sábado, 30 de julho de 2016

Pressa: uma grande inimiga

Acho que tenho uma ideia do porquê a gente tem pressa de aprender. A gente vive atualmente num mundo onde quase tudo acontece muito rápido. Por exemplo a gente pode agora ligar para um amigo por WhatsApp no Japão. Podemos fazer uma postagem agora e pessoas do mundo verem quase instantaneamente.
Claro que esta facilidade e rapidez nos ajudam e a gente quer continuar com elas. Mas também a gente precisa saber que há outras questões que funcionam mais à moda antiga: demoram para acontecer.
Dançar com certeza é uma delas. Dançar não é algo que ocorre rápido. Envolve todo um processo de aprendizagem. Que leva tempo pra ocorrer. Tempo que deve ser usado com treinos, dedicação, motivação e paciência.
E o mais curioso é que quando a gente é criança, tudo que a gente aprende passa por sucessivos estágios, e levam tempo pra acontecer. Por exemplo, foi assim quando a gente aprendeu a andar, a falar, a andar de bicicleta, a escrever. Mas aí parece que quando a gente vira adulto a gente esquece este processo e quer agir diferente dele. Quer aprender tudo pra ontem e ainda ficar a melhor de todas. Meio loucura, né?
Então vamos deixar a rapidez para outras áreas da nossa vida. Na hora de aprender a dançar a gente vai ter paciência e passar por todos os estágios.

A gente separou algumas etapas que passamos quando estamos aprendendo. 
Veja se você se identifica:

Estágios da Aprendizagem da Dança do Ventre
1) A gente não consegue fazer o movimento
2) A gente vê o movimento na profa e não sai na gente
3) A gente começa a fazer. O movimento sai devagar e bem desengonçado, bem diferente da versão da professora.
4) Menos desengonçado, mas ainda a gente precisa pensar pra fazer
5) Sai com mais facilidade. Não é + preciso pensar tanto, mas ainda não tão bonito
6) Sai com mais facilidade e beleza. Você já dominou o movimento
7) Você já consegue fazer variações nele, como aumentar a velocidade, inserir braços, colocar tremidos, mudar a qualidade para mais alegre ou introspectivo, etc

E uma dica bem importante: curta o trajeto! Não só a chegada é boa, mas também o caminho. Neste caminho a gente conhece mais quem somos, do que gostamos, o que é fácil e o que é difícil. A gente aprende mais sobre nosso corpo e nossa alma. A gente aprende a se valorizar mais e a entregar mais disso para o mundo. Vale muito a pena! Aproveite suas aulas: curta o caminho!

Fonte:
http://www.centraldancadoventre.com.br/publicacoes/artigos/26/danca-do-ventre-a-pressa-e-inimiga-da-apresentacao/17363

sábado, 23 de julho de 2016

Como estudar?

Não importa se a turma é avançada ou se é uma aula sequencial:
revisar os movimentos básicos e o posicionamento é muito importante.
Tal como ensinar é uma arte, aprender também é. Muitas vezes queremos aprender algo novo, como dançar, mas não permitimos que outra pessoa nos passe seu conhecimento. Ao entrar naquela aula, estamos de cabeça aberta para o que vamos receber? Somos capazes de deixar a vaidade de lado e assumir a ignorância?
Professores, busquem atualizar-se, reciclar seus conhecimentos, aprender com as técnicas de outrem. Permitam que seus alunos contribuam com a aula, desfazendo a hierarquia para haver uma troca de ideias e valores. E, alunos, ao entrar numa sala de aula, valorize seu tutor, e valorize ainda mais aquele colega que talvez você esteja desprezando pelas suas dificuldades, você pode precisar dele um dia.


Dicas para a aula render bons frutos
- Vá com uma roupa confortável, tipo roupas de ginástica, para que sua professora possa ver o seu corpo e sua postura. (Verifique em sua escola se há uniforme para as aulas);
- A dança do ventre é dançada descalça, porém se você quiser poderá usar uma meia ou uma sapatilha, o que você preferir;
- O lenço de quadril é muito importante na dança do ventre, pois ele destaca no nosso corpo o que queremos enquanto dançamos, ele pode ter moedas ou não, existem diversos modelos, escolha um de sua preferência;
- Procure ir nas aulas, sempre que possível, bem arrumada. Nada melhor do que nos sentir bem para aproveitar melhor um momento só seu!;
- Após algum tempo que já se está na dança é comum o uso de alguns elementos, os menores e de fácil manuseio, como o véu ou snujs, é sempre bom deixá-los em sua bolsa;
- Leve também nas aulas um caderno para anotações, é sempre bom para continuar seus estudos em casa. Leve também um pendrive para trocar músicas com as colegas de turma ou com a professora;
- A hidratação durante a prática do exercício físico é essencial, leve sua garrafinha de água ou seu copo. Não vamos ficar acumulando lixo com copos descartáveis, vamos ajudar o meio ambiente;
- Separe e leve com você todo seu material e roupas de dança em uma bolsa, assim se você sair de manhã para trabalhar e não der tempo de ir para casa antes da aula, você já está com tudo que precisa para ir para aula;
- Procure não faltar e não se atrasar para às aulas, pois você pode perder conteúdos importantes, ou chegar atrasada e perder o aquecimento. E a regularidade nas aulas é importante para seu aprendizado. Se for faltar ou se atrasar tente avisar sua professora;
- Aproveite as aulas, a companhia de suas colegas de turma. Não vá embora da aula com dúvida, não tenha medo e pergunte à sua professora.

