árabe significa “sensações e sentimentos” e sugere estado de êxtase e de entrega. Estado este, atingido pelo povo árabe ao contemplar a música grandiosa da época. É uma música longa o bastante para que seus ouvintes entrem em contato com suas emoções, de modo a experimentar sensações de alegria, tristeza, prazer, dentre vários outros sentimentos possíveis.
Esse gênero musical nasceu a partir da musicalização de um poema que inicialmente foi composto para ser ouvido. Dançá-lo, foi um passo posterior.
Como o Tarab é um gênero extremamente tradicional, com grande significado para os árabes, ele demanda uma interpretação muito especial por parte da bailarina. Ela deve interpretar a letra da música, exibir uma dança pura, madura e intensa. Uma dança tipicamente árabe. Por isso, é muito importante que a bailarina conheça a tradução da música para interpretá-la de forma correta e o mais emocionada possível.
Portanto, ao dançar esse tipo de música, a bailarina deve se preocupar em fazer uma dança tradicional.  Não cabem aqui, os inúmeros movimentos acrobáticos, tais como “quedas turcas”, “espacates” ou “grand batmans“. Mesmo porque não existem esses e tantos outros movimentos impactantes, originalmente na Dança do Ventre.
Se a intenção é ser fiel ao estilo, o mais importante na interpretação de um Tarab é o envolvimento da bailarina com a música e com o que ela expressa. Devendo lançar mão de passos típicos das danças árabes, tais como os movimentos arredondados, os batidos e os shimmies.
Tipos do véu na dança clássica 
As bailarinas egípcias que começaram a dançar Tarab usaram o véu de forma muito peculiar, moderada e restrita. Entretanto, o véu usado na época não é o mesmo que estamos acostumados a fazer na Dança do Ventre hoje, cuja inspiração é totalmente ocidental. E como no Tarab, o elemento fundamental não é o véu, tome muito cuidado.
Estude e procure entender a magnitude de um Tarab. Você verá que o nosso belo véu de seda não é a melhor opção para este tipo de música. Por isso, certos trabalhos de véu no Tarab, eu considero como sendo um dos erros mais comuns na Dança do Ventre que poder fazer você se parecer com uma bailarina iniciante.
A presença do véu sempre esteve na dança oriental, desde época do ghawazee e a era dourada, usado no clássico, shaabi até no tarab. Mas qual véu e quando usar ele especialmente no clássico ou no tarab? É um tipo de véu que faz parte do traje, é um conjunto leve do mesmo tecido e mesmo cor, e normalmente amarrado no ombro ou na cintura da bailarina pode até ser solto na apresentação.
Usado apenas em momento solo, tipo momento do taksim ou em giros, começou o canto solta as mãos do véu e expresse a música; nunca é usado na música inteira mesmo que seja toda instrumental. 
O que vemos hoje em músicas do tarab?
O que vemos hoje em dia, especialmente no ocidente, e aqui, claro, além da invenção é falta de entendimento da música, sua mensagem.
As bailarinas esquecem que interpretar um tarab ou até clássico do Abdel Haleem ou até Oum Kalthoum mesmo que seja uma versão instrumental, que a música tem poema, tem letra e exige uma interpretação, uma leitura, já vi muitas apresentações com músicas de Oum Kalthoum usando o véu, mais malabarismo com véu do que expressar a música, véus de borboletas, arco íris etc, e isso é um erro sim, não se usa este tipo de véu neste estilo musical. 
Nem tudo que achamos bonito tem nexo, e nada é bonito quando retira o verdadeiro sentido, eu já vi interpretações em músicas de Oum Kalthoum usando o Punhal, daqui pouco vamos ver alguns usando o bastão no tarab e vamos tem que achar bonito? Direito de expressar a arte? Não...
Então conheçam estas diferenças, mantenham o valor da música, do poema, Se Suheir Zaki foi observada pela Oum Kaltoum em seus ensaios antes de interpretar uma canção dela, imagina quem não é Suheir Zaki. 
É muito importante saber que cada música tem sua letra, sua musicalidade, sua história e sua mensagem. É importante saber que você não esta interpretando Oum Kalthoum, mas uma “música” de Oum Kalthoum.
Vamos dar exemplo, tem musica “ Alf Leila Wa Leila” ou mil e uma noite (um dos grandes clássicos do Oum Kalthoum), fala sobre uma noite do amor que valeu por mil noite, uma expressão de alegria, satisfação do momento, a música tem leitura instrumental impacta, forte que refere o pensamento e imaginação entre um capítulo e outro, exige marcação forte, personalidades. Agora vamos olhar uma música como “Lessa Faker” que é um Tarab, tem uma pergunta, um lamento, uma decepção por uma história e tempo que já passou, é interpretação totalmente é outra.
Muitas se perdem, por conta de ensinamento errado, às vezes, também por conta da música instrumental que está sendo usada mais ainda quando falamos em restaurantes e festinhas. Interpretar uma “música” do Oum Kaltoum é interpretar o estilo musical, a letra, a mensagem.
É tão bonito quando a gente vê que a bailarina entende do que ela representa. É gratificante quando seu esforço, investimento seja construído em base do saber. Bom saber que existe quem entende e canta a música mesmo que seja instrumental e o conselho é estudar o que vai interpretar, não apenas coreografar. 
Não são apenas os detalhes que fazem um trabalho seja bonito, mas toda a construção. Espero que esta observação alcance a maior parte, para que todos tenham consciência e conheçam as diferenças.

Fonte:
http://www.blognilzaleao.com.br/erros-mais-comuns-na-danca-do-ventre/
http://www.khaledemam.com/p/materias.html