Anote suas aulas
O que a gente aprende hoje, se não treina e não anota, na semana seguinte provavelmente a gente já esqueceu. Anotar é uma forma de estudar, de registrar e depois de ajudar quando a gente for ensaiar.
Por isso, não estou dizendo pra você só anotar, mas pra você anotar e treinar. Imagina quanto material de estudo você vai ter a cada aula que anotar!
O ideal é revisar o conteúdo com a sala toda e se o
problema persistir, sugira treinos, ensaios e reforço
Então agora vou te dar 2 ideias pra você anotar suas aulas de Dança do Ventre.
1. CaderninhoVocê pode ter um caderno pra levar nas aulas e ir anotando lá.
2. Arquivo/Planilha no computadorPra quem é mais adepto do mundo digital, pode um bloco de notas, word ou googledocs, por exemplo.
Poderia ser algo como:

Data:
Tema da aula:
Conteúdo:
Música:
Vídeo:
O que estudar pra próxima aula:

Grupo de estudos 
Depois de anotar você pode compartilhar com suas amigas do Grupo de Estudos, assim o estudo fica cada vez mais rico. Mas lembre que cada uma precisa dar sua contribuição!
Importante para compreender melhor o tempo da música e seus compassos,
além de contribuir e muito para a aprendizagem dos ritmos árabes!
Vantagens:
1) Você tem a chance de obter ajuda naqueles pontos que você acha difícil
2) Você pode ajudar as amigas que têm dificuldade em algo que pra você já ficou tranquilo
3) Você aprende muito mais
4) Você aprende mais rápido
5) Você fica mais motivada
6) Você estreita mais suas relações (porque afinal é uma delícia ter amigas!)
O que estudar?
1) Vocês podem eleger um tema por mês, onde a cada mês uma escolhe o tema de sua preferência
2) Ou vocês podem estudar um tipo de música árabe a cada 3 meses
3) Ou vocês podem estudar o conteúdo da aula anterior
4) Ou podem a cada aula uma mostrar sua coreografia criada
5) Ou cada uma pode improvisar a cada encontro.
Ou vocês podem ter outras ideias, afinal não tem limite para a criatividade.
Onde estudar?

Vocês podem ver a possibilidade de alugar uma sala na escola de dança. Isso seria o ideal!
Caso não seja possível, tente encontrar uma sala que alugue por hora, e vocês podem agendar 1x por semana ou a cada 15 dias.
Uma outra alternativa ainda seria utilizar o Salão de Festas ou Academia de algum condomínio.
No pior dos mundo tá valendo hangouts, skype,... 
Dicas para dar certo:
1) Peça ajuda para o que você está com dificuldades
2) Lembre sempre de ajudar também. Ou seja, dar e receber sempre
3) Se precisar faltar avise suas amigas com antecedência
4) Não se atrase! Lembra que todas ali se dedicaram para aquilo e estão contando com você
5) Contribua no Grupo com o que você sabe
6) Compartilhe suas anotações, suas músicas, seus vídeos, suas dicas. 
O estudo fica melhor com a contribuição de todas!

E compartilhe os arquivos de estudos entre todas. Pode fazer grupos no telegram, no whatsapp, email, pastas virtuais como googledocs ou DropBox.

Fonte:
http://www.centraldancadoventre.com.br/publicacoes/artigos/26/3-ideias-pra-voce-anotar-suas-aulas-de-danca-do-ventre/17400
http://www.centraldancadoventre.com.br/publicacoes/artigos/26/grupo-de-estudos-com-as-amigas-de-danca-do-ventre/17396
http://www.centraldancadoventre.com.br/publicacoes/artigos/26/aprendendo-a-aprender-danca-do-ventre/17359
http://www.centraldancadoventre.com.br/publicacoes/artigos/26/dicas-para-volta-as-aulas-de-danca-do-ventre/17350

sábado, 16 de julho de 2016

Sobre dança com música ao vivo

Você tem vontade de dançar com música ao vivo mas tem dúvidas de como fazer? Gostaria mas não sabe onde dançar? Então você vai gostar do que vai encontrar aqui!
Temos dicas das bailarinas e professoras de Dança do Ventre Sheila Peralles e Andréia Sampaio

Dicas pra dançar com música ao vivo
Escolher uma música e confirmar se o músico ou banda que vai tocar ao vivo já tocou antes e conhecer um pouco da versão porque muda totalmente da versão tocada no CD e/ou, às vezes, não dá para ser tocada se faltar alguns instrumentos importantes.
Hoje temos tantas opções de vídeo na internet que nos ajudam a conhecer os trabalhos de vários músicos, mas eles são acessíveis e perguntar para eles também é bacana.
E o mais importante é estudar Leitura Musical porque você consegue se soltar dançando com a versão ao vivo se estiver conectada com a música.

O que não fazer
Coreografar!!! Não tem como porque aquelas batidas e floreios não acontecem naquele momento tão esperado e você pode ficar procurando antecipar os movimentos e ficar fora do tempo. Por isso melhor improvisar. 
Use um figurino que seja familiar porque é muita novidade para uma dança só e passa tudo tão rápido que quanto mais aproveitar o momento melhor.
Não espere se sentir totalmente preparada porque só adquirimos experiência quando realizamos o que desejamos.

E se for derbake?
Por mais que a dupla seja qualificada na dança do ventre, um solo de derbake terá mais qualidade quanto melhor for a sintonia do músico com a bailarina.
Cada músico possui sua identidade musical. Isso é mostrado pelos ritmos que ele mais gosta, pelos enfeites, pelas variações... Com a bailarina é a mesma coisa, sua identidade é revelada nos ritmos preferidos, no figurino, trejeitos, nas brincadeiras, nas emoções expostas durante o solo.
Torna-se necessário fazer ensaios, mas nem sempre é possível, por vários motivos...
Dois pontos chaves para deixar memorável ao público a sua apresentação de dança:
Representação teatral - Uma dica se você nunca fez encenação: Ao fazer a abertura no palco, observe: Observe o músico. Observe o público. Se observe. Solte-se, mas esteja presente no palco! Tome à frente do solo, se quiser! Desafie o músico com um olhar. E com um olhar coloque o público a participar de tudo isso. Algo novo vai acontecer, mas não crie expectativas. Deixe ser, você! Celebre, sinta! Perceba essa nova sensação junto com a apresentação.
Improvisação - Conhecer os ritmos e seu contexto é fundamental para uma bailarina que deseja melhor qualidade nas apresentações com derbake ao vivo. Isso te dá bagagem técnica para você ter liberdade nas improvisações.
A música árabe está dentro de uma estrutura. Tudo é matemático e tudo se repete. Fique atenta a essas repetições. Refiro-me aos compassos quando o músico vai solar. A essas repetições, chamamos de frase. Uma frase, normalmente, é repetida quatro vezes. A primeira, fatalmente você vai perder, mas as outras três não. Quanto mais conectada você estiver com a música, mais sintonizados estarão, qualificando ainda mais a apresentação.
Conhecer os ritmos e conhecer técnicas para identificação destes, te dará total segurança para se posicionar melhor numa apresentação de derbake ao vivo.

Fonte:
http://www.centraldancadoventre.com.br/publicacoes/artigos/26/danca-do-ventre-com-musica-ao-vivo/17401
http://www.centraldancadoventre.com.br/publicacoes/artigos/26/sintonia-musico-com-bailarina-de-danca-do-ventre/17402

sábado, 9 de julho de 2016

Porque dançar no frio?

Com a queda da temperatura, algumas alterações no organismo e de comportamento são observadas, como gripes, resfriados e a tão gostosa preguiça que afasta as pessoas das academias. Mas o que muitas pessoas não sabem é que a interrupção de uma atividade física, principalmente no inverno, fragiliza o organismo, pois a prática regular de exercícios aumenta a resistência orgânica do indivíduo. É necessário mudar esse pensamento de que atividade física só se pratica no verão.
As pessoas que praticam atividades físicas nessa época de inverno podem ter vantagens únicas, como a melhora do apetite e do sono, além de ser saudável e apresentar menos riscos à saúde, porque os exercícios e as atividades físicas tornam o coração menos vulnerável a doenças.

O friozinho do inverno é um convite para ficar mais tempo na cama e, mais ainda, bem longe da academia. Mas poucos sabem que esta época é a melhor do ano para praticar atividades físicas. Fazer exercício no frio pode aumentar em até 30% a queima de calorias. É o que garante o pesquisador Luis Carlos Oliveira, do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs), órgão ligado à Secretaria estadual de Saúde de São Paulo. Segundo o especialista, o clima mais ameno leva o corpo a precisar queimar mais calorias para manter-se aquecido.
Além de ser saudável e apresentar menos riscos à saúde, as atividades tornam o coração menos vulnerável a doenças crônicas não transmissíveis, responsáveis por cerca de 300 mil de óbitos no país — defende Oliveira.
Outra consequência é o aumento do apetite. Quanto maior a sensação de frio, maior a fome. Isso ocorre porque, para manter a temperatura básica do organismo, o metabolismo precisará acelerar o seu funcionamento, o que pode ser até cinco vezes o normal.
Ainda de acordo com o pesquisador, no inverno, as pessoas ingerem um número maior de alimentos com grande quantidade de gordura, como chocolate quente, feijoada, sopa; por isso, segundo ele, é importante praticar os exercícios, lembrando sempre da importância do alongamento antes das atividades, que podem evitar lesões musculares mais graves.
Mas não podemos generalizar, pois os resultados dependem da quantidade e da intensidade do exercício, e principalmente de uma alimentação adequada — completa Oliveira.
Cuidados necessários:
· Mesmo com o clima frio, o ideal é usar roupas leves, como calça e casaco de moletom. Abafar o corpo com muita roupa faz eliminar sais minerais em excesso, o que não é saudável;
· O corpo em repouso leva mais tempo para atingir a temperatura ideal para a atividade física, por isso é importante aquecer e alongar;
· Hidratação antes, durante e depois do exercício é essencial, pois, assim como no verão, o corpo perde líquido através da transpiração.
· Blusas impermeáveis são proibidas, inclusive cobrir o corpo com filme plástico com a intenção de queimar mais gordura. Você pode desidratar com essa atitude;

Dicas para não deixar de praticar exercícios mesmo com o frio:
· Se você pratica atividades físicas ao ar livre, uma boa opção é trocar esse espaço pelas academias e clubes que possuem climatização - é, projeto "aulão na praia" não rola;
· Faça um grupo de amigos com o mesmo objetivo ou chame aquela amiga que sempre a convida e você inventa desculpas;

Recapitulando os benefícios de exercitar-se no inverno
Preparo para o verão: para chegar ao verão em forma é importante iniciar a prática de exercícios desde já. Assim há tempo suficiente para um bom resultado estético e aperfeiçoamento físico, sem prejudicar o organismo ou causar ansiedade.
Gasto calórico maior: Ao fazer exercícios físicos em temperaturas mais baixas a quantidade de calorias gastas é maior. De acordo com um estudo realizado pelo Celafiscs (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul), praticar exercícios físicos durante o inverno aumenta em até 30% a queima de calorias. Além disso, com o clima mais frio, o corpo queima mais calorias para manter-se aquecido e aumentar a sensação de calor. Desta maneira, as mudanças fisiológicas e metabólicas geradas pelo frio podem potencializar os exercícios e aumentar os efeitos das atividades no organismo.
Ameniza os efeitos dos abusos na alimentação: A prática de exercícios regulares durante o inverno diminui os efeitos dos abusos alimentares, como a maior ingestão de chocolates, bebidas quentes, alimentos mais gordurosos, como a tradicional feijoada ou fondue de queijos. Praticar atividade física com frequência ajuda a evitar alimentos mais pesados e reduzir a necessidade deles.
Melhora o humor: O Brasil é um país de temperaturas mais quentes e amenas, portanto o brasileiro não está acostumado à temperaturas muito baixas, e quando as temperaturas caem no termômetro logo vem uma sensação de desanimo. A atividade física é essencial nessa época para aumentar nossos níveis de serotonina e endorfina, com isso trazer a sensação de bem estar e ânimo que temos nos dias mais quentes. Muitos casos de depressão melhoram muito com a prática regular de exercícios.
Evita dores nas articulações: Com a prática de exercícios, diversos músculos são fortalecidos e alongados, melhorando o quadro e a capacidade articular e muscular de todo o corpo. Além disso, ao praticar exercícios regularmente é possível prevenir ou diminuir dores articulares e musculares que muitas vezes se intensificam com a queda da temperatura.
Melhora a disposição: Com os exercícios físicos regulares é possível melhorar a disposição para o dia a dia e consequentemente levantar da cama fica até mais fácil no inverno!
Bem estar durante o exercício: O equilíbrio térmico é bem mais favorável durante o inverno com a prática dos exercícios. Além de aquecer o corpo em dias muito frios, a sensação de calor e consequente transpiração também é menor.
Diminui o risco de doenças relacionadas ao sedentarismo: Manter-se ativo, ou dar início a um programa de exercícios físicos no inverno diminui e evita muitas doenças ligadas ao sedentarismo, como doenças cardíacas, diabetes, doenças articulares e ósseas, depressão, doenças vasculares e a obesidade. Além de ser saudável e apresentar menos riscos à saúde, as atividades tornam o coração menos vulnerável a doenças crônicas não transmissíveis, responsáveis por cerca de 300 mil óbitos no país.

O frio não pode ser uma desculpa para não praticar atividades físicas e sim um estímulo a mais, pois com a temperatura mais fresca não nos sentimos tão castigadas. Mexa-se!

Fonte:
http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/exercicio-fisico-no-inverno-queima-ate-30-mais-calorias-5451071
http://www.maisequilibrio.com.br/fitness/atividade-fisica-no-inverno-3-1-2-171.html
http://www.dietaesaude.com.br/temas/fitness/16471-exercicio-fisico-no-inverno-emagrece

sábado, 2 de julho de 2016

Dicas para dançar no frio

O frio chegou e com ele a dificuldade de fazer uma apresentação de Dança do Ventre, né? 
E como a gente faz?
abey

1) No frio a pele resseca com mais facilidade e deixa a aparência esbranquiçada. Passe um hidrante nos braços, abdômen e pernas. Além de perfumar já será uma auto - massagem rápida.

2) Sempre proteja os pés com um sapato elegante, mas não abra mão do conforto. Assim evitará um tempo maior de contato com o piso e friagem, além do necessário.

3) Tenha em seu "Belly Closet" um abey de verão e outro para inverno. Isso pode parecer luxo mas quando for necessário terá deixará sorrindo de felicidade para cada ocasião.

4) Mesmo no frio, após a apresentação o corpo transpira. Nunca, nunca mesmo, se exponha a correnteza de ar frio, áreas abertas para se refrescar. poupe sua saúde, afinal nos próximos dias você quer estar pronta para mais show.

5) O alongamento deve ser mais lento e levar um tempo maior para ser finalizado. Os músculos ficam mais contraídos no frio, por isso, dê um tempo para eles relaxarem. Lembre-se que os pés também precisam de flex.

6) No frio precisarmos nos abastecer. Não dance em jejum. Que tão uma bebida quentinha? Se optar por um chocolate quente, de preferência por desnatados. Chás com especiarias como cravo e canela são ótimos.

7) Se sinta vitoriosa. A maioria das pessoas quer hiber no inverno e você está dançando. Vencer a preguiça é um grande mérito! Continue pois a atividade física, mesmo no inverno, garante a resistência do corpo.

Obs: quanto mais você se movimenta, menos dores nas juntas (que pioram no frio) você sente.

Fonte:
http://www.centraldancadoventre.com.br/publicacoes/artigos/26/danca-do-ventre-dicas-pra-dancar-no-frio/17415

sábado, 18 de junho de 2016

A neurociência da dança - parte final

Você Sabe Dançar?
Outras partes do cérebro são ativadas quando observamos e aprendemos passos de dança. Beatriz Calvo-Merino e Patrick Haggard, da University College London, e seus colegas pesquisaram se áreas cerebrais específicas se tornavam ativas preferencialmente quando as pessoas observavam passos que já dominavam. Ou seja, será possível que existam áreas cerebrais que se ativam quando dançarinos de balé assistem a uma apresentação de balé, mas não, por exemplo, quando assistem a uma apresentação de capoeira? Para desvendar esse mistério, a equipe fez ressonâncias magnéticas funcionais de bailarinos, capoeiristas e não-praticantes à medida que observavam vídeos de três segundos de movimentos de balé e capoeira, sem áudio. Os pesquisadores descobriram que a experiência dos observadores tinha grande influência no córtex pré-motor: a atividade no local aumentou apenas quando os voluntários observavam as danças que eles mesmos sabiam executar. Outro trabalho oferece uma explicação provável. Os cientistas descobriram que, quando as pessoas observam ações simples, áreas do córtex pré-motor envolvidas na realização dessas ações se ativam, o que sugere que nós mentalmente ensaiamos o que vemos – uma prática que pode nos ajudar a aprender e entender novos movimentos. Os pesquisadores estão avaliando até que ponto os humanos dependem de circuitos de imitação desse tipo.
Em um trabalho posterior, Calvo-Merino e seus colegas compararam o cérebro de bailarinos de ambos os sexos enquanto observavam vídeos de dançarinos homens e mulheres dando passos específicos para cada gênero. Novamente, os níveis mais altos de atividade no córtex pré-motor eram dos homens que observavam movimentos apenas masculinos, e de mulheres que observavam movimentos apenas femininos.
Na verdade, a capacidade de ensaiar um movimento na mente é vital para as habilidades de aprendizado motor. Em 2006, Emily S. Cross, Scott T. Grafton e seus colegas do Dartmouth College discutiram se os circuitos de imitação no cérebro aumentam sua atividade à medida que ocorre o aprendizado. Durante várias semanas, a equipe realizou ressonâncias magnéticas funcionais semanais de dançarinos à medida que aprendiam uma seqüência complexa de dança moderna. Durante o imageamento, os voluntários observavam vídeos de cinco segundos que mostravam algum movimento que já dominavam ou outros passos diferentes, não-relacionados ao contexto. Após cada clipe, os voluntários classificavam sua capacidade de executar satisfatoriamente os movimentos que observaram. Os resultados confirmaram a hipótese de Calvo-Merino e de seus colegas. A atividade no córtex pré-motor aumentou durante o treinamento e, de fato, correspondia às avaliações dos voluntários sobre sua capacidade de realizar um segmento de dança observado.
Ambas as pesquisas destacam o fato de que aprender uma seqüência motora complexa ativa, além de um sistema motor direto para o controle das contrações dos músculos, um sistema de planejamento motor que contém informações sobre a capacidade do corpo de realizar um movimento específico. Quanto mais experiente a pessoa se torna em um determinado padrão motor, melhor consegue imaginar qual a sensação desse padrão, e talvez assim fique mais fácil realizá-lo. Entretanto, como nossa pesquisa demonstra, a capacidade de simular uma seqüência de dança – ou dar um saque no tênis ou uma tacada de golfe – na mente não é uma atividade simplesmente visual, como esses estudos talvez sugiram; ela também é cinestésica. Aliás, a verdadeira aptidão exige, de certo modo, uma sensação muscular, uma imagem motora nas áreas de planejamento do movimento em questão no cérebro.

O Papel Social da Dança
Talvez a questão mais fascinante para os neurocientistas, para início de conversa, seja por que as pessoas dançam. Certamente a música e a dança estão intimamente relacionadas: em muitos casos, a dança gera som. Os danzantes (ou “dançarinos”) astecas da Cidade do México vestem calças chamadas chachayotes, bordadas com sementes da árvore ayoyotl, que emitem um som a cada passo. Em muitas outras culturas, as pessoas usam objetos que produzem sons – de metal na sola dos sapatos a castanholas e guizos – no corpo e nas roupas enquanto dançam. Além disso, os dançarinos freqüentemente batem palmas, estalam os dedos e sapateiam. Como resultado, estabelecemos a hipótese da “percussão do corpo” em que a dança evoluiu inicialmente como um fenômeno sonoro e que a dança e a música, especialmente a percussão, evoluíram juntas como formas complementares de gerar ritmo. Os primeiros instrumentos de percussão podem muito bem ter sido componentes dessa prerrogativa da dança, muito parecidos com as chachayotes astecas.
Entretanto, diferentemente da música, a dança tem uma forte capacidade de representação e imitação, o que sugere que também possa ter atuado como uma forma primitiva de linguagem. Aliás, a dança é a linguagem gestual perfeita. É interessante observar que durante todos os movimentos usados em nosso estudo, identificamos ativação em uma região do hemisfério direito correspondente à área de Broca no hemisfério esquerdo. A área de Broca é uma região do lobo frontal classicamente associada à produção da fala. Nos últimos dez anos, pesquisas revelaram que a área de Broca também contém uma representação das mãos.
Essa descoberta reforça a assim chamada teoria gestual da evolução da linguagem, cujos defensores argumentam que a linguagem evoluiu inicialmente como um sistema de sinais antes de se tornar vocal. Nosso estudo está entre os primeiros a demonstrar que o movimento das pernas ativa a área do hemisfério direito correspondente à área de Broca, o que dá mais sustentação à ideia de que a dança se inicia como uma forma de comunicação representativa.
Qual pode ser o papel da área homóloga à de Broca em permitir que uma pessoa dance? A resposta não parece envolver diretamente a fala. Em um estudo de 2003, Marco Iacoboni, da University of California em Los Angeles, e seus colegas aplicaram estímulo magnético no cérebro para interromper o funcionamento da área de Broca ou de sua homóloga. Em ambos os casos, os voluntários foram menos capazes de imitar os movimentos dos dedos com a mão direita. O grupo de Iacoboni concluiu que essas áreas são essenciais para a imitação, um ingrediente chave para o aprendizado a partir de terceiros e para a difusão da cultura. Também temos outra hipótese. Embora nosso estudo não envolva exatamente movimentos imitados, tanto dançar tango quanto imitar movimentos com os dedos exigem que o cérebro ordene séries de movimentos interdependentes. Da mesma forma que a área de Broca nos ajuda a combinar corretamente palavras e frases, sua homóloga pode servir para posicionar unidades de movimento em sequências contínuas.
Esperamos que estudos futuros com imageamento cerebral tragam nova luz para o mecanismo cerebral por trás da dança e de sua evolução, algo que está extremamente associado ao surgimento tanto da linguagem quanto da música. Encaramos a dança como um casamento entre a capacidade representativa da linguagem e a rítmica da música. Essa interação permite que as pessoas não só contem histórias usando seu corpo como também façam isso ao mesmo tempo que sincronizam seus movimentos com os de outros, de maneira a estimular a coesão social.

Conceitos-Chave
■ A dança é uma forma fundamental da expressão humana que provavelmente evoluiu junto com a música como uma maneira de gerar ritmo.
■ Ela exige habilidades mentais especializadas. Em uma área do cérebro está uma representação da orientação do corpo, que ajuda a direcionar nossos movimentos pelo espaço; outra área funciona como um tipo de sincronizador, tornando possível combinar nossos movimentos ao ritmo da música.
■ A sincronização inconsciente – o processo que nos faz marcar o ritmo distraidamente com os pés – é o reflexo de nosso instinto para dançar. Isso ocorre quando certas regiões cerebrais subcorticais se comunicam, desviando-se de áreas auditivas superiores.

Irresistível descoberta sobre o tango (que pode se destinar a dança do ventre também, por que não?) - Em um estudo publicado em dezembro de 2007, Gammon M. Earhart e Madeleine E. Hackney da Escola de Medicina da Washington University, em St. Louis, descobriram que dançar tango melhora a mobilidade de pacientes com mal de Parkinson. A doença é o resultado de uma perda de neurônios no gânglio de base, um problema que interrompe a mensagem destinada ao córtex motor. Como resultado, os pacientes sofrem de tremores, rigidez e dificuldade em iniciar movimentos que planejavam realizar. Os pesquisadores descobriram que, após 20 aulas de tango, os voluntários do estudo “paralisavam” com menos freqüência. Em comparação aos voluntários que participaram apenas de uma aula experimental, os dançarinos de tango também apresentaram maior equilíbrio e pontuações maiores no teste Get Up and Go (Levante-se e vá), que identifica aqueles que correm risco de cair.

[Conceitos básicos] - As áreas do movimento no cérebro - Para identificar as áreas cerebrais que controlam a dança, os pesquisadores precisam de uma noção de como o cérebro nos permite realizar movimentos voluntários em geral. Uma versão bastante simplificada está representada aqui. 
O planejamento do movimento (esquerda) ocorre no lobo frontal, onde o córtex pré-frontal na superfície externa (não visível) e a área motora suplementar analisam os sinais (setas) que chegam de outras partes no cérebro, indicando essa informação como uma posição no espaço e lembranças de ações passadas. Em seguida, essas duas áreas se comunicam com o córtex motor primário, que determina quais músculos precisam se contrair, e com qual intensidade, e envia as instruções pela medula espinhal até os músculos.
O ajuste fino (direita) ocorre, em parte, à medida que os músculos devolvem os sinais para o cérebro. O cerebelo usa essa resposta muscular para ajudar a manter o equilíbrio e aprimorar os movimentos. Além disso, o gânglio de base reúne informações sensoriais das regiões corticais e as transmite por meio do tálamo até áreas motoras do córtex.

O balé ajuda a melhorar o equilíbrio?
Roger W. Simmons, da San Diego State University, descobriu que, ao perder o equilíbrio, dançarinos de balé treinados se endireitavam muito mais rapidamente que voluntários não-treinados, graças a uma reação significativamente mais rápida dos nervos e músculos às interferências. À medida que o cérebro aprende a dançar, aparentemente também aprende a atualizar a resposta recebida do corpo mais rapidamente.
Os resultados - coreografia mental - Os pesquisadores descobriram que as seguintes regiões do cérebro contribuem para a dança de maneiras que vão além de apenas realizar um movimento.
Vérmis anterior - Esta parte do cerebelo recebe informações da medula espinhal e aparentemente age como se fosse um metrônomo, ajudando a sincronizar os passos de dança à música.
Núcleo geniculado medial - Uma interrupção ao longo da via auditiva inferior, esta área aparentemente ajuda a configurar o metrônomo do cérebro e é responsável por nossa tendência para tamborilar os dedos inconscientemente ou balançar o corpo ao ritmo de uma música. Reagimos inconscientemente, pois a região está conectada ao cerebelo, comunicando informações sobre o ritmo sem “falar” com as áreas auditivas superiores no córtex.
Precuneus - Por conter um mapa baseado nos estímulos sensoriais do próprio corpo, o precuneus ajuda a identificar o trajeto de um dançarino a partir de uma perspectiva voltada para o corpo, ou egocêntrica.

Para conhecer mais
Action observation and acquired motor skills: an fMRI study with expert dancers. Beatriz Calvo-Merino, Daniel E. Glaser, Julie Grèzes, Richard E. Passingham e Patrick Haggard, em Cerebral Cortex, vol. 15, no 8, págs. 1243-1249, agosto de 2005.
Building a motor simulation de novo: observation of dance by dancers. Emily S. Cross, Antonia F. de C. Hamilton e Scott T. Grafton, em Neuroimage, vol. 31, no 3, págs. 1257- 1267, 1o de julho de 2006.
The neural basis of human dance. Steven Brown, Michael J. Martinez e Lawrence M. Parsons, em Cerebral Cortex, vol. 16, no 8, págs. 1157-1167, agosto de 2006.
Seeing or doing? Influence of visual and motor familiarity in action observation. Beatriz Calvo-Merino, Daniel E. Glaser, Julie Grèzes, Richard E. Passingham e Patrick Haggard, em Current Biology, vol. 16, no 19, págs. 1905-1910, 10 de outubro de 2006.
Steven Brown e Lawrence M. Parsons Steven Brown é diretor do NeuroArts Lab no departamento de psicologia, neurociência e comportamento da McMaster University, em Ontario. Sua pesquisa tem como foco a base neural da comunicação humana, incluindo a fala, música, gestos, dança e emoção. Lawrence M. Parsons é professor do departamento de psicologia da University of Sheffi eld, na Inglaterra. Sua pesquisa inclui o estudo do funcionamento do cerebelo e a neurociência por trás da capacidade de realizar duetos, interagir em uma conversa e inferência dedutiva.

Fonte: http://khandara.multiply.com/journal/item/15

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A neurociência da dança - parte 1

Estudos recentes com imageamento do cérebro revelam algumas coreografias neurais complexas por trás da habilidade de dançar

por Steven Brown e Lawrence M. Parsons

Nossa habilidade de ritmo é tão natural que a maioria de nós a encara como algo automático: quando ouvimos música, marcamos seu compasso com os pés ou balançamos o corpo, geralmente inconscientes de que estamos nos mexendo. Mas esse instinto é, para todos os fins e propósitos, uma novidade evolucionária entre os humanos. Nada comparável acontece com outros mamíferos, nem, provavelmente, com qualquer outra espécie do reino animal. Nosso dom para essa sincronização inconsciente encontra-se no âmago da dança, uma confluência de movimentos, ritmo e representações gestuais. De longe a prática coletiva mais sincronizada, a dança exige um tipo de coordenação interpessoal no espaço e tempo quase inexistente em outros contextos sociais.
Embora a dança seja uma forma fundamental de expressão humana, sempre recebeu relativamente pouca atenção dos neurocientistas. Entretanto, recentemente, pesquisadores realizaram os primeiros estudos com imageamento do cérebro de dançarinos tanto amadores quanto profissionais. Esses estudos tentam responder a perguntas do gênero: “Como os dançarinos navegam no espaço? Como seus passos são ritmados? Como as pessoas aprendem séries complexas de movimentos padronizados?”. Os resultados esclarecem algo intrigante sobre a complicada coordenação mental necessária para executar até mesmo os passos mais básicos de dança.

Eu Tenho Ritmo
Os neurocientistas há tempos estudam movimentos isolados como as rotações do tornozelo ou o tamborilar dos dedos. A partir desses trabalhos, sabemos o básico sobre como o cérebro coordena ações simples. Pular com um pé só – e nem tente dar tapinhas na cabeça ao mesmo tempo – exige cálculos relacionados à consciência espacial, ao equilíbrio, intenção e sincronismo, entre outras coisas, no sistema sensório-motor do cérebro. Em poucas palavras, uma região chamada córtex parietal posterior – na parte de trás do cérebro – traduz informações visuais em comandos motores, enviando sinais para as áreas de planejamento do movimento no córtex pré-motor e na área motora suplementar. Essas instruções então se projetam para o córtex motor primário, que gera impulsos neurais que viajam para a medula espinhal e para os músculos, provocando sua contração.
Ao mesmo tempo, os órgãos sensoriais nos músculos mandam uma resposta ao cérebro, dando a orientação exata do corpo no espaço por meio de nervos que passam pela medula espinhal até chegarem ao córtex cerebral. Os circuitos subcorticais do cerebelo, localizados na parte de trás do cérebro, e dos gânglios de base, no núcleo do cérebro, também ajudam a atualizar os comandos motores com base na resposta sensorial e no ajuste de nossos movimentos reais. O que permanece sem resposta é se esses mesmos mecanismos neurais se ampliam para permitir que essas manobras sejam tão graciosas quanto uma pirueta, por exemplo.
Para responder a essa questão, realizamos o primeiro estudo de imageamento cerebral dos movimentos da dança, em conjunto com nosso colega Michael J. Martinez do Health Science Center da University of Texas, em San Antonio, usando dançarinos amadores de tango como objeto de estudo. Escaneamos o cérebro de cinco homens e cinco mulheres usando a tomografia de emissão de pósitrons, que registra as mudanças no fluxo sangüíneo cerebral seguidas por mudanças na atividade cerebral. Os pesquisadores interpretam o aumento no fluxo sangüíneo em uma região específica como sinal de uma atividade maior entre os neurônios da região. Nossos voluntários permaneceram parados dentro da máquina de tomografia, com a cabeça imobilizada, mas movendo as pernas e deslizando os pés por uma superfície inclinada. Primeiro, pedimos que fizessem o passo quadrado, derivado do passo básico do tango argentino chamado salida, sincronizando seus movimentos no ritmo das músicas que ouviam por fones. Em seguida, escaneamos o cérebro dos dançarinos enquanto flexionavam os músculos da perna no ritmo da música, sem de fato moverem esses membros. Ao subtrair a atividade cerebral obtida por essa simples flexão daquela registrada enquanto “dançavam”, fomos capazes de focar nossa atenção em áreas cerebrais vitais para direcionar as pernas pelo espaço, gerando padrões específicos de movimento.
Como era esperado essa comparação eliminou muitas das áreas motoras básicas do cérebro. No entanto, a porção não eliminada era uma parte do lobo parietal, que contribui para a percepção espacial e a orientação em humanos e em outros mamíferos. Na dança, a cognição espacial é primeiramente cinestésica: você sente o posicionamento do seu tronco e membros o tempo todo, mesmo com seus olhos fechados, graças aos órgãos sensoriais dos músculos. Eles graduam a rotação de cada junta e a tensão em cada músculo e retransmitem essas informações para o cérebro que gera uma representação articulada do corpo como resposta. Mais especificamente, identificamos ativação no precuneus, região do lobo parietal muito próxima de onde fica a representação cinestésica das pernas. Acreditamos que o precuneus contenha um mapa cinestésico que permite uma consciência do posicionamento do corpo no espaço enquanto as pessoas se movem à sua volta. Não importa se alguém está dançando uma valsa ou andando em linha reta: o precuneus ajuda a traçar seu caminho e assim o faz a partir de uma perspectiva centrada no corpo – ou “egocêntrica”.
Em seguida, comparamos as tomografias da dança com aquelas realizadas enquanto nossos voluntários faziam os passos do tango sem música. Ao eliminar as imagens das regiões do cérebro em comum ativadas pelas ações, esperávamos identificar áreas críticas para a sincronização dos movimentos com a música. Novamente, essa subtração removeu praticamente todas as áreas motoras do cérebro. A diferença principal estava na parte do cerebelo que recebe informações da medula espinhal. Embora ambas as condições tenham ativado essa área – o vérmis anterior – os passos de dança sincronizados com a música geraram significativamente mais fluxo de sangue no local que a dança auto-ritmada.
Embora preliminares, nossos resultados nos levam a crer na hipótese de que essa parte do cerebelo atua como um tipo de maestro, monitorando as informações em várias regiões do cérebro para ajudar a orquestrar as ações (ver “O cerebelo reconsiderado”, por James M. Bower e Lawrence M. Parcial sons, Scientific American Brasil no16, setembro de 2003). O cerebelo como um todo atende a todos os critérios para um bom metrônomo neural: recebe uma ampla gama de informações sensoriais dos sistemas corticais auditivo, visual e somatossensório – uma capacidade necessária para sincronizar movimentos a diversos estímulos, desde sons até flashes luminosos e toque; e contém representações sensório-motoras para o corpo inteiro.
Inesperadamente, nossa segunda análise também elucida a tendência natural que os humanos têm de bater os pés inconscientemente ao ritmo de uma música. Ao comparar as imagens dos movimentos sincronizados com a música às dos movimentos auto-ritmados, descobrimos que uma parte inferior da via auditiva, uma estrutura subcortical chamada núcleo geniculado medial – MGN, na sigla em inglês –, era ativada apenas durante a primeira ação. No início, partimos do pressuposto de que esse resultado refletia meramente a presença de um estímulo auditivo – isto é, a música – na situação sincronizada, mas outro conjunto de imagens de controle excluiu essa interpretação: quando nossos voluntários escutavam música, mas não moviam suas pernas, não detectamos mudança no fluxo sangüíneo do MGN.
Assim, concluímos que a atividade do MGN refere- se especificamente à sincronização e não apenas ao ato de ouvir. Essa descoberta nos levou a admitir a possibilidade de uma hipótese de “caminho menos honrado” em que o sincronismo inconsciente ocorre quando uma mensagem auditiva neural se projeta diretamente nos circuitos auditivos e de ritmo presente no cerebelo, desviando-se de áreas auditivas superiores no córtex cerebral.

Fonte: http://khandara.multiply.com/journal/item/